Annonaceae

Xylopia decorticans D.M.Johnson & Lobão

EN

EOO:

378,777 Km2

AOO:

32,00 Km2

Endêmica do Brasil:

Sim

Detalhes:

Espécie endêmica do Brasil (Flora do Brasil 2020 em construção, 2018), com ocorrência no estado: ESPÍRITO SANTO, município de Santa Leopoldina (Demuner 3697), Santa Maria de Jetibá (Fontana 3105), Santa Teresa (Lopes 353).

Avaliação de risco:

Ano de avaliação: 2018
Avaliador: Eduardo Fernandez
Revisor: Eduardo Amorim
Critério: B1ab(iii)
Categoria: EN
Justificativa:

Árvore de até 11 m, endêmica do Brasil (. Foi coletada em Floresta Ombrófila Densa Montana associada a Mata Atlântica no estado do Espírito Sant, municípios de Santa Leopoldina, Santa Maria de Jetibá e Santa Teresa. Apresenta distribuição restrita, EOO=325 km², quatro situações de ameaça e ocorrência em fitofisionomias severamente fragmentada. Estima-se que restem atualmente cerca de 15% da vegetação original da Mata Atlântica (SOS Mata Atlântica e INPE, 2018). Sabe-se que grande parte dos ecossistemas florestais capixabas encontram-se fragmentados como resultado de atividades antrópicas realizadas no passado e atualmente, restando somente 12,6% de remanescentes florestais originais (SOS Mata Atlântica e INPE, 2018). Esse processo acelerou-se significativamente em função do cultivo do café e do ciclo de exploração de madeira, que perdurou por mais de meio século (Thomaz, 2010). Atualmente, florestas plantadas de Eucalyptus spp. ocupam áreas desmatadas e improdutivas e representam uma das maiores produtividades potenciais em silvicultura do mundo (Siqueira et al., 2004). Apesar de contar com constante presença em herbários e ocorrência confirmada dentro dos limites de Unidades de Conservação de proteção integral, sabe-se que vetores de stress incidem sobre subpopulações de X. decorticans dentro dos limites destas áreas (Mendes e Padovan, 2000). Assim, a espécie foi considerada Em Perigo (EN) de extinção. Infere-se declínio contínuo em qualidade e extensão de habitat. Recomenda-se ações de pesquisa (distribuição, censo, números e tendências populacionais) e conservação (Plano de Ação, garantia de efetividade das UCs) urgentes a fim de se garantir a perpetuação desta espécie no futuro.

Último avistamento: 2011
Quantidade de locations: 4
Possivelmente extinta? Não
Severamente fragmentada? Sim

Perfil da espécie:

Obra princeps:

Descrita em: Contr. Univ. Michigan Herb. 25: 208. 2007.

Valor econômico:

Potencial valor econômico: Desconhecido
Detalhes: Não é conhecido o valor econômico da espécie.

População:

Detalhes: Não existem dados sobre a população.

Ecologia:

Substrato: terrestrial
Forma de vida: tree
Fenologia: perenifolia
Longevidade: perennial
Biomas: Mata Atlântica
Vegetação: Floresta Ombrófila (Floresta Pluvial)
Fitofisionomia: Floresta Ombrófila Densa Montana
Habitats: 1.6 Subtropical/Tropical Moist Lowland Forest
Clone: unkown
Rebrotar: unkown
Detalhes: Árvores de 2-11 m de altura, ocorrendo em floresta ombrófila montana na Mata Atlântica (Lobão e Johnson, 2007; Lopes et al., 2013).
Referências:
  1. Lobão, A.Q., Johnson, D.M., 2007. Xylopia decorticans (Annonaceae) a new cauliflorous species from Brazil. Contrib. Univ. Michigan Herb. 25, 207–211.
  2. Lopes, J. de C., Junikka, L., Mello-Silva, R., 2013. Oxandra unibracteata (Annonaceae), a new species from the Atlantic Forest and a new synonym of O. nitida. Phytotaxa 84, 25–30.

Ameaças (3):

Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.1 Ecosystem conversion 1 Residential & commercial development habitat,mature individuals past,present,future national very high
Perda de habitat como conseqüência do desmatamento pelo desenvolvimento urbano, mineração, agricultura e pecuária representa a maior causa de redução na biodiversidade da Mata Atlântica. Estima-se que restem apenas entre 11,4% a 16% da vegetação original deste hotspot, e cerca de 42% da área florestal total é representada por fragmentos menores que 250 ha (Ribeiro et al., 2009). Os centros urbanos mais populosos do Brasil e os maiores centros industriais e de silvicultura encontram-se na área original da Mata Atlântica (Critical Ecosystem Partnership Fund, 2001).
Referências:
  1. Critical Ecosystem Partnership Fund (CEPF), 2001. Atlantic Forest Biodiversity Hotspot, Brazil. Ecosystem Profiles. https://www.cepf.net/sites/default/files/atlantic-forest-ecosystem-profile-2001-english.pdf (acesso em 31 de agosto 2018).
  2. Ribeiro, M.C., Metzger, J.P., Martensen, A.C., Ponzoni, F.J., Hirota, M.M., 2009. The Brazilian Atlantic Forest: How much is left, and how is the remaining forest distributed? Implications for conservation. Biol. Conserv. 142, 1141–1153.
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.1 Ecosystem conversion 2 Agriculture & aquaculture habitat,mature individuals past,present,future national very high
A Mata Atlântica, que no início da colonização do solo capixaba, originalmente cobria quase 90% do seu território, foi sendo reduzida durante sucessivos ciclos econômicos. Esse processo acelerou-se significativamente em função do cultivo do café e de um ciclo de exploração de madeira que perdurou por mais de meio século (Thomaz, 2010). Na região de Santa Teresa as plantações de café e banana são os usos do solo que ocasionam a fragmentação e aparecimento de ilhas florestais (Oliveira et al., 2013). O município de Santa Leopoldina, com cerca de 71.809 ha, contém 17,4% de sua área convertida em pastagens (Lapig, 2018).
Referências:
  1. Oliveira, B.R., Bravo, V.J., Bravo, M.A., Franco, B.K.S., 2013. Florística e fitossociologia de uma Floresta Ombrófila Densa, Santa Teresa, Espírito Santo, Brasil. Nat. online 11, 187–192.
  2. Thomaz, L.D., 2010. A Mata Atlântica no estado do Espírito Santo, Brasil: de Vasco Fernandes Coutinho ao século 21. Bol. do Mus. Biol. Mello Leitão 27, 5–20.
  3. Lapig, 2018. http://maps.Lapig.iesa.ufg.br/Lapig.html (acesso em 29 de outubro 2018).
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.2 Ecosystem degradation 5.3 Logging & wood harvesting habitat,mature individuals past,present,future national very high
A exploração madeireira durante a colonização capixaba agravou-se no início da década de 1960, quando o Espírito Santo foi uma das principais fontes de madeira para a construção de Brasília (Mendes e Padovan, 2000; Thomaz, 2010). O município de Santa Teresa, outrora recoberto em sua totalidade por Mata Atlântica, atualmente possui cerca de 20% de remanescentes florestais (Fundação SOS Mata Atlântica e INPE, 2018). Em Santa Leopoldina e Santa Teresa restam respectivamente cerca de 27,7% e 20,4% da Mata Atlântica original desses municípios (Fundação SOS Mata Atlântica e INPE, 2018). Dados publicados recentemente (Fundação SOS Mata Atlântica e INPE, 2018) apontam para uma redução maior que 85% da área originalmente coberta com Mata Atlântica e ecossistemas associados no Brasil. De acordo com o relatório, cerca de 12,4% de vegetação original ainda resistem. Embora a taxa de desmatamento tenha diminuído nos últimos anos, ainda está em andamento, e a qualidade e extensão de áreas florestais encontram-se em declínio contínuo há pelo menos 30 anos (Fundação SOS Mata Atlântica e INPE, 2018).
Referências:
  1. Thomaz, L.D., 2010. A Mata Atlântica no estado do Espírito Santo, Brasil: de Vasco Fernandes Coutinho ao século 21. Bol. do Mus. Biol. Mello Leitão 27, 5–20.
  2. Fundação SOS Mata Atlântica e INPE, 2018. Atlas dos remanescentes florestais da Mata Atlântica. Período 2016-2017. Relatório Técnico, São Paulo, 63p.
  3. Mendes, S.L., Padovan, P., 2000. A Estação Biológica de Santa Lúcia , Santa Teresa, Espírito Santo. Bol. Mus. Biol. Mello Leitão 11/12, 7–34.

Ações de conservação (1):

Ação Situação
1 Land/water protection on going
A espécie foi registrada na Estação Biológica de Santa Lúcia (Thomaz 787), Reserva Biológica Augusto Ruschi (Vervloet 220).

Ações de conservação (1):

Uso Proveniência Recurso
Não existem dados sobre usos efetivos ou potenciais.