MELIACEAE

Trichilia magnifoliola T.D.Penn.

VU

EOO:

72.671,954 Km2

AOO:

76,00 Km2

Endêmica do Brasil:

Sim

Detalhes:

Espécie endêmica do Brasil (Flora do Brasil 2020 em construção, 2019), com ocorrência nos estados: BAHIA, município de Guaratinga (Pinheiro 2061), Itamaraju (Mori 10713), Eunápolis (Santos 912), ; MINAS GERAIS, município de Rio Casca (Kuhlmann 2293), Viçosa (1623), Marliéria (sem coletor, s.n.); ESPÍRITO SANTO, município de Águia Branca (Magnano et al. 640), Colatina (Magnago et al. 788), Marilândia (Demuner 4270), Santa Teresa (Assis et al. 962), Santa Leopoldina (Demuner 4161), São Domingos do Norte (Assis e Faria 1688), Governador Lindenberg (Magnago et al. 685), Cachoeiro de Itapemirim (Sucre 8948).Coletada em altitudes de 600 m (Boone 216)

Avaliação de risco:

Ano de avaliação: 2019
Avaliador: Raquel Negrão
Revisor: Marta Moraes
Critério: B2ab(i,ii,iii)
Categoria: VU
Justificativa:

Árvores de 10 m de altura, endêmica do Brasil (Flora do Brasil 2020 em construção, 2019). Ocorre nos domínios da Mata Atlântica (Flora do Brasil 2020 em construção, 2019). Foi coletada nos estados da Bahia, municípios de Guaratinga, Itamaraju e Eunápolis; Espírito Santo, municípios de Colatina, Santa Teresa, São Roque do Canaã e Venda Nova do Imigrante; e de Minas Gerais, municípios de Marlieria, Rio Casca e Viçosa. Apresenta AOO= 76 km² e está sujeita a nove situações de ameaça. Desmatamento, mineração, pecuária e agricultura (Alger & Caldas, 1996; Araujo & Rocha, 1998; Pires O'Brien, 1998; Oliveira et al. 2008; MPF, 2017; Soares et al., 2017; Lapig, 2019; SOS Mata Atlântica/INPE, 2019) são os principais responsáveis pelo declínio de EOO, AOO e qualidade do habitat. A espécie foi considerada "Em perigo" (EN) de extinção em avaliação de risco de extinção anterior, em nível nacional (MMA, 2014) e como "Vulnerável" (VU), em nível global pela Lista Vermelha IUCN (Pires O´Brien, 1998). A recente atualização da coleção e novas coletas aumentaram a distribuição da espécie e o número de situações de ameaça para além dos limiares da categoria EN. Portanto, a espécie passa a ser avaliada também em nível nacional como "Vulnerável" (VU), de acordo com sua área de ocupação e declínio contínuo. A espécie ocorre no Parque Estadual do Rio Doce, no município Mariléria (MG) e também no município de Colatina (ES), áreas consideradas diretamente afetadas pela onda de rejeitos da barragem (MPF, 2017). Estudos recentes consideraram o impacto dos rejeitos nos ecossistemas hidrológicos e marinhos (Carmo et al., 2017), entretanto ainda não são conhecidos os efeitos da contaminação do solo por resíduos minerários e efeitos sob as espécies florestais (Guerra et al., 2017). Além disso, a perda de habitat no raio do desastre atingiu mais de 1000 ha de florestas semidecíduas (Soares et al., 2017). Portanto, recomenda-se pesquisa (sobre tamanho e tendências populacionais após o desastre) e monitoramento das subpopulações, bem como o manejo do habitas potenciais da espécie, restauração das áreas atingidas e estabelecimento de um programa de conservação ex situ.

Último avistamento: 2018
Quantidade de locations: 9
Possivelmente extinta? Não
Razão para reavaliação? Other
Justificativa para reavaliação:

A espécie foi avaliada como "Vulnerável" (VU) à extinção na lista vermelha da IUCN (Pires O'Brien, 1998). Posteriormente, avaliada pelo CNCFlora/JBRJ em 2013 (Martinelli e Moraes, 2013) e consta como "Em perigo de extinção" (EN) na Portaria MMA 443/2014 (MMA, 2014), sendo então necessário que tenha seu estado de conservação reavaliado após cinco anos da última avaliação.

Houve mudança de categoria: Sim
Histórico:
Ano da valiação Categoria
2012 EN

Perfil da espécie:

Obra princeps:

Descrita em: Pennington, T., 1981. Flora Neotropica, Monograph 28: 185–187, f. 38, map 37.

Valor econômico:

Potencial valor econômico: Desconhecido
Detalhes: Não é conhecido o valor econômico da espécie.

População:

Detalhes: Não existem dados sobre a população. Porém considerou-se que a espécie é "conhecida de poucas coleções" (Pires O'Brien, 1998).

Ecologia:

Substrato: terrestrial
Forma de vida: tree
Biomas: Mata Atlântica
Vegetação: Floresta Ombrófila (Floresta Pluvial)
Fitofisionomia: Floresta Estacional Semidecidual, Floresta Ombrófila Densa
Habitats: 1.5 Subtropical/Tropical Dry Forest, 1.6 Subtropical/Tropical Moist Lowland Forest
Detalhes: Árvores de até 10 m de altura (Santos 912), ocorrendo nos domínios da Mata Atlântica (Flora do Brasil 2020 em construção, 2019), especificamente em interior de mata (Magnago et al. 788)
Referências:
  1. Meliaceae in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro.Disponível em: <http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB10008>. Acesso em: 28 Mai. 2019

Reprodução:

Detalhes: A espécie foi coletada com flores por longo período, tendo sido registrado em Março, Abril, Junho, Setembro e Novembro (Pennington, 1981 apud CNCFlora 2012.2).
Fenologia: flowering (Mar~Nov)
Referências:
  1. CNCFlora. Trichilia magnifoliola in Lista Vermelha da flora brasileira versão 2012.2 Centro Nacional de Conservação da Flora. Disponível em <http://cncflora.jbrj.gov.br/portal/pt-br/profile/Trichilia magnifoliola>. Acesso em 28 maio 2019.
  2. Pennington, T. D. Flora Neotropica: Meliaceae. Monograph 28. New York, NY: New York Botanical Garden, 1981. 470 p.

Ameaças (4):

Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.1 Ecosystem conversion 5.3 Logging & wood harvesting habitat past,present,future national very high
Destruição da floresta é uma ameaça severa e contínua (Pires O'Brien, 1998). O mais atualizado Atlas da Mata Atlântica (SOS Mata Atlântica e INPE, 2019) indica que restam 16,2 milhões de hectares de florestas nativas mais preservadas acima de 3 hectares na Mata Atlântica, o equivalente a 12,4% da área original do bioma. O desmatamento da Mata Atlântica entre 2017 e 2018 caiu 9,3% em relação ao período anterior (2016-2017), que por sua vez já tinha sido o menor desmatamento registrado pela série histórica do Atlas da Mata Atlântica, iniciativa da Fundação SOS Mata Atlântica e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que monitora o bioma desde 1985. Além disso, foi verificado aumento do número de estados no nível do desmatamento zero, de 7 para 9, sendo que outros 3 estão bem próximos. Dos 17 estados, nove estão no nível do desmatamento zero, com desflorestamentos abaixo de 100 hectares, ou 1 Km². São eles: Ceará (7 ha), Alagoas (8 ha), Rio Grande do Norte (13 ha), Rio de Janeiro (18 ha), Espírito Santo (19 ha), Paraíba (33 ha), Pernambuco (90 ha), São Paulo (96 ha) e Sergipe (98 ha). Outros três estados estão a caminho desse índice: Mato Grosso do Sul (140 ha), Rio Grande do Sul (171 ha) e Goiás (289 ha). Apesar dos resultados positivos, cinco estados ainda mantém índices inaceitáveis de desmatamento: Minas Gerais (3.379 ha), Paraná (2.049 ha), Piauí (2.100 ha), Bahia (1.985 ha) e Santa Catarina (905 ha), incluindo portanto dois estados em que a espécie ocorre (MG, BA) O relatório aponta que no último ano foram destruídos 11.399 hectares (ha), ou 113 Km², de áreas de Mata Atlântica acima de 3 hectares nos 17 estados do bioma. No ano anterior, o desmatamento tinha sido de 12.562 hectares (125 Km²).
Referências:
  1. Fundação SOS Mata Atlântica e INPE, 2019. Atlas dos remanescentes florestais da Mata Atlântica. Período 2017- 2018. Relatório Técnico, São Paulo. 35p.
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.1 Ecosystem conversion 3.2 Mining & quarrying locality,habitat,occupancy,occurrence past,present,future regional high
A espécie ocorre na região do Vale do Rio Doce, incluindo registro no Parque Estadual Rio Doce (município de Marliérioa) atingida pelo desastre ambiental provocado pelo rompimento da barragem Fundão de resíduos de minério, ocorrido em 2015 (MPF, 2017; Soares et al, 2017). No maior desastre da história da mineração, foram diretamente destruídos mais de 1400 ha de floresta semidecidual (Soares et al., 2017)
Referências:
  1. Soares, F.L.S., Rodrigues, Oliveira, M.A., Machado, A.R.T., Almeida, N.C. de, Duarte, N.A., 2017. Análise multitemporal da área afetada pós- rompimento da barragem de fundão e caracterização do rejeito de minério de ferro, in: ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Ed.), Congresso Da ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental.
  2. Ministério Público Federal, 2017. Denúncia Apresentada contra mineradora SAMARCO pelo desastre ambiental provocado pelo rompimento da barragem Fundão, Autos do Processo de Denúncia. Disponível em: http://www.mpf.mp.br/mg/sala-de-imprensa/docs/denuncia-samarco (acesso em 28 de maio 2019).
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.1 Ecosystem conversion 2.3 Livestock farming & ranching locality,habitat,occupancy,occurrence past,present,future regional high
O município Rio Casca com 38.436 ha tem 60% (23.290 ha) de sua área convertida em pastagem (Lapig, 2019). O município de Itamaraju tem 51,5% de seu território (121.781ha) transformado em pastagem (Lapig, 2019). O município de Viçosa com 29942 ha tem 51% de seu território (15321 ha) transformados em pastagem (Lapig, 2018). O município de Cachoeiro de Itapemirim com 87818 ha tem 48% de seu território (41718 ha) convertidos em pastagens (Lapig, 2018). O município de Guaratinga, com cerca de 218.972 ha, contém 38,27% de sua área convertida em pastagens (Lapig, 2018). O município de Eunápolis com 142.595 ha tem 35% de seu território (50.615 ha) convertidos em pastagem Lapig, 2018). O município de Santa Leopoldina (ES), com cerca de 71.809 ha, contém 17,4% de sua área convertida em pastagens (Lapig, 2018).
Referências:
  1. Lapig, 2019. Itamaraju - Bahia. maps.lapig.iesa.ufg.br/lapig.html (acesso em 28 de maio 2019).
  2. Lapig, 2019. Guaratinga - Bahia. maps.lapig.iesa.ufg.br/lapig.html (acesso em 28 de maio 2019).
  3. Lapig, 2019. Eunápolis - Bahia. maps.lapig.iesa.ufg.br/lapig.html (acesso em 28 de maio 2019).
  4. Lapig, 2019. Santa Leopoldina - Bahia. maps.lapig.iesa.ufg.br/lapig.html (acesso em 28 de maio 2019).
  5. Lapig, 2018. Viçosa - Minas Gerais. http://maps.Lapig.iesa.ufg.br/Lapig.html (acesso em 28 de novembro 2018).
  6. Lapig, 2018. Cachoeiro do Itapemirim - Espírito Santo. http://maps.Lapig.iesa.ufg.br/Lapig.html (acesso em 28 de novembro 2018).
  7. Lapig, 2019. Rio Casca - Minas Gerais. maps.lapig.iesa.ufg.br/lapig.html (acesso em 28 de maio 2019).
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.1 Ecosystem conversion 5.3 Logging & wood harvesting habitat,locality,occupancy,occurrence past,present,future regional very high
Segundo Oliveira et al. (2008) as cabrucas foram descaracterizadas e os fragmentos florestais foram perturbados para o cultivo do cacau na região sul da Bahia (que inclui o município de Itamaraju) devido ao desmatamento, e pelo elevado grau de fragmentação e perturbação da cobertura vegetal. A redução do preço do cacau aliado ao ataque da praga da vassoura de bruxa, levou os produtores a realizarem o corte e espécies arbóreas para exploração da madeira, ou substituição das áreas de cabruca por cultivos de café ou pastagens extensivas para criação de gado (Alger & Caldas, 1996). Os remanescentes florestais do Sul da Bahia estão fortemente ameaçados, além da grave crise da cultura do cacau, estes remanescentes também sofrem impactos da atividade de pecuária extensiva, café, pupunha e exploração madeireira. (Araujo & Rocha, 1998)
Referências:
  1. Oliveira, R.M. et al. 2008. Status de conservação de dez árvores endêmicas da Floresta Atlântica do sul da Bahia-Brasil. Natureza & Conservação, 6 (1) - 90-108.
  2. Alger, K., Caldas, M. 1996. Cacau na Bahia. Decadência e ameaça à Mata Atlântica. Ciência Hoje. 117:28-35.
  3. Araujo, M., Alger, K., & Rocha, R. 1998. Mata Atlântica do sul da Bahia: situação atual, ações e perspectivas. In Mata Atlantica do sul da Bahia: situacao atual, acoes e perspectivas. Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Mata Atlantica.

Ações de conservação (5):

Ação Situação
5.1.1 International level on going
Espécie avaliada como "Vulnerável" pela Lista vermelha IUCN (O´Brien, 1998).
Referências:
  1. Pires O'Brien, J. 1998. Trichilia magnifoliola. The IUCN Red List of Threatened Species 1998: e.T36101A9979121. http://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.1998.RLTS.T36101A9979121.en. Acesso em 28 maio 2019.
Ação Situação
5.1.2 National level on going
Espécie avaliada como "Em perigo" está incluída no ANEXO I da Lista Nacional Oficial de Espécies da Flora Ameaçadas de Extinção (MMA, 2014).
Referências:
  1. Ministério do Meio Ambiente (MMA). Portaria nº 443/2014. Anexo I. Lista Nacional Oficial de Espécies da Flora Ameaçadas de Extinção. Disponível em: http://dados.gov.br/dataset/portaria_443. Acesso em 14 de abril 2019.
Ação Situação
1.1 Site/area protection on going
A espécie foi registrada no PARQUE ESTADUAL DO RIO DOCE (PI).
Ação Situação
2.1 Site/area management needed
A espécie ocorre na região do Vale do Rio Doce atingida pelo desastre ambiental provocado pelo rompimento da barragem de rejeitos de minério (Barragem Fundão) no distrito de Bento Rodrigues, município de Mariana. A espécie ocorre no Parque Estadual do Rio Doce, no municípios Mariléria (MG) e também no município de Colatina (ES), que foram áreas consideradas diretamente afetadas pela onda de rejeitos da barragem (Ministério Publico Federal, 2017). Estudos recentes consideraram o impacto dos rejeitos nos ecossistemas hidrológicos e marinhos (Carmo et al., 2017), entretanto apesar de conhecido o impacto da perda de habitats no raio do desastre atingindo mais de 100 ha de florestas semidecíduas (Soares et al., 2017), ainda não são conhecidos os efeitos da contaminação do solo por resíduos minerários e efeitos sob as espécies florestais (Guerra et al., 2017). Portanto recomenda-se pesquisa sobre tamanho e tendencias populacionais após o desastre, verificando possíveis declínios de localidade de subpopulações, bem como o manejo do habitas potenciais da espécie e restauração das áreas atingidas.
Referências:
  1. Carmo, F.F. do, Hiromi, L., Kamino, Y., Tobias, R., Christina, I., Campos, D., Fonseca, F., Silvino, G., Junio, K., Castro, X. De, Leite, M., Uchoa, N., Rodrigues, A., Paulo, M., Miranda, D.S., Eduardo, C., Pinto, F., 2017. Fundão tailings dam failures : the environment tragedy of the largest technological disaster of Brazilian mining in global context. Perspect. Ecol. Conserv. 15, 145–151. https://doi.org/10.1016/j.pecon.2017.06.002
  2. Soares, F.L.S., Rodrigues, Oliveira, M.A., Machado, A.R.T., Almeida, N.C. de, Duarte, N.A., 2017. Análise multitemporal da área afetada pós- rompimento da barragem de fundão e caracterização do rejeito de minério de ferro, in: ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Ed.), Congresso Da ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental.
  3. Guerra, M.B.B., Teaney, B.T., Mount, B.J., Asunskis, D.J., Jordan, B.T., Barker, R.J., Santos, E.E., Schaefer, C.E.G.R., 2017. Post-catastrophe Analysis of the Fundão Tailings Dam Failure in the Doce River System , Southeast Brazil : Potentially Toxic Elements in Affected Soils. Water Air Soil Pollut 228, 252. https://doi.org/10.1007/s11270-017-3430-5
  4. Ministério Público Federal, 2017. Denúncia Apresentada contra mineradora SAMARCO pelo desastre ambiental provocado pelo rompimento da barragem Fundão, Autos do Processo de Denúncia. Disponível em: http://www.mpf.mp.br/mg/sala-de-imprensa/docs/denuncia-samarco (acesso em 28 de maio 2019).
Ação Situação
5.1.2 National level needed
A espécie ocorre em dois territórios que serão contemplados por Planos de Ação Nacional (PAN) Territorial, no âmbito do projeto GEF pró-espécies: todos contra a extinção : Território Espírito Santo - 33 (ES) e Território CentroMinas - 10 (MG).

Ações de conservação (1):

Uso Proveniência Recurso
17. Unknown
Não existem dados sobre usos efetivos ou potenciais.