MELIACEAE

Swietenia macrophylla King

VU

EOO:

4.584.974,171 Km2

AOO:

84,00 Km2

Endêmica do Brasil:

Detalhes:

Uma espécie com ampla distribuição neotropical, desde o Norte do Estado de Vera Cruz de Yucatán no México, e ao longo da encosta atlântica da América Central a Venezuela e Brasil. Também ocorre na Colômbia, Peru, Bolívia e Equador (Neotropical Herbarium Specimens; Tropicos.org; Pennington, 1981). No Brasil, ocorre nas regiões Norte (Pará, Amazonas, Acre, Rondônia), Nordeste (Bahia), Centro-Oeste (Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal), Sudeste (Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Rio de Janeiro) e Sul (Paraná) (Sakuragui; Stefano; Calazans, 2012). A ocorrência de mogno fora dos limites de distribuição naturais se justifica na adaptação a ambientes mésicos da América Central e do Sul e pelo alto interesse em sua madeira nobre que favorecem seu cultivo em muitas regiões tropicais (Newton et al., 2003)

Avaliação de risco:

Ano de avaliação: 2012
Avaliador: Pablo Viany Prieto
Revisor: Miguel d'Avila de Moraes
Critério: A2cd
Categoria: VU
Justificativa:

<i>Swietenia macrophylla</i> é atualmente a espécie madeireira mais valiosa e explorada do Brasil, já tendo sido extraída de forma predatória até mesmo em alguns locais remotos da Amazônia. A espécie apresenta baixas densidades populacionais, e sua distribuição coincide em grande parte com a região em que se concentram as mais altas taxas de desmatamento da Amazônia brasileira. Devido a esses fatores, suspeita-se que ao longo das últimas três gerações a população da espécie tenha declinado no mínimo em 30%.

Perfil da espécie:

Obra princeps:

Nome popular: mogno (Sakuragui; Stefano; Calazans, 2012). Swietenia Jacq. é um gênero de sementes aladas e fruto tipo cápsula septífraga (Swietenioideae) (Pennington et al., 1981). Nesta subfamília, Swietenia, Cedrela e Carapa ocorrem no Brasil (Sakuragui, Stefano; Calazans, 2012). O mogno S. macrophylla é uma árvore de folha caduca emergente e tem uma madeira dura. a revisão taxonômica mais importante e recente foi descrita por Pennington (1981). É interessante notar que esta espécie foi descrita pela primeira vez a partir de árvores coletadas na Índia, a qual está além das fronteiras naturais da espécie na América Latina. As quatro espécies descritas para a América Central e do Sul baseiam-se me pequenas diferenças de comprimento dos pecíolos e da forma e tamanho de folíolos. Mas sem razões para o status de variedade, foram sinonimizadas em S. macrophylla (Pennington, 1981).

Valor econômico:

Potencial valor econômico: Sim
Detalhes: ​É talvez a madeira mais valiosa de toda a América Latina (Pennington, 1981).

População:

Flutuação extrema: Sim
Detalhes: Em uma área de manejo florestal no sudeste do Pará, Grogan et al. (2010) mediram o crescimento e reprodução das árvores de mogno espalhadas por uma grande clareira aberta após a remoção da floresta e em clareira fortemente perturbada pelo corte seletivo de madeira e desbaste de copa. Muitas vezes o mogno é mantido após a supressão da floresta em áreas agrícolas e pastagens para produção de sementes e madeira. Eles descobriram que as árvores na clareira aberta morreram em taxas mais rápidas, cresceram mais lentamente e produziram menos frutos, embora a floração tenha se iniciado mais cedo, em média, do que as árvores da floresta explorada. A principal causa da mortalidade e danos causados nos troncos foram devidos ao "fogo de chão" na estação seca. Árvores de mogno em floresta explorada cresceram mais rapidamente do que floresta não perturbada, provavelmente devido a eliminação de cipós e lianas com a queima do "fogo de chão". Sem uma regulamentação eficaz no controle dos incêndios antropogênicos, as tentativas para a manejar as árvores remanescentes de mogno para a produção de madeira futuros ou para a restauração de populações comercialmente viáveis nesta região pode revelar-se inútil (Grogan et al., 2010). Barros et al. (1992) apud Newton et al. (2003) estimaram uma densidade média entre 0,2 a 0,6 m³/hectare para áreas de baixa a alta densidade, em sua ocorrência natural. No Acre, um inventário realizado em 1.847 hectares só foram encontrados 11 árvores de mogno (Ramalho, 2007). No sudeste do estado do Pará, a densidade foi estimada em 3 indivíduos por hectare, com DAP maior ou igual a 10 cm, com medições anteriores ao corte seletivo (Veríssimo et al., 1995 apud Grogan et al., 2002; Baima, 2001; Grogan, 2001). Fora dessas regiões as densidades são (ou eram, antes do corte) muito mais baixa, na ordem de uma árvore em 5 a 20 hectares (Grogan et al., 2002). Medidas de diferenciação genética indicam que existem diferenças significativas entre a maioria das populações e fornecem evidências de forte estrutura filogeográfica (Novick et al., 2003; Lemes et al., 2010).

Ecologia:

Biomas: Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica
Fitofisionomia: Cerrado (lato sensu), Floresta de Terra-Firme, Floresta de Várzea, Floresta Estacional Semidecidual, Floresta Ombrófila (= Floresta Pluvial) (Sakuragui;, Stefano; Calazans, 2012).
Detalhes: Árvores 35 a 40 m alt, podendo alcançar 55 ou 60 m e até 2m de diâmetro do tronco. Flores unissexuais (Penington, 1981), de copa grande, decídua e emergente, encontrada em toda a floresta tropical úmida e seca (Newton et al., 2003). Ocorre em florestas primárias e florestas secundárias tardias. Na floresta ombrófila densa e aberta da Amazônia e nos enclaves do Tocantins. Uma importante revisão das características ecológicas e silviculturais em mogno foi conduzida por Ramalho (2007). Tolera o mínimo de 1200 mm de precipitação anual e uma temperatura mínima de 6ºC. Suporta solos profundos mal drenados, solos argilosos ácidos e pantanosos, mesmo bem drenados em solos alcalinos (Ramalho, 2007). Em condições apropriadas de armazenamento (frio, 8 a 10ºC e 55 a 60% Umidade Relativa) as sementes em nove meses tem sua viabilidade reduzida em cerca de 16% (Lee; Garcia, 1997). Assim como em Cedrela fissilis, o mogno é vulnerável ao ataque de Hypsipyla grandella (nas Américas) e H. robusta (na Ásia) (Ramalho, 2007), as larvas se alimentam do meristema apical podendo diminuir a densidade populacional, especialmente em populações cultivadas em que a densidade é superior a encontrada na natureza, inclusive em viveiros de mudas. O valor comercial é reduzido em plantas infectadas pois causa bifurcação no caule (Gallo et al., 2002).

Ameaças (1):

Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.3.3.2 Selective logging very high
S. macrophylla é uma das espécies de mogno mais comercializada, embora em escala comercial apenas tenha surgido na década de 1850, devido ao declínio acentuado S. mahagoni. Atualmente há poucos incentivos na conjuntura econômica para manejo de populações naturais de forma sustentável e plantações não têm apresentados sucessos devido ao longo tempo para colheita e por causa do ataque de pragas, sobretudo a praga-do-cedro (Newton et al., 2003). No Brasil, a exploração de mogno tem sido frequentemente associada com práticas predatórias e ilegais pelas madeireiras. Mogno está ameaçado em toda sua extensão na América do Sul, resultante da sobre-explotação e destruição do habitat, que claramente tem reduzido o tamanho de populações locais levando muitas a extinção. A extração da espécie tem sida tão intensa na região de ocorrência que a diversidade genética das populações remanescentes pode estar muito comprometida por deriva genética e endogamia (Lemes et al., 2003; Novick et al., 2003 ; Lemes et al., 2010).

Ações de conservação (4):

Ação Situação
1.2.1.3 Sub-national level on going
Vulnerável. Listavermelha da flora do Pará (COEMA-PA, 2007).
Ação Situação
1.2.1.2 National level on going
Ameaçada. Listavermelha da flora do Brasil (MMA, 2008), anexo 1.
Ação Situação
1.2.1.1 International level on going
Vulnerável. A1cd+2cd. Lista vermelha IUCN 2011 (World Conservation Monitoring Centre, 1998)
Ação Situação
1.2.1.1 International level on going
Incluída no apêndice II da CITES (2002).