Malvaceae

Sterculia excelsa Mart.

LC

EOO:

5.241.568,872 Km2

AOO:

232,00 Km2

Endêmica do Brasil:

Sim

Detalhes:

Espécie endêmica do Brasil (Flora do Brasil 2020 em construção, 2018), com ocorrência no estado: ACRE, município de Xapuri (Ferreira 101456a); AMAPÁ (Fróes 27553); AMAZONAS, município de Canutama (Prata 375), Envira (Krukoff 4808), Labrea (Ducke 2028), Manaus (Rodrigues 5412), Presidente Figueiredo (Prance 24296), Rio Preto da Eva (Oliveira 73), São Paulo de Olivença (Krukoff 8625); BAHIA, município de Arataca (Lombardi 7159), Buerarema (Mori 13767), Camacan (Rocha 1123), Entre Rios (Guedes s.n.), Ilhéus (Carvalho 4849), Itacaré (Santos 1058), Itamari (Oliveira 594), Porto Seguro (Eupunino 31), Santa Cruz Cabrália (Santos 124), Una (Sant'Ana 819), Uruçuca (Pinheiro 1635); ESPÍRITO SANTO, município de Conceição da Barra (Mattos s.n.), Linhares (Silva 188); MATO GROSSO, município de Alta Floresta (Cabral 86), Barra do Bugres (Dubs 2481), Colíder (Sardelli s.n.), Itaúba (Oliveira s.n.), Tangara da Serra (Hatschbach 62569); PARÁ, município de Altamira (Dias 102), Anajás (Beck 491), Belém (Pires 51835), Belterra (Barbosa 538), Moju (Cruz 755), Parauapebas (Maciel 760), Placas (Oliveira 1409), Prainha (Barbosa 1567), Rurópolis (Barbosa 355), Santarém (Silva 2465), Tucurui (Silva 1493); RONDÔNIA, município de Jamari (Vieira 260); RORAIMA, município de Amajari, (Prance 4526).

Avaliação de risco:

Ano de avaliação: 2018
Avaliador: Eduardo Fernandez
Revisor: Eduardo Amorim
Categoria: LC
Justificativa:

Árvore de até 20 m endêmica do Brasil (Flora do Brasil 2020 em construção, 2018). Popularmente conhecida como tacazeiro, foi coletada múltiplas fitofisionomias associadas aos Domínios Geográficos Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica nos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Rondônia e Roraima. Apresenta distribuição muito ampla, EOO=4289987 km², presença frequente em herbários e em diversas tipologias vegetacionais e ocorrência confirmada dentro dos limites de Unidades de Conservação de distintas esferas administrativas e níveis de proteção. Sua população é abundante nos locais onde ocorre (Sambuichi, 2006; Marimon et al., 2002), e aparentemente, encontra-se livre da incidência de ameaças diretas ou outros usos que afetem sua perpetuação (Brito et al., 2011). Assim, a espécie foi considerada de Menor Preocupação (LC) neste momento. Estudos específicos sobre sua distribuição, números e tendências populacionais e impacto de vetores de stress devem ser conduzidos a fim de subsidiar uma avaliação de risco de extinção robusta no futuro e evitar assim sua inclusão em categoria de ameaça mais restritiva.

Possivelmente extinta? Não

Perfil da espécie:

Obra princeps:

Descrita em: Flora 24: 40. 1841. Popularmente conhecida por tacazeiro (Brito et al., 2011).

Valor econômico:

Potencial valor econômico: Sim
Detalhes: Segundo (Brito et al., 2011), a espécie possui potencial de usos de recursos não madeireiros.

População:

Detalhes: A espécie foi registrada com 12 e 6 indivíduos com diâmetro maior ou igual a 10 cm, nos censos realizados nos anos de 1998 e 2005, em uma área de cabruca em Ilhéus, na Bahia (Sambuichi, 2006). Em Nova Xavantina, no Mato Grosso, Marimon et al. (2002) registraram uma densidade absoluta de 10.6 indivíduos da espécie, com diâmetro maior ou igual a 5 cm em 1.41 ha de cerrado amostrado.
Referências:
  1. Sambuichi, R.H.R., 2006. Estrutura e dinâmica do componente arbóreo em área de cabruca na região cacaueira do sul da Bahia, Brasil. Acta Bot. Brasilica 20, 943–954.
  2. Marimon, B.S., Felfili, J.M., Lima, E.S., 2002. Floristics and phytosociology of the gallery forest of the Bacaba Stream, Nova Xavantina, Mato Grosso, Brazil. Edinburgh J. Bot. 59, 303–318.

Ecologia:

Substrato: terrestrial
Forma de vida: tree
Fenologia: perenifolia
Longevidade: perennial
Biomas: Amazônia, Mata Atlântica
Vegetação: Cerrado (lato sensu), Floresta de Terra-Firme, Floresta Ombrófila (Floresta Pluvial)
Habitats: 1.6 Subtropical/Tropical Moist Lowland Forest
Clone: unkown
Rebrotar: unkown
Detalhes: Árvores de 10-20 m de altura (Taroda, 1980), com ocorrência na Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica (Flora do Brasil 2020 em construção, 2018).
Referências:
  1. Sterculia in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro.Disponível em: <http://reflora.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB23606>. Acesso em: 24 Out. 2018
  2. Taroda, N., 1980. O gênero Sterculia L. no Brasil; revisão taxonômica e aspectos da biologia da reprodução. Dissertação de Mestrado. Universidade Estadual de Campinas. 117 p.

Reprodução:

Detalhes: A espécie foi coletada em estado reprodutivo ao longo do ano.
Fenologia: flowering (Jan~Dec), fruiting (Jan~Dec)
Estratégia: iteropara
Sistema sexual: monoecious
Sistema: unkown
Referências:
  1. Taroda, N., 1980. O gênero Sterculia L. no Brasil; revisão taxonômica e aspectos da biologia da reprodução. Dissertação de Mestrado. Universidade Estadual de Campinas. 117 p.

Ameaças (4):

Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.1 Ecosystem conversion 2.1 Annual & perennial non-timber crops habitat,mature individuals past,present,future national very high
Segundo Fearnside (2001), a soja é muito mais prejudicial do que outras culturas, porque justifica projetos de infraestrutura de transporte maciço que desencadeia outros eventos que levam à destruição de habitats naturais em vastas áreas, além do que já é diretamente usado para o seu cultivo. A produção de soja é uma das principais forças econômicas que impulsionam a expansão da fronteira agrícola na Amazônia brasileira (Vera-Diaz et al., 2008). Um conjunto de fatores que influenciou o mercado nacional e internacional, por meio de um processo de globalização, combinado com a crescente demanda por soja, baixos preços das terras e melhor infraestrutura de transporte do sudeste da Amazônia levou grandes empresas de soja a investir em instalações de armazenamento e processamento na região e, consequentemente, acelerou a taxa na qual a agricultura está substituindo as florestas nativas (Nepstad et al., 2006; Vera-Diaz et al., 2008).Nas florestas litorâneas atlânticas dos estados da Bahia e Espírito Santo, cerca de 4% da produção mundial de cacau (Theobroma cacao L.) e 75% da produção brasileira é obtida no que é chamado localmente de "sistemas de cabruca". Neste tipo especial de agrossilvicultura o sub-bosque é drasticamente suprimido para dar lugar a cacaueiros e a densidade de árvores que atingem o dossel é significativamente reduzida (Rolim e Chiarello, 2004). De acordo com Rolim e Chiarello (2004) os resultados do seu estudo mostram que a sobrevivência a longo prazo de árvores nativas sob sistemas de cabruca estão sob ameaça se as atuais práticas de manejo continuarem, principalmente devido a severas reduções na diversidade de árvores e desequilíbrios de regeneração.
Referências:
  1. Fearnside, P.M., 2001. Soybean cultivation as a threat to the environment in Brazil. Environ. Conserv. 28, 23–38.
  2. Vera-Diaz, M. del C., Kaufmann, R.K., Nepstad, D.C., Schlesinger, P., 2008. An interdisciplinary model of soybean yield in the Amazon Basin: the climatic, edaphic, and economic determinants. Ecol. Econ. 65, 420–431.
  3. Nepstad, D.C., Stickler, C.M., Almeida, O.T., 2006. Globalization of the Amazon soy and beef industries: opportunities for conservation. Conserv. Biol. 20, 1595–1603.
  4. Rolim, S.G., Chiarello, A.G., 2004. Slow death of Atlantic forest trees in cocoa agroforestry in southeastern Brazil. Biodivers. Conserv. 13, 2679–2694.
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.1 Ecosystem conversion 2.3 Livestock farming & ranching habitat,mature individuals past,present,future national very high
A floresta amazônica perdeu 17% de sua cobertura florestal original, 4,7% somente entre 2000 e 2013, principalmente devido à atividades oriundas da agroindústria, pecuária extensiva, infraestrutura rodoviárias e hidrelétricas, mineração e exploração madeireira (Charity et al., 2016). O aumento do desmatamento entre 2002-2004 foi, principalmente, resultado do crescimento do rebanho bovino, que cresceu 11% ao ano de 1997 até o nível de 33 milhões em 2004, incluindo apenas aqueles municípios da Amazônia com florestas de dossel fechado compreendendo pelo menos 50% de sua vegetação nativa. A indústria pecuária da Amazônia, responsável por mais de dois terços do desmatamento anual, esteve temporariamente fora do mercado internacional devido a presença de febre aftosa na região. Talvez a mudança mais importante que fortaleceu o papel dos mercados na promoção da expansão da indústria pecuária na Amazônia foi o status de livre de febre aftosa conferido a uma grande região florestal (1,5 milhão de km²) no sul da Amazônia (Nepstad et al., 2006).
Referências:
  1. Charity, S., Dudley, N., Oliveira, D. and Stolton, S. (editors), 2016. Living Amazon Report 2016: A regional approach to conservation in the Amazon. WWF Living Amazon Initiative, Brasília and Quito.
  2. Nepstad, D.C., Stickler, C.M., Almeida, O.T., 2006. Globalization of the Amazon soy and beef industries: opportunities for conservation. Conserv. Biol. 20, 1595–1603.
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.1 Ecosystem conversion 2.2 Wood & pulp plantations habitat,mature individuals past,present,future national very high
As florestas plantadas de Eucalyptus spp. estão distribuídas estrategicamente, em sua maioria, nos estados de Minas Gerais, com maior área plantada, São Paulo, Bahia, Espírito Santo e Rio Grande do Sul (Baesso et al., 2010). Monoculturas florestais com Eucalyptus spp., ocupando 4,85% da paisagem, é o principal uso do solo identificado na Região Extremo Sul da Bahia, decorrente do estabelecimento de grandes empresas reflorestadoras nessa região (Landau, 2003).
Referências:
  1. Baesso, R.C.E., Ribeiro, A., Silva, M.P., 2010. Impacto das mudanças climáticas na produtividade do eucalipto na região norte do Espírito Santo e sul da Bahia. Ciência Florest. 20, 335–344.
  2. Landau, E.C., 2003. Padrões de ocupação espacial da paisagem na Mata Atlântica do sudeste da Bahia, Brasil, in: Prado, P.I., Landau, E.C., Moura, R.T., Pinto, L.P.S., Fonseca, G.A.B., Alger, K. (Orgs.), Corredor de biodiversidade da Mata Atlântica do sul da Bahia. IESB/CI/CABS/UFMG/UNICAMP, Ilhéus, p. 1–15.
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.2 Ecosystem degradation 5.3 Logging & wood harvesting mature individuals,habitat past,present,future national very high
A floresta amazônica perdeu 17% de sua cobertura florestal original, 4,7% somente entre 2000 e 2013, principalmente devido à atividades oriundas da agroindústria, pecuária extensiva, infraestrutura rodoviárias e hidrelétricas, mineração e exploração madeireira (Charity et al. 2016). Dados publicados recentemente (Fundação SOS Mata Atlântica e INPE, 2018) apontam para uma redução maior que 85% da área originalmente coberta com Mata Atlântica e ecossistemas associados no Brasil. De acordo com o relatório, cerca de 12,4% de vegetação original ainda resistem. Embora a taxa de desmatamento tenha diminuído nos últimos anos, ainda está em andamento, e a qualidade e extensão de áreas florestais encontram-se em declínio contínuo há pelo menos 30 anos (Fundação SOS Mata Atlântica e INPE, 2018).
Referências:
  1. Charity, S., Dudley, N., Oliveira, D. and Stolton, S. (editors), 2016. Living Amazon Report 2016: A regional approach to conservation in the Amazon. WWF Living Amazon Initiative, Brasília and Quito.
  2. Fundação SOS Mata Atlântica e INPE, 2018. Atlas dos remanescentes florestais da Mata Atlântica. Período 2016-2017. Relatório Técnico, São Paulo, 63p.

Ações de conservação (2):

Ação Situação
1 Land/water protection on going
A espécie foi registrada na Reserva Florestal Adolfo Ducke (Rodrigues 5412), Reserva Particular do Patrimônio Natural Serra Bonita (Rocha 1123), Reserva Particular do Patrimônio Natural Estação Veracel (Carvalho s.n.), Reserva Biológica de Una (Sant'Ana 819).
Ação Situação
3.4 Ex-situ conservation on going
A espécie é cultivada no Jardim Botânico do Rio de Janeiro (Carvalho s.n.).

Ações de conservação (1):

Uso Proveniência Recurso
16. Other natural
A espécie apresenta potencial para uso em construção, alimentação animal e humana, e artesanal (Brito et al., 2011).
Referências:
  1. Brito, W.R. de O., Oliveira, D.N., Scudeller, V. V., 2011. Potencial de uso dos recursos florestais não madeireiros no Baixo Rio Negro, in: Santos-Silva, E.N., Scudeller, V.V., Cavalcanti, M.J. (Orgs.), BioTupé: Meio Físico, Diversidade Biológica e Sociocultural do Baixo Rio Negro, Amazônia Central. Rizoma Editorial, Manaus, p. 99–122.