Anacardiaceae

Spondias bahiensis P. Carvalho, Van den Berg & M. Machado

EN

EOO:

102.877,137 Km2

AOO:

20,00 Km2

Endêmica do Brasil:

Sim

Detalhes:

Espécie endêmica do Brasil (Flora do Brasil 2020 em construção, 2020), com distribuição: no estado da Bahia — nos municípios Cruz das Almas, Mundo Novo e Pindobaçu —, e no estado de Pernambuco — nos municípios Arcoverde e Petrolina.

Avaliação de risco:

Ano de avaliação: 2020
Avaliador: Eduardo Amorim
Revisor: Eduardo Fernandez
Critério: B2ab(i,ii,iii,iv)
Categoria: EN
Justificativa:

Árvore com até 8 m de altura (Machado et al., 2015), endêmica do Brasil (Flora do Brasil 2020 em construção, 2020), com distribuição no estado da Bahia, municípios Cruz das Almas, Mundo Novo e Pindobaçu, e no estado de Pernambuco, municípios Arcoverde e Petrolina. Ocorre na Caatinga, em Floresta Estacional Semidecidual (Flora do Brasil 2020 em construção, 2020). Apresenta AOO= 20km² e cinco situações de ameaça. A partir de diversos incentivos governamentais, do crescente interesse na produção de biocombustíveis (Gauder et al., 2011) e da aplicação de novas técnicas de produção, dentre elas a irrigação e melhoramento de cultivares, o cultivo de cana-de açúcar passou a expandir sua área de cultivo (Ferreira-Junior et al., 2014). O município de Cruz das Almas (BA) possui 10,19% (1418ha) do seu território convertido em áreas de culturas agrícolas, segundo dados de 2018 (IBGE, 2020). A conversão do uso da terra para agropecuária é evidente no bioma Caatinga, sendo uma das principais fontes de renda e subsistência para os habitantes da Caatinga (Antongiovanni et al., 2018, Joly et al., 2019). Na Caatinga e em outras regiões semiáridas, o pastejo tem sido associado à compactação do solo, redução na sobrevivência de plântulas e mudas, consumo de biomassa de dossel, alteração da riqueza e composição das plantas (Marinho et al. 2016). Os municípios Arcoverde (PE), Cruz das Almas (BA), Mundo Novo (BA), Petrolina (PE) e Pindobaçu (BA) possuem, respectivamente, 37,7% (12189,9ha), 73,98% (10292,5ha), 47,82% (71347,1ha), 12,21% (55683,5ha) e 25,8% (12794,7ha) de seus territórios convertidos em áreas de pastagem, segundo dados de 2018 (Lapig, 2020). Diante o cenário de ameaças vigentes infere-se o declínio contínuo de extensão de ocorrência, área de ocupação, qualidade de habitat e situações de ameaça. Assim, Spondias bahiensis foi avaliada como Em Perigo (EN) de extinção. Recomendam-se ações de pesquisa (busca por novas áreas de ocorrência, censo e tendências populacionais, estudos de viabilidade populacional) e conservação (Planos de Ação, Conservação in situ e ex situ) urgentes a fim de se garantir sua perpetuação na natureza, pois as pressões verificadas ao longo de sua distribuição podem ampliar seu risco de extinção.

Último avistamento: 2019
Quantidade de locations: 5
Possivelmente extinta? Não

Perfil da espécie:

Obra princeps:

Descrita em: Neodiversity 8, 32, 2015. É afim de Spondias tuberosa Arruda, mas difere por estatura (4-8 m em S. bahiensis versus 3-5m em altura em S. tuberosa), padrão de ramificação (copa mais aberta versus densa, torta padrão de ramificação), margem do folheto na base (curvado em direção à superfície abaxial versus plana), tricomas na lâmina do folheto (ausente versus presente), número de veias secundárias (10 15 pares versus 8-12 pares) venação secundária relevo na superfície abaxial (proeminente versus plana), estilos desenvolvendo-se em protuberâncias em a fruta (presente versus ausente), lenticelas em superfície do fruto (presente versus ausente), endocarpo superfície (estriada superficialmente versus lisa), forma do endocarpo em seção transversal (elíptico para redondo versus oblongo), e projeções espinhosas em ambas as extremidades distal e proximal de endocarpo (presente versus ausente). Popularmente conhecida como umbu­-cajá (Machado et al., 2015).

Valor econômico:

Potencial valor econômico: Desconhecido
Detalhes: Não é conhecido valor econômico da espécie.

População:

Flutuação extrema: Desconhecido
Detalhes: Não existem dados populacionais.

Ecologia:

Substrato: terrestrial
Forma de vida: tree
Longevidade: perennial
Biomas: Caatinga
Vegetação: Floresta Estacional Semidecidual
Habitats: 1.5 Subtropical/Tropical Dry Forest
Detalhes: Árvore com até 8 m de altura (Machado et al., 2015). Ocorre na Caatinga, em Floresta Estacional Semidecidual (Flora do Brasil 2020 em construção, 2020).
Referências:
  1. Machado, M.C., Carvalho, P.C.L., van den Berg, C., 2015. Domestication, hybridization, speciation, and the origins of an economically important tree crop of Spondias (Anacardiaceae) from the Brazilian Caatinga dry forest. Neodiversity 8, 8–49. https://doi.org/10.13102/neod.81.2
  2. Flora do Brasil 2020 em construção, 2020. Spondias. Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. URL http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB602564 (acesso em 09 de outubro de 2020)

Ameaças (5):

Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.1 Ecosystem conversion 2.1.3 Agro-industry farming habitat past,present,future national very high
Tradicionalmente, a região Nordeste destacava-se pela produção de cana-de-açúcar cultivada sobre a Caatinga (Kohlhepp, 2010). Apesar disso, a região não apresentava bons níveis de produtividade devido as suas condições ambientais (Kohlhepp, 2010, Waldheim et al., 2006). A partir de diversos incentivos governamentais, do crescente interesse na produção de biocombustíveis (Gauder et al., 2011, Kohlhepp, 2010, Koizumi, 2014, Loarie et al., 2011) e da aplicação de novas técnicas de produção, dentre elas a irrigação e melhoramento de cultivares, o cultivo de cana-de açúcar passou a expandir sua área de cultivo (Costa et al., 2011, Ferreira-Junior et al., 2014, Loarie et al., 2011, Silva et al., 2012). Similarmente, a região destaca-se na produção de algodão (Borém et al., 2003, Vidal-Neto e Freire, 2013), frutas (Vidal e Ximenes, 2016) e, nas últimas décadas, o cultivo de soja tem expandido (Sanches et al., 2005).
Referências:
  1. Vidal, M. de F., Ximenes, L.J.F., 2016. Comportamento recente da fruticultura nordestina : área , valor da produção e comercialização. Cad. Setorial ETENE 1, 18–26.
  2. Koizumi, T., 2014. Biofuels and Food Security in Brazil, in: Koizumi, T. (Ed.), Biofuels and Food Security. Springer, Heidelberg New York Dordrecht London, pp. 13–30. URL https://doi.org/10.1007/978-3-319-05645-6_2
  3. Ferreira Junior, R.A., Souza, J.L. de, Escobedo, J.F., Teodoro, I., Lyra, G.B., Araújo Neto, R.A. de, 2014. Cana-de-açúcar com irrigação por gotejamento em dois espaçamentos entrelinhas de plantio. Rev. Bras. Eng. Agrícola e Ambient. 18, 798–804. URL https://doi.org/10.1590/1807-1929/agriambi.v18n08p798-804
  4. Vidal, C., Freire, E.C., 2013. Melhoramento genético do algodoeiro, in: Vidal-Neto, F. das C., Cavalcanti, J.J.V. (Eds.), Melhoramento Genético de Plantas No Nordeste. Embrapa, Brasília, pp. 49–83.
  5. Freire Da Silva, T.G., Soelma, M., De Moura, B., Zolnier, S., Alves Do Carmo, F., Sandra, L., De Souza, B., 2012. Biometria da parte aérea da cana soca irrigada no Submédio do Vale do São Francisco. Rev. Ciência Agronômica 43, 500–509.
  6. Loarie, S.R., Lobell, D.B., Asner, G.P., Mu, Q., Field, C.B., 2011. Direct impacts on local climate of sugar-cane expansion in Brazil. Nat. Clim. Chang. 1, 105–109. URL https://doi.org/10.1038/nclimate1067
  7. Gauder, M., Graeff-Hönninger, S., Claupein, W., 2011. The impact of a growing bioethanol industry on food production in Brazil. Appl. Energy 88, 672–679. URL https://doi.org/10.1016/j.apenergy.2010.08.020
  8. Costa, C.T.S., Ferreira, V.M., Endres, L., Ferreira, D.T. da R.G., Gonçalves, E.R., 2011. Crescimento e produtividade de quatro variedades de cana-de-açúcar no quarto ciclo de cultivo. Rev. Caatinga 24, 56–63.
  9. Kohlhepp, G., 2010. Análise da situação da produção de etanol e biodiesel no Brasil. Estud. Avançados 24, 223–253. URL https://doi.org/10.1590/S0103-40142010000100017
  10. Waldheim, P.V., Carvalho, V.S.B., França, Correa, E., Almeida, J.R. de, 2006. Zoneamento climático da cana-de-açúcar, da laranja e do algodão herbáceo para a região Nordeste do Brasil. Anuário do Inst. Geociências UFRJ 29, 30–43.
  11. Sanches, A.C., Michellon, E., Roessing, A.C., 2007. Os limites de expansão da soja. Inf. GEPEC 9, 1–21.
  12. Borém, A., Freire, E.C., Penna, J.C.V., Barroso, P.A.V., 2003. Considerations about cotton gene escape in Brazil: a review. Crop. Breed. Appl. Biotechnol. 3, 315–332. URL https://doi.org/10.12702/1984-7033.v03n04a13
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.1 Ecosystem conversion 2.1.4 Scale Unknown/Unrecorded habitat past,present,future regional low
O município de Cruz das Almas (BA) possui 10,19% (1418ha) do seu território convertido em áreas de culturas agrícolas, segundo dados de 2018 (IBGE, 2020).
Referências:
  1. IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 2020. Produção Agrícola Municipal - Área plantada: total, dados de 2018. Município: Cruz das Almas (BA). URL https://sidra.ibge.gov.br/Tabela/1612 (acesso em 20 de março de 2020).
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.1 Ecosystem conversion 2.3.4 Scale Unknown/Unrecorded habitat past,present,future national very high
Os municípios Arcoverde (PE), Cruz das Almas (BA), Mundo Novo (BA), Petrolina (PE) e Pindobaçu (BA) possuem, respectivamente, 37,7% (12189,9ha), 73,98% (10292,5ha), 47,82% (71347,1ha), 12,21% (55683,5ha) e 25,8% (12794,7ha) de seus territórios convertidos em áreas de pastagem, segundo dados de 2018 (Lapig, 2020).
Referências:
  1. Lapig - Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento, 2020. Atlas Digital das Pastagens Brasileiras, dados de 2018. Municípios: Arcoverde (PE), Cruz das Almas (BA), Mundo Novo (BA), Petrolina (PE) e Pindobaçu (BA) . URL https://www.lapig.iesa.ufg.br/lapig/index.php/produtos/atlas-digital-das-pastagens-brasileiras (acesso em 20 de março de 2020).
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.3 Indirect ecosystem effects 9.1.1 Sewage habitat past,present,future regional high
É uma demanda importante para a região da Chapada, já que o rio corta a cidade e, quando chove forte, transborda e causa inúmeros prejuízos. Os ambientalistas afirmam que o esgoto da cidade é jogado direto no rio, o que tem causado sua deterioração. É importante a retirada do sistema de esgoto do curso do Rio Capivari para que o mesmo possa recuperar sua vitalidade natural, frisa Valmir (Jornal da Chapada, 2018).
Referências:
  1. Jornal da Chapada, 2018. Chapada: Deputado reforça ações para revitalização do Rio Capivari no município de Mundo Novo. Cidades. URL https://jornaldachapada.com.br/2018/07/25/chapada-deputado-reforca-acoes-para-revitalizacao-do-rio-capivari-no-municipio-de-mundo-novo/ (acesso em 25 de julho de 2018).
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.2 Ecosystem degradation 2.3.3 Agro-industry grazing, ranching or farming habitat present regional high
A produção de carne e de leite tem crescido consideravelmente no Brasil nas últimas décadas, atingindo, em 2018-19, ca. 26 milhões de toneladas e 34,4 bilhões de litros, e a previsão oficial é de que ambas atividades deverão crescer, respectivamente, a uma taxa anual de 3,0% e a entre 2,0 e 2,8% nos próximos 10 anos (MAPA, 2019). A conversão do uso da terra para agropecuária é evidente no bioma Caatinga, sendo uma das principais fontes de renda e subsistência para os habitantes da Caatinga (Antongiovanni et al., 2018, Joly et al., 2019). Na Caatinga e em outras regiões semiáridas, o pastejo tem sido associado à compactação do solo, redução na sobrevivência de plântulas e mudas, consumo de biomassa de dossel, alteração da riqueza e composição das plantas (Marinho et al. 2016). Em geral, bovinos, caprinos e ovinos são criados em regime de liberdade, tendo acesso à vegetação nativa como base de sua dieta (Marinho et al. 2016). O aumento da densidade do gado pode presumir que a pecuária é um distúrbio crônico na Caatinga, gerando efeitos negativos sobre a diversidade de plantas, resultando na remoção permanente de pequenas frações de biomassa florestal até a desertificação completa do Bioma (Ribeiro et al., 2015).
Referências:
  1. Antongiovanni, M., Venticinque, E.M., Fonseca, C.R., 2018. Fragmentation patterns of the Caatinga drylands. Landsc. Ecol. 33, 1353–1367. https://doi.org/10.1007/s10980-018-0672-6
  2. Joly, C.A., Scarano, F.R., Seixas, C.S., Metzger, J.P., Ometto, J.P., Bustamante, M.M.C., Padgurschi, M.C.G., Pires, A.P.F., Castro, P.F.D., Gadda, T., Toledo, P., 2019. 1o Diagnóstico Brasileiro de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos. BPBES - Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossitêmicos. Editora Cubo, São Carlos. https://doi.org/10.4322/978-85-60064-88-5
  3. MAPA - Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, 2019. Projeções do Agronegócio: Brasil 2018/19 a 2028/29 projeções de longo prazo. MAPA/ACE, Brasília. URL https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/politica-agricola/todas-publicacoes-de-politica-agricola/projecoes-do-agronegocio/projecoes-do-agronegocio-2018-2019-2028-2029/@@download/file/projecoes-2019_versao_final_3.pdf
  4. Marinho, F.P., Mazzochini, G.G., Manhães, A.P., Weisser, W.W., Ganade, G., 2016. Effects of past and present land use on vegetation cover and regeneration in a tropical dryland forest. J. Arid Environ. 132, 26–33. https://doi.org/10.1016/j.jaridenv.2016.04.006
  5. Ribeiro, E.M.S., Arroyo-Rodríguez, V., Santos, B.A., Tabarelli, M., Leal, I.R., 2015. Chronic anthropogenic disturbance drives the biological impoverishment of the Brazilian Caatinga vegetation. J. Appl. Ecol. 52, 611–620. https://doi.org/10.1111/1365-2664.12420

Ações de conservação (1):

Ação Situação
1.1 Site/area protection needed
A espécie não é conhecida em nenhuma unidade de conservação, mas claramente existe a necessidade de melhorar a proteção do habitat nos locais onde se sabe que ela ocorre. São necessárias pesquisas adicionais para determinar se esta espécie está ou não experimentando um declínio efetivo ou está passando por flutuações naturais da população.

Ações de conservação (1):

Uso Proveniência Recurso
17. Unknown
Não existem dados sobre usos efetivos ou potenciais.