VIOLACEAE

Rinorea ramiziana Glaz. ex Hekking

EN

EOO:

10.926,307 Km2

AOO:

24,00 Km2

Endêmica do Brasil:

Sim

Detalhes:

Espécie endêmica do Brasil, com ocorrência nos estados do ESPÍRITO SANTO, município de Itaguaçu (Brade 18087), Linhares (Kuhlmann 215); e RIO DE JANEIRO, município de Campos dos Goytacazes (Ramiz Galvão 422).

Avaliação de risco:

Ano de avaliação: 2019
Avaliador: Eduardo Fernandez
Revisor: Marta Moraes
Critério: B2ab(iii)
Categoria: EN
Justificativa:

Árvore de até 5 m, endêmica do Brasil (Flora do Brasil 2020 em construção, 2019). Foi documentada em Floresta Ombrófila Densa associada a Mata Atlântica nos estados do Espírito Santo e Rio de Janeiro. Apresenta distribuição restrita, AOO=20 km², especifidade de haitat, três situações de ameaça e ocorrência em fitofisionomia florestal severamente fragmentada. Os estados do Espírito Santo e Rio de Janeiro resguardam 10,5% e 18,7%, respectivamente, de remanescentes da Mata Atlântica original (SOS Mata Atlântica e INPE, 2019). Os ecossistemas florestais de terras baixas onde a espécie ocorre foram drasticamente afetados por atividades antrópicas altamente impactantes, como desmatamento para ampliação de áreas agrícolas e pastagens, corte seletivo de madeiras-de-lei, plantações de cana-de-açúcar, silvicultura, café, cacau, fogo, crescimento urbano e turistico desordenado (SEAMA 2018; Burla, 2011; Tavares e Zonta, 2010; Lumbreras et al., 2004; Rolim e Chiarello, 2004). No território do Norte Fluminense, onde foi documentada de forma esparsa e aparenta ser bastante rara, o histórico de degradação intensa a partir da retirada das florestas para o estabelecimento de atividades agropecuárias acompanham atualmente a crescente taxa de urbanização (Lemos et al., 2014) e ampliação da especulação imobiliária e turismo desordenado (Costa, 2015). Em Campos dos Goytacazes, por exemplo, restam somente 7,5% de remanescentes florestais originais (SOS Mata Atlântica e INPE, 2019). Foi registrada dentro dos limites de Unidades de Conservação. Poderia ser classificada como "Vulnerável" (VU) pelo seu valor de EOO. Entretanto, diante desse cenário de degradação ao longo de sua distribuição e potenciais extinções locais, R. ramiziana foi considerada "Em perigo" (EN) de extinção novamente. Infere-se declínio contínuo em EOO, AOO, extensão e qualidade de habitat. Recomenda-se ações de pesquisa (distribuição, números e tendências populacionais) e conservação (Plano de Ação) urgentes a fim de se garantir sua perpetuação na natureza, uma vez que a persistência dos vetores de stress descritos podem ampliar seu risco de extinção no futuro. É crescente a demanda para que se concretize o estabelecimento de um Plano de Ação Nacional (PAN) previsto para o estado do Espírito Santo e Rio de Janeiro.

Último avistamento: 2013
Quantidade de locations: 3
Possivelmente extinta? Não
Severamente fragmentada? Sim
Razão para reavaliação? Other
Justificativa para reavaliação:

A espécie foi avaliada como "Vulnerável" (VU) à extinção na lista vermelha da IUCN (WCMC, 1998). Posteriormente, avaliada pelo CNCFlora/JBRJ em 2013 (Martinelli e Moraes, 2013) e consta como "Em Perigo" (EN) na Portaria 443 (MMA, 2014), sendo então necessário que tenha seu estado de conservação re-acessado após cinco anos da última avaliação.

Houve mudança de categoria: Sim
Histórico:
Ano da valiação Categoria
2012 EN

Perfil da espécie:

Obra princeps:

Descrita em: Phytologia 53: 255 (-257), fig. 1983. Rinorea ramiziana se diferencia de R. maximiliani e R. laevigata pelas inflorescências tirsóides, e pelos pedicelos e estilete menores que 3 mm (Hekking, 1988).

Valor econômico:

Potencial valor econômico: Desconhecido
Detalhes: Não é conhecido o valor econômico da espécie.

População:

Detalhes: Não existem dados sobre a população.

Ecologia:

Substrato: terrestrial
Forma de vida: small tree
Biomas: Mata Atlântica
Vegetação: Floresta Ombrófila (Floresta Pluvial)
Fitofisionomia: Floresta Ombrófila Densa
Habitats: 1.6 Subtropical/Tropical Moist Lowland Forest
Detalhes: Árvores de 3-5m de altura (Kuhlmann 215) que habita a Floresta Ombrófila na Mata Atlântica (Flora do Brasil 2020 em construção, 2019).
Referências:
  1. Violaceae in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro.Disponível em: <http://reflora.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB79770>. Acesso em: 08 Mai. 2019

Ameaças (5):

Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.1 Ecosystem conversion 5.3 Logging & wood harvesting habitat past,present,future regional high
A cobertura vegetal do estado do Espirito Santo, antes praticamente toda recoberta pela Mata Atlântica, tem uma história de devastação cujos registros remontam aos do início de sua colonização. A destruição e degradação do habitat é, sem dúvida, a maior causa de perda de biodiversidade no estado. Subsequentes ciclos econômicos, como o da exploração da madeira, da agricultura cafeeira, dos "reflorestamentos" homogêneos (Pinus e Eucaliptus), a incidência de espécies exóticas invasoras e sobre-exploração de plantas ornamentais são algumas principais ameaças incidentes sobre a flora do estado (Simonelli ; Fraga, 2007).
Referências:
  1. Simonelli, M., Fraga, C.N. (ORG.), 2007. Espécies da Flora Ameaçadas de Extinção no Estado do Espírito Santo, IPEMA, Vitória.
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.1 Ecosystem conversion 1.1 Housing & urban areas habitat past,present,future national very high
A Mata Atlântica da costa brasileira já atingiu um estágio muito avançado de fragmentação, e a preservação de suas áreas remanescentes foi apontada como um dos maiores problemas de Conservação do País. No estado do Rio de Janeiro, a Mata Atlântica que outrora cobria toda a sua extensão encontra-se hoje reduzida a menos de 20% de sua cobertura original, estando os grandes remanescentes, em sua maioria, sobre áreas montanhosas. A mata de baixada da costa fluminense, conhecida pela alta diversidade e endemismos da fauna e flora, durante séculos foi alvo de intensas perturbações antrópicas, intensificadas nas últimas sete décadas através da extração madeireira, caça ou da substituição de suas florestas por áreas agrícolas (Dean, 1996) e pelo processo de urbanização desordenada. A paisagem atual desta região encontra-se muito fragmentada e desconectada, com pequenas manchas florestais, isoladas, perturbadas em sua maioria e circundadas por extensas matrizes antrópicas como pastos e monocultura além de áreas de desenvolvimento urbano (Carvalho et al.,2004).
Referências:
  1. Dean, W., 1996. A ferro e fogo: a história e a devastação da mata atlântica brasileira. São Paulo, SP: Companhia das Letras, 484 p.
  2. Carvalho, F. A., Nascimento, M. T., Oliveira, P. P., Rambaldi, D. M., Fernandes, R. V., 2004 A importância dos remanescentes florestais da Mata Atlântica de baixada costeira fluminense para a conservação da biodiversidade na APA da Bacia do Rio São João/Mico-Leão-Dourado/IBAMA ? RJ. Anais do IV Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação, v. 1, p. 106-113.
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.1 Ecosystem conversion 2.3 Livestock farming & ranching locality,habitat past,present,future regional high
O município de Itaguaçu com 53150 ha tem 37% de seu território ( 19651 ha) transformados em pastagens. (Lapig, 2018). O município de Linhares com 350371 ha, possui 34% de sua área (117270 ha) convertida em pastagem (Lapig 2018). O município Campos dos Goytacazes possui 173248 ha dedicadas à pastagem, equivalente a 43% da área do município (Lapig, 2018)
Referências:
  1. Lapig, 2018. http://maps.Lapig.iesa.ufg.br/Lapig.html (acesso em 31 de agosto 2018).
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.2 Ecosystem degradation 7.1 Fire & fire suppression locality,habitat past,present,future regional high
A prática de queimar os canaviais com a finalidade de diminuir a quantidade de palha e, desta forma, facilitar a colheita se consolidou na década de 1970, com o surgimento do Programa Nacional do Álcool. Ao contrário de outras regiões canavieiras do País, na região de Linhares (ES), os solos de tabuleiro passaram a ser cultivados com cana-de-açúcar apenas nas últimas décadas (Mendonza et al., 2000).
Referências:
  1. Mendonza, H.N.S., Lima, E., Anjos, L.H.C., Silva, L.A., Ceddia, M.B., Antunes, M.V.M., 2000. Propriedades químicas e biológicas de solo de tabuleiro cultivado com cana-de-açúcar com e sem queima de palhada. R. Bras. Ci. Solo, 24, 201-207.
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.1 Ecosystem conversion 2 Agriculture & aquaculture locality,habitat past,present,future regional high
O município Campos dos Goytacazes atualmente possui menos de 3% de sua cobertura florestal original, em conseqüência do intenso desmatamento iniciado no século XIX para a implementação de monoculturas de cana-de-açúcar (Carvalho, et al. 2006). Campos dos Goytacazes possui 44.970 ha de plantações de Cana equivalente ao 11,17% da área total do município e o valor da produção foi 128.164.896 R$ em 2015 (Lapig, 2018)
Referências:
  1. Carvalho, F.A., Braga, J.M.A., Gomes, J.M.L., Souza, J.S., Nascimento, M.T., 2006. Comunidade arbórea de uma floresta de baixada aluvial no município de Campos dos Goytacazes, RJ. Cerne, 12(2).
  2. Lapig, 2018. http://maps.Lapig.iesa.ufg.br/Lapig.html. (acesso em 25 de agosto 2018)

Ações de conservação (3):

Ação Situação
5.1.2 National level on going
Citada no Anexo II da Lista de Espécies da Flora Ameaçadas de Extinção do Brasil (MMA, 2008) e na Lista da Biodiversitas de espécies da flora brasileira ameaçadas de extinção na categoria VU (Biodiversitas, 2005). Citada como LC na Lista de Espécies da Flora Ameaçadas de Extinção do Espírito Santo (Simonelli e Fraga, 2007). A espécie foi avaliada como "Vulnerável" (VU) à extinção na lista vermelha da IUCN (WCMC, 1998). Citada no LIVRO VERMELHO CNCFlora 2013 como EN. A espécie avaliada como "Em perigo" está incluída no ANEXO I da Lista Nacional Oficial de Espécies da Flora Ameaçadas de Extinção (MMA, 2014).
Referências:
  1. Ministério do Meio Ambiente, 2008. Instrução Normativa n. 6, de 23 de setembro de 2008. Espécies da flora brasileira ameaçadas de extinção e com deficiência de dados, Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 24 set. 2008. Seção 1, p.75-83.
  2. Fundação Biodiversitas, 2005. Revisão da lista da flora brasileira ameaçada de extinção. Belo Horizonte, MG.
  3. Simonelli, M., Fraga, C.N. (ORG.), 2007. Espécies da Flora Ameaçadas de Extinção no Estado do Espírito Santo, IPEMA, Vitória.
  4. CNCFlora. Rinorea_ramiziana - in Lista Vermelha da flora brasileira Centro Nacional de Conservação da Flora. Disponível em <http://cncflora.jbrj.gov.br/portal/pt-br/profile/ Rinorea_ramiziana>.
  5. Ministério do Meio Ambiente (MMA), 2014. Portaria nº 443/2014. Anexo I. Lista Nacional Oficial de Espécies da Flora Ameaçadas de Extinção. Disponível em: http://dados.gov.br/dataset/portaria_443. Acesso em 14 de abril 2019.
  6. World Conservation Monitoring Centre, 1998. Rinorea ramiziana. The IUCN Red List of Threatened Species 1998: e.T35990A9967613. http://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.1998.RLTS.T35990A9967613 (Acesso em 24 de setembro de 2019).
Ação Situação
1 Land/water protection on going
Coletada na Reserva Florestal da CVRD (Paula-Souza, J. 5686)
Ação Situação
1 Land/water protection needed
A espécie ocorre na área do GEF Pró-espécies TER 33 (ES) e deve ser incluída no Plano de Ação territorial que será definido como parte do programa

Ações de conservação (1):

Uso Proveniência Recurso
17. Unknown
Não existem dados sobre usos efetivos ou potenciais.