SAPOTACEAE

Pouteria pachycalyx T.D.Penn.

Como citar:

Eduardo Fernandez; Marta Moraes. 2019. Pouteria pachycalyx (SAPOTACEAE). Lista Vermelha da Flora Brasileira: Centro Nacional de Conservação da Flora/ Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

NT

EOO:

115.447,301 Km2

AOO:

88,00 Km2

Endêmica do Brasil:

Sim

Detalhes:

Espécie endêmica do Brasil (Alves-Araújo et al., 2019), com ocorrência nos estados: BAHIA, município de Uruçuca (Thomas 7047), Una (Amorim 1632), Ilhéus (Carvalho 735), Cairu (Amorim 6774), ESPÍRITO SANTO, município de Pinheiros (Leoni 5899), João Neiva (Tsuji e Lorenzi 1507), Linhares (Folli 3054), São Jorge Tiradentes (Salviani 139), Aracruz (Neves 233), Vitória (Fabris 861), Montanha (Lombardi 7137), MINAS GERAIS, município de Marliêria (Folli 2266). Segundo a Flora do Brasil 2020 (2019), a espécie também ocorreria no estado do Rio de Janeiro, porém não foram ecnontrados registros para esse estado.

Avaliação de risco:

Ano de avaliação: 2019
Avaliador: Eduardo Fernandez
Revisor: Marta Moraes
Categoria: NT
Justificativa:

Árvore de até 20 m, endêmica do Brasil (Alves-Araújo et al., 2019). Popularmente conhecida por bapeba ou manteiguinha, foi documentada em Floresta Ombrófila Densa, Floresta Estacional e Restinga arbórea associadas a Mata Atlântica nos estados da Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais e, possivelmente, Rio de Janeiro. Apresenta distribuição ampla, EOO=97339 km², constante frequência de coletas, ocorrência confirmada dentro dos limites de Unidades de Conservação de proteção integral e subpopulações aparentemente abundantes onde ainda pode ser encontrada. Entretanto, sua madeira é amplamente retirada da natureza e utilizada para carpintaria em geral (Tropical Plant Database, 2019), o que possivelmente vem resultando em reduções populacionais significativas. A espécie poderia ser considerada "Em perigo" (EN) por B2, porém, não possui especificidade de habitat acentuada, tendo sido documentada inclusive em áreas perturbadas. Ainda, P. pachycalyx sofre perda de habitat como consequência do desmatamento pelo desenvolvimento urbano, mineração, agricultura e pecuária (Paciencia e Prado, 2005; Landau, 2003; Saatchi et al., 2001). Estima-se que restem apenas entre 11,4% a 16% da vegetação original da Mata AtlÂntica, e cerca de 42% da área florestal total representada por fragmentos menores que 250 ha (SOS Mata Atlântica e INPE, 2019; Ribeiro et al., 2009). Ainda, estima-se que vivam no entorno da Mata Atlântica aproximadamente 100 milhões de habitantes, os quais exercem enorme pressão sobre seus remanescentes (Simões e Lino, 2003), incluindo áreas onde a espécie ocorre. Diante desse cenário, portanto, a espécie foi considerada "Quase ameaçada" (NT) de extinção neste momento. Infere-se declínio contínuo na qualidade do habitat e possivelmente no valor de EOO, AOO e situações de ameaça. Ações de pesquisa (distribuição, números e tendências populacionais) e conservação (Plano de Ação) são urgentes a fim de se garantir sua perpetuação na natureza, uma vez que a persistência dos vetores de stress descritos podem ampliar seu risco de extinção no futuro. É crescente a demanda para que se concretize o estabelecimento de um Plano de Ação Nacional (PAN) previsto para os estados em que foi documentada.

Último avistamento: 2016
Possivelmente extinta? Não
Severamente fragmentada? Sim
Razão para reavaliação? Other
Justificativa para reavaliação:

A espécie foi avaliada como "Criticamente em perigo" (CR) na lista vermelha da IUCN (Pires O'Brien, 1998). Posteriormente, avaliada pelo CNCFlora/JBRJ em 2013 (Martinelli e Moraes, 2013) e consta como "Vulnerável' (VU) à extinção na Portaria 443 (MMA, 2014) sendo então necessário que tenha seu estado de conservação re-acessado após cinco anos da última avaliação.

Houve mudança de categoria: Sim
Histórico:
Ano da valiação Categoria
2011 VU

Perfil da espécie:

Obra princeps:

Descrita em: Pennington, T., 1990. Flora Neotropica, Monograph 52: 409–411, f. 90A–B. Popularmente conhecida por Bapeba no Brasil (Tropical Plants Database, 2019), guapeba (Feitosa, 2004), manteiguinha (Germano Filho et al., 2000).

Valor econômico:

Potencial valor econômico: Sim
Detalhes: ​A espécie é utilizada para carpintaria, forros e mata-juntas, brinquedos, caixas, cepas de tamanco, urnas funerárias, palitos e miolo de compensados, confecção de cordas, estopas e papel (CNCFlora, 2012.2). O fruto comestível é por vezes recolhido da natureza para uso local, embora não seja amplamente apreciado (Tropical Plants Database, 2019). Como planta ornamental, tem sido recomendada para paisagismo (Tropical Plants Database, 2019). Também tem sido recomendada para reflorestamento ecológico (Tropical Plants Database, 2019).

População:

Flutuação extrema: Desconhecido
Detalhes: Feitosa (2004) estimou 3,08 ind./ ha em um fragmento florestal (1 ha) da Mata do Tejipió, Recife, PE. Foi considerada "frequente nas restingas do município de Ilhéus (Carvalho 735)
Referências:
  1. Feitosa, A. A.N., 2004. Diversidade de espécies arbóreas associada ao solo em toposseqüência de fragmento de Mata Atlântica de Pernambuco. Dissertação de Mestrado. : Universidade Federal Rural de Pernambuco, 2004.

Ecologia:

Substrato: terrestrial
Forma de vida: tree
Biomas: Mata Atlântica
Vegetação: Floresta Ombrófila (Floresta Pluvial), Floresta Estacional Semidecidual, Restinga
Fitofisionomia: Floresta Estacional Semidecidual, Floresta Ombrófila Densa, Vegetação de Restinga
Habitats: 1.6 Subtropical/Tropical Moist Lowland Forest, 3.5 Subtropical/Tropical Dry Shrubland
Detalhes: Árvores de até 20 m de altura (Pennington, 1990), ocorrendo nos domínios da Mata Atlântica, em Floresta Estacional Semidecidual, Floresta Ombrófila (Alves-Araújo et al., 2019), também em Restinga (Carvalho 735).
Referências:
  1. Pennington, T.D. Sapotaceae. New York: The New York Botanical Garden, 1990.
  2. Alves-Araújo, A., Faria, A.D., Ribeiro, J.E.L.S., Monteiro, M.H., 2019. Pouteria in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro.Disponível em: <http://reflora.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB14510>. Acesso em: 25 Jul. 2019

Reprodução:

Detalhes: Há indicações de propagação por semente, considerando melhores resultados com semeadura assim que estiver madura em vasos individuais em posição na "semishade". Deve ser plantada no solo (fora) quando estiver com 7 - 9 meses. A germinação geralmente ocorre em 6 - 10 semanas, e a taxa de germinação é normalmente alta (Tropical Plants Database, 2019).
Referências:
  1. Tropical Plants Database, 2019. Ken Fern http://tropical.theferns.info/viewtropical.php?id=Pouteria+pachycalyx. (acesso em 08 de junho 2019).

Ameaças (7):

Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.1 Ecosystem conversion 5.3 Logging & wood harvesting habitat past,present,future national high
O Atlas da Mata Atlântica (SOS Mata Atlântica e INPE, 2019) indica que restam 16,2 milhões de hectares de florestas nativas mais preservadas acima de 3 hectares na Mata Atlântica, o equivalente a 12,4% da área original do bioma. O desmatamento da Mata Atlântica entre 2017 e 2018 caiu 9,3% em relação ao período anterior (2016-2017), que por sua vez já tinha sido o menor desmatamento registrado pela série histórica do Atlas da Mata Atlântica, iniciativa da Fundação SOS Mata Atlântica e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que monitora o bioma desde 1985. Além disso, foi verificado aumento do número de estados no nível do desmatamento zero, de 7 para 9, sendo que outros 3 estão bem próximos. Dos 17 estados, nove estão no nível do desmatamento zero, com desflorestamentos abaixo de 100 hectares, ou 1 Km². São eles: Ceará (7 ha), Alagoas (8 ha), Rio Grande do Norte (13 ha), Rio de Janeiro (18 ha), Espírito Santo (19 ha), Paraíba (33 ha), Pernambuco (90 ha), São Paulo (96 ha) e Sergipe (98 ha). Outros três estados estão a caminho desse índice: Mato Grosso do Sul (140 ha), Rio Grande do Sul (171 ha) e Goiás (289 ha). Apesar dos resultados positivos, cinco estados ainda mantém índices inaceitáveis de desmatamento: Minas Gerais (3.379 ha), Paraná (2.049 ha), Piauí (2.100 ha), Bahia (1.985 ha) e Santa Catarina (905 ha). A espécie ocorre em dois desses estados (BA, MG).
Referências:
  1. Fundação SOS Mata Atlântica e INPE, 2019. Atlas dos remanescentes florestais da Mata Atlântica. Período 2017- 2018. Relatório Técnico, São Paulo. 35p.
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.1 Ecosystem conversion 2 Agriculture & aquaculture locality,habitat,occupancy,occurrence past,present,future regional very high
A área relativamente grande ocupada por categorias de uso do solo como pastagem, agricultura e solo descoberto, e a pequena área relativa ocupada por floresta em estágio avançado de regeneração revelam o alto grau de fragmentação da Mata Atlântica no Sul-Sudeste da Bahia (Landau, 2003; Saatchi et al., 2001). Grande parte das florestas úmidas do sul da Bahia estão fragmentadas como resultado da atividade humana realizadas no passado, tais como o corte madeireiro e implementação da agricultura (Paciencia e Prado, 2005). Estima-se que a região tenha 30.000 ha de cobertura florestal (Paciencia e Prado, 2005), 40.000 ha em estágio inicial de regeneração e 200.000 ha em área de pasto e outras culturas, especialmente cacau, seringa, piaçava e dendê (Alger e Caldas, 1996). A maioria das propriedades particulares são fazendas de cacau, o principal produto da agricultura (Paciencia e Prado, 2005), sendo a cabruca considerada a principal categorias de uso do solo na região econômica Litoral Sul da Bahia (Landau, 2003). Nas florestas litorâneas atlânticas dos estados da Bahia e Espírito Santo, cerca de 4% da produção mundial de cacau (Theobroma cacao L.) e 75% da produção brasileira é obtida no que é chamado localmente de "sistemas de cabruca". Neste tipo especial de agrossilvicultura o sub-bosque é drasticamente suprimido para dar lugar a cacaueiros e a densidade de árvores que atingem o dossel é significativamente reduzida (Rolim e Chiarello, 2004; Saatchi et al., 2001). De acordo com Rolim e Chiarello (2004) os resultados do seu estudo mostram que a sobrevivência a longo prazo de árvores nativas sob sistemas de cabruca estão sob ameaça se as atuais práticas de manejo continuarem, principalmente devido a severas reduções na diversidade de árvores e desequilíbrios de regeneração. Tais resultados indicam que as florestas de cabrucas não são apenas menos diversificadas e densas do que as florestas secundárias ou primárias da região, mas também que apresentam uma estrutura onde espécies de árvores dos estágios sucessionais tardios estão se tornando cada vez mais raras, enquanto pioneiras e espécies secundárias estão se tornando dominantes (Rolim e Chiarello, 2004). Isso, por sua vez, resulta em uma estrutura florestal drasticamente simplificada, onde espécies secundárias são beneficiadas em detrimento de espécies primárias (Rolim e Chiarello, 2004).
Referências:
  1. Alger, K., Caldas, M., 1996. Cacau na Bahia: Decadência e ameaça a Mata Atlântica. Ciência Hoje, 20, 28-35.
  2. Landau, E.C., 2003. Padrões de ocupação espacial da paisagem na Mata Atlântica do sudeste da Bahia, Brasil, in: Prado, P.I., Landau, E.C., Moura, R.T., Pinto, L.P.S., Fonseca, G.A.B., Alger, K. (Orgs.), Corredor de biodiversidade da Mata Atlântica do sul da Bahia. IESB/CI/CABS/UFMG/UNICAMP, Ilhéus, p. 1–15.
  3. Paciencia, M.L.B., Prado, J., 2005. Effects of forest fragmentation on pteridophyte diversity in a tropical rain forest in Brazil. Plant Ecol. 180, 87–104.
  4. Rolim, S.G., Chiarello, A.G., 2004. Slow death of Atlantic forest trees in cocoa agroforestry in southeastern Brazil. Biodivers. Conserv. 13, 2679–2694.
  5. Saatchi, S., Agosti, D., Alger, K., Delabie, J., Musinsky, J., 2001. Examining fragmentation and loss of primary forest in the Southern Bahian Atlantic Forest of Brazil with radar imagery. Conserv. Biol. 15, 867–875.
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
2 Species stresses 5.3 Logging & wood harvesting habitat,locality,occupancy,occurrence past,present,future national very high
A espécie é ameaçada devido à crescente fragmentação do ambiente onde suas populações se estabelecem, levando à redução de suas populações e aumentando as chances de extinção local (CTA, 2010 apud CNCFlora 2012.2). Segundo Silva (2002), uma preocupação é a forte erosão genética que populações naturais da espécie vêm sofrendo, principalmente por influências antrópicas causadas por empreendimentos imobiliários nos municípios com potencialidade turístico, a exemplo de Ilhéus, Valença, Itacaré e Porto Seguro.
Referências:
  1. CNCFlora. Pouteria pachycalyx in Lista Vermelha da flora brasileira versão 2012.2 Centro Nacional de Conservação da Flora. Disponível em <http://cncflora.jbrj.gov.br/portal/pt-br/profile/Pouteria pachycalyx>. Acesso em 9 junho 2019.
  2. CTA - SERVIçOS EM MEIO AMBIENTE E ENGENHARIA LTDA. Relatório de Controle Ambiental (RCA) para produção de energia termelétrica a gás natural pela UTE Linhares 2, Município de Linhares, ES, 2010.
  3. Silva, L. A. M.,Simões, L. L., Lino, C. F., 2002. Piaçava - 500 Anos de Extrativismo. São Paulo, SP: SENAC São Paulo, 2002.
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.1 Ecosystem conversion 1.3 Tourism & recreation areas locality,occupancy,occurrence past,present,future regional very high
Cairu é um dos dois únicos municípios brasileiros inteiramente arquipelágicos (o outro sendo Ilhabela - SP). Muito próximo a Salvador, é formado por 26 ilhas dentre as quais destacam-se as localidades Morro de São Paulo e Moreré, muito conhecidas atualmente pelo turismo crescente na região (Gulberg, 2008). A partir dos anos 90, o fluxo turístico na região aumentou significativamente e de forma desordenada(Gulberg, 2008). Com uma infra-estrutura que não poderia suportar a crescente demanda de períodos de alta estação, houveram graves conseqüências para o meio ambiente local (Gulberg, 2008). Atualmente, o aumento do turismo de massa contribuiu para o agravamento de problemas na APA, como por exemplo: o desmatamento, a sobre-pesca, a ocupação desordenada do solo, a especulação imobiliária, a descaracterização da cultura local, a prostituição, assédios sexuais, furtos e roubos, drogas e o acúmulo do lixo (Gulberg, 2008).
Referências:
  1. Gulberg, L.D., 2008. Plano de Manejo da Área de Proteção Ambiental das Ilhas de Tinharé e Boipeba - Estudo de caso. Universidade Federal da Bahia.
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.1 Ecosystem conversion 5.3 Logging & wood harvesting locality,habitat,occupancy,occurrence past,present,future regional very high
Nos municípios de Itamaraju, Ilhéus e Uruçuca, cerca de 80% da cobertura original da Mata Atlântica foi desmatada (SOS Mata Atlântica; INPE, 2011). No município de Ilhéus restam 35.483 hectares de Mata Atlântica, o que representa apenas 20,16 % da Mata Atlântica original do município (SOS Mata Atlântica/INPE - Aqui tem Mata, 2019). No município de Vitória restam apenas 1.316 ha de Mata Atlântica, o que representa apenas 13,40 % da Mata Atlântica original do município (SOS Mata Atlântica/INPE - Aqui tem Mata, 2019). A região do médio rio Doce (que inclui o município de Marlieria), apresenta remanescentes de florestas que sofreram diferentes graus de perturbação, seja pela ação de desmatamentos, corte seletivo de madeira e/ou fogo (França e Stehmann, 2013).
Referências:
  1. Fundação SOS Mata Atlântica/ Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Atlas dos remanescentes florestais da Mata Atlântica - período 2008-2010, São Paulo, 2011.
  2. SOS Mata Atlântica e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - INPE, 2019. Aqui tem Mata? https://aquitemmata.org.br/#/, (acesso em 09 de junho 2019).
  3. França, G.S., Stehmann, J.R., 2013. Florística e estrutura do componente arbóreo de remanescentes de Mata Atlântica do médio rio Doce, Minas Gerais, Brasil. Rodriguésia 64, 607–624.
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.1 Ecosystem conversion 2.3 Livestock farming & ranching locality,habitat,occupancy,occurrence past,present,future regional high
O município de Linhares com 350371 ha, possui 34% de sua área (117270 ha) convertida em pastagem (Lapig 2018).
Referências:
  1. Lapig, 2018. Linhares - Espírito Santo. http://maps.Lapig.iesa.ufg.br/Lapig.html (acesso em 16 de julho 2018).
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.2 Ecosystem degradation 3.2 Mining & quarrying locality,habitat,occupancy,occurrence present,future regional high
Toda a região ao redor e nos municípios de Marlieria (MG) e Linhares (ES) vem sendo ocupada por empreendimentos minerários, há documentos de processos recentes em andamento para autorização de pesquisa de áreas a serem mineradas (DNPM, SIGMINE, 2019). Essa região foi recentemente (2015) diretamente afetada pelo maior desastre ambiental causado por mineração, com o rompimento da barragem de Fundão no município de Mariana (MPF, 2017). Os efeitos do acumulo de minérios tóxicos no solo ainda estão sendo estudados, porém eventos similares na região podem destruir em um único evento milhares de hectares de Floresta Estacional Semidecidual na região, habitat preferencial da espécie, assim como ocorreu com florestas na região de Mariana (Do Carmo, 2017).
Referências:
  1. DEPARTAMENTO NACIONAL DE PRODUÇÃO MINERAL - DNPM. SIGMINE: Informações Geográficas da Mineração. http://sigmine.dnpm.gov.br/webmap/, (acesso em 08 de junho 2019).
  2. Ministério Publico Federal, 2017. Denúncia Apresentada contra mineradora SAMARCO pelo desastre ambiental provocado pelo rompimento da barragem Fundão, Autos do Processo de Denúncia.
  3. Do Carmo, F.F. do, Hiromi, L., Kamino, Y., Tobias, R., Christina, I., Campos, D., Fonseca, F., Silvino, G., Junio, K., Castro, X. De, Leite, M., Uchoa, N., Rodrigues, A., Paulo, M., Miranda, D.S., Eduardo, C., Pinto, F., 2017. Fundão tailings dam failures : the environment tragedy of the largest technological disaster of Brazilian mining in global context. Perspect. Ecol. Conserv. 15, 145–151. https://doi.org/10.1016/j.pecon.2017.06.002

Ações de conservação (5):

Ação Situação
5.1.2 National level on going
Espécie foi avaliada como "Criticamente em perigo" (CR) pela lista vermelha da IUCN (Pires O'Brien,1998).
Referências:
  1. Pires O'Brien, J., 1998. Pouteria pachycalyx. The IUCN Red List of Threatened Species 1998: e.T35872A9963274. http://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.1998.RLTS.T35872A9963274 (Acesso em 24 de setembro de 2019).
Ação Situação
5.1.2 National level on going
Espécie avaliada como "Vulnerável" está incluída no ANEXO I da Lista Nacional Oficial de Espécies da Flora Ameaçadas de Extinção (MMA, 2014).
Referências:
  1. Ministério do Meio Ambiente (MMA). Portaria nº 443/2014. Anexo I. Lista Nacional Oficial de Espécies da Flora Ameaçadas de Extinção. Disponível em: http://dados.gov.br/dataset/portaria_443. Acesso em 14 de abril 2019.
Ação Situação
1.1 Site/area protection on going
A espécie foi registrada na Reserva Biológica do Mico-leao (PI), APA Tinharé/Boipeba (US), Reserva Biológica Córrego do Veado (PI), Reserva Natural Vale CVRD (US), Reserva Biológica de Comboios (PI), Reserva Biológica de Sooretama (PI).
Ação Situação
5.1.2 National level needed
A espécie ocorre em territórios que serão contemplados por Plano de Ação Nacional (PAN) Territorial, no âmbito do projeto GEF pró-espécies: todos contra a extinção : Território Paraná - 33 (ES) e Território Itororó - 35 (BA).
Ação Situação
3 Species management needed
Considerando que a espécie foi avaliada pela lista vermelho da IUCN como CR e como VU em nível nacional, recomenda-se buscas direcionadas pelas subpopulações e pesquisa sobre tamanho e tendência populacional, para avaliação de possíveis declínios ou extinções locais. Confirmando-se declínio ou possíveis extinções locais com base nos resultados encontrados, recomenda-se então ampliação de conservação in situ, mitigação de ameaças e ações de conservação ex-situ. Visto que a espécie apresenta facil germinação e há informação sobre melhores tecnicas de semeadura e plantio, recomenda-se coleta de material e estoque em banco de semente Há indicações de propagação por semente, havendo melhores resultados com a semeadura assim que estiver madura em vasos individuais em posição "semishade". Deve ser plantada no solo (fora) quando estiver com 7 - 9 meses. A germinação geralmente ocorre em 6 - 10 semanas, e a taxa de germinação é normalmente alta (Tropical Plants Database, 2019). Considerando que a espécie é recomendada para restauração florstal e ocorre em área afetada pelo desastre ambiental provocado pelo rompimento da barragem de Fundão e também no mesmo tipo de ecossistema (Floresta Estacional Semidecidual), recomenda-se seu uso para recomposição das áreas de floresta diretamente afetadas.
Referências:
  1. Tropical Plants Database, 2019. Ken Fern http://tropical.theferns.info/viewtropical.php?id=Pouteria+pachycalyx. (acesso em 08 de junho 2019).

Ações de conservação (5):

Uso Proveniência Recurso
3. Medicine - human and veterinary natural
​Possui propriedades medicinais sendo usada como inseticida e antihelmíntica (CTA, 2010 apud CNCFlora 2012.2).
Referências:
  1. CTA - SERVIçOS EM MEIO AMBIENTE E ENGENHARIA LTDA. Relatório de Controle Ambiental (RCA) para produção de energia termelétrica a gás natural pela UTE Linhares 2, Município de Linhares, ES, 2010.
  2. CNCFlora. Pouteria pachycalyx in Lista Vermelha da flora brasileira versão 2012.2 Centro Nacional de Conservação da Flora. Disponível em <http://cncflora.jbrj.gov.br/portal/pt-br/profile/Pouteria pachycalyx>. Acesso em 9 junho 2019.
Uso Proveniência Recurso
9. Construction/structural materials natural stalk
​Sua madeira é utilizada para carpintaria, forros e mata-juntas, brinquedos, caixas, cepas de tamanco, urnas funerárias, palitos e miolo de compensados. Confecção de cordas, estopas e pape (CTA, 2010 apud CNCFlora 2012.2).
Referências:
  1. CTA - SERVIçOS EM MEIO AMBIENTE E ENGENHARIA LTDA. Relatório de Controle Ambiental (RCA) para produção de energia termelétrica a gás natural pela UTE Linhares 2, Município de Linhares, ES, 2010.
  2. CNCFlora. Pouteria pachycalyx in Lista Vermelha da flora brasileira versão 2012.2 Centro Nacional de Conservação da Flora. Disponível em <http://cncflora.jbrj.gov.br/portal/pt-br/profile/Pouteria pachycalyx>. Acesso em 9 junho 2019.
Uso Proveniência Recurso
1. Food - human natural fruit
O fruto comestível é por vezes recolhido da natureza para uso local, embora não seja amplamente apreciado (CTA, 2010 apud CNCFlora 2012.2; Tropical Plants Database, 2019).
Referências:
  1. CTA - SERVIçOS EM MEIO AMBIENTE E ENGENHARIA LTDA. Relatório de Controle Ambiental (RCA) para produção de energia termelétrica a gás natural pela UTE Linhares 2, Município de Linhares, ES, 2010.
  2. CNCFlora. Pouteria pachycalyx in Lista Vermelha da flora brasileira versão 2012.2 Centro Nacional de Conservação da Flora. Disponível em <http://cncflora.jbrj.gov.br/portal/pt-br/profile/Pouteria pachycalyx>. Acesso em 9 junho 2019.
Uso Proveniência Recurso
13. Pets/display animals, horticulture natural whole plant
Como planta ornamental, tem sido recomendada para paisagismo (Tropical Plants Database, 2019).
Referências:
  1. Tropical Plants Database, 2019. Ken Fern http://tropical.theferns.info/viewtropical.php?id=Pouteria+pachycalyx. (acesso em 08 de junho 2019).
Uso Proveniência Recurso
16. Other natural whole plant
A espécie tem sido recomendada para reflorestamento ecológico (Tropical Plants Database, 2019).
Referências:
  1. Tropical Plants Database, 2019. Ken Fern http://tropical.theferns.info/viewtropical.php?id=Pouteria+pachycalyx. (acesso em 08 de junho 2019).