Eduardo Fernandez; Marta Moraes. 2019. Pouteria furcata (SAPOTACEAE). Lista Vermelha da Flora Brasileira: Centro Nacional de Conservação da Flora/ Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
Espécie endêmica do Brasil (Alves-Araújo et al., 2019) com ocorrência nos Estados do MARANHÃO, Municípios de Aldeias Altas (Sousa IFN-3596801.8), Barra do Corda (Schatz 784), Caxias (Konopczyk IFN-4145012.10), Fortuna (Rosa 641), Grajaú (Vilhena 995), Santa Luzia (Taylor E1094), São Luí s (Lemos 24284), Tuntum (Dly et al. s.n.); MATO GROSSO, Município de Itaúba (Bronholi s.n.); MINAS GERAIS, Município de Grão Mogol (Irwin et al. 23557); PIAUÍ, Municípios de Bom Jesus (Del'Arco s.n.), Coronel José Dias (Emperaire s.n.), Guaribas (Barros 2989), João Costa (Emperaire 471), São Raimundo Nonato (Emperaire 221); TOCANTINS, Município de Novo Jardim (Pereira 1994).
Árvore de até 25 m, endêmica do Brasil (Alves-Araújo et al., 2019). Popularmente conhecida como goiaba-leiteira ou tuturuba, foi documentada em Carrasco e Cerrado sensu lato associados aos domínios Cerrado e Caatinga, nos estados do Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Piauí e Tocantins. Apresenta ampla distribuição, EOO=968965 km², constante presença em herbários e é descrita por Alves-Araújo (2012) como uma espécie comum nos Cerrados do Piauí e também na Caatinga. P. furcata possui registros recentes realizados dentro dos limites de Unidades de Conservação de proteção integral e em áreas onde ainda predominam na paisagem extensões significativas de ecossistemas florestais prístinos e pouco conhecidos botanicamente. Sabe-se, entretanto, que entre 30,4% e 51,7% da área da Caatinga foi alterada por atividades antrópicas após séculos de exploração (Castelletti et al., 2004). O Cerrado perdeu 88 Mha (46%) de sua cobertura vegetal nativa, e apenas 19,8% permanecem inalterados (Strassburg et al., 2017). Neste contexto, a espécie foi considerada "Em perigo" (EN) em avaliação de risco de extinção passada por B2. Entretanto, novos registros de coleta ampliaram consideravelmente seu valor de EOO, além de ampliarem o conhecimento sobre sua amplitude de habitat e requerimentos ecológicos. Assim, P. furcata foi considerada como "Menor preocupação" (LC) neste momento, considerando-se sua ampla distribuição em múltiplas fitofisionomias associadas a Caatinga e a Mata Atlântica, presença em áreas protegidas, registros recentes em áreas bem conservadas e número de situações de ameaça maior que dez, considerando-se os municípios em que a espécie foi documentada. Recomenda-se ações de pesquisa (distribuição, números e tendências populacionais) e conservação (Plano de Ação) urgentes a fim de se garantir sua perpetuação na natureza, uma vez que a persistência dos vetores de stress descritos podem ampliar seu risco de extinção no futuro.
A espécie foi avaliada como "Vulnerável" (LC) à extinção na lista vermelha da IUCN (Pires O'Brien, 1998). Posteriormente, avaliada pelo CNCFlora/JBRJ em 2013 (Martinelli e Moraes, 2013) e consta como "Em Perigo de extinção" (EN) na Portaria 443 (MMA, 2014), sendo então necessário que tenha seu estado de conservação re-acessado após cinco anos da última avaliação.
| Ano da valiação | Categoria |
|---|---|
| 2011 | EN |
Descrita originalmente em Fl. Neotrop. Monogr. 52: 440. 1990. Pouteria furcata está relacionada a P. beaurepairei, P. psammophoila e P. fimbriata as quais apresentam o hilo da semente em posição adaxial. Se distingue das demais espécies por apresentar distinto indumento e venação. Pouteria cicatricata é a única espécie que se assemelha ao padrão de venação de P. furcata, mas se difere desta por apresentar o hilo recobrindo maior área da superfície da semente (Pennington, 1990). Popularmente conhecida como goiaba- leiteira ou tuturuba (Alves-Araújo et al., 2019).
| Estresse | Ameaça | Declínio | Tempo | Incidência | Severidade |
|---|---|---|---|---|---|
| 1.2 Ecosystem degradation | 1.1 Housing & urban areas | habitat,occurrence | past,present,future | local | medium |
| As áreas de ocupação da espécie vêm sendo ameaçadas por ocupação humana (Oldfield et al., 1998). | |||||
Referências:
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| Estresse | Ameaça | Declínio | Tempo | Incidência | Severidade |
|---|---|---|---|---|---|
| 1.1 Ecosystem conversion | 2.1.3 Agro-industry farming | habitat,occurrence | present,future | national | very high |
| Estudos apontam que no Cerrado brasileiro restam apenas 50% da cobertura florestal natural. A taxa de desmatamento tem aumentado, principalmente devido à expansão do gado, indústrias de soja, reservatórios de hidrelétricas e expansão de áreas urbanas (Françoso et al,. 2015, Ratter et al., 1997). O Cerrado perdeu 88 Mha (46%) de sua cobertura vegetal nativa, e apenas 19,8% permanecem inalterados. Entre 2002 e 2011, as taxas de desmatamento no Cerrado (1% por ano) foram 2,5 vezes maiores que na Amazônia. A proteção atual permanece fraca. As áreas protegidas públicas cobrem apenas 7,5% do bioma (em comparação com 46% da Amazônia) e, de acordo com o Código Florestal brasileiro, apenas 20% (em comparação com 80% na Amazônia) de terras privadas são destinadas a conservação (Strassburg et al., 2017). Como resultado, 40% da vegetação natural remanescente pode agora ser legalmente convertida (Soares-Filho et al., 2014). | |||||
Referências:
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| Estresse | Ameaça | Declínio | Tempo | Incidência | Severidade |
|---|---|---|---|---|---|
| 1.1 Ecosystem conversion | 2.3.3 Agro-industry grazing, ranching or farming | habitat,occurrence | past,present,future | national | very high |
| O Cerrado contém extensas áreas em condições favoráveis à agricultura intensiva e à pecuária extensiva, sendo cerca de 40% da área convertida para estes usos (Rachid et al., 2013). A expansão agrícola no Cerrado vem sendo estimulada por diversos incentivos governamentais, tais como os programas de biocombustíveis e desenvolvimento do Cerrado, ou de assistência técnica (Bojanic, 2017, Fearnside, 2001, Gauder et al., 2011, Koizumi, 2014, Moreddu et al., 2017, Pereira et al., 2012, Rachid et al., 2013, Ratter et al., 1997), a fim de suprir a crescente demanda do mercado internacional (Gauder et al., 2011, Pereira et al., 2012). Essa região é responsável pela produção de cerca de 49% dos grãos no Brasil (Rachid et al., 2013), em particular a soja, o milho e o algodão (Bojanic, 2017, Castro et al., 2010, Ratter et al., 1997). O Cerrado brasileiro sofreu perdas particularmente pesadas para o avanço da soja (Fearnside, 2001), tendo cerca de 10,5% de sua área ocupada por culturas agrícolas (Sano et al., 2008). Além de ser considerado o celeiro brasileiro devido à produção de grão (Pereira et al., 2012), extensas áreas de Cerrado têm sido ocupadas pela cana-de-açúcar (Castro et al., 2010, Koizumi, 2014, Loarie et al., 2011, Rachid et al., 2013), sendo o Brasil o mais importante produtor de açúcar do mundo (Galdos et al., 2009, Gauder et al., 2011, Pereira et al., 2012). Recentemente, a expansão da produção de cana-de-açúcar no Cerrado tem sido motivada por programas governamentais destinados a promover o setor sucroalcooleiro, especialmente para a produção de agroenergia e bioetanol devido a importância econômica que assumiram no mercado internacional (Gauder et al., 2011, Koizumi, 2014, Loarie et al., 2011, Pereira et al., 2012, Rachid et al., 2013). O Brasil é o segundo maior produtor de etanol do mundo (Mielnik et al., 2017). Segundo Rachid et al., (2013), as áreas cultivadas nos estados de Goiás e Mato Grosso do Sul cresceram mais de 300% nos últimos 5 anos. Essa expansão ocorre principalmente por meio da substituição de áreas agrícolas estabelecidas (pastagem e campos de soja e milho) por cana-de-açúcar, forçando a expansão dessas atividades sobre novas áreas de floresta ou Cerrado (Castro et al., 2010, Koizumi, 2014, Loarie et al., 2011, Rachid et al., 2013). Ainda, a produção de cana-de-açúcar por muitos anos esteve associada às queimadas dos canaviais realizadas pré-colheita, causando impactos ambientais sobre diferentes componentes do ecossistema (Galdos et al., 2009, Rachid et al., 2013). | |||||
Referências:
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| Estresse | Ameaça | Declínio | Tempo | Incidência | Severidade |
|---|---|---|---|---|---|
| 1.2 Ecosystem degradation | 7.1.1 Increase in fire frequency/intensity | habitat,occurrence | past,present,future | regional | high |
| O fogo apesar de estar associado a vegetação de cerrado, têm efeitos danosos sobre as espécies quando sua origem é antrópica (Verdi et al., 2015). Os incêndios com origem antrópica acontecem com frequência, severidade e intensidade muito maior que no passado (Pivello, 2011) e, diferentemente daqueles deflagrados por raios, têm efeitos danosos sobre as espécies, mesmo aquelas adaptadas ao regime de fogo (Kolbek e Alves, 2008, Mistry, 1998, Pivello, 2011, Verdi et al., 2015). Estes incêndios têm iniciado a partir do uso do fogo na agropecuária, em períodos de festejos locais e feriados, queda de balões ou lapsos com cigarros, por exemplo (Coutinho, 1990, Maurenza et al., 2015, Verdi et al., 2015). Contudo, incêndio criminosos são comuns e, em geral, têm sido realizados como uma forma de protesto em unidades de conservação como, por exemplo, o Parque Nacional da Serra do Cipó (Verdi et al., 2015). | |||||
Referências:
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| Estresse | Ameaça | Declínio | Tempo | Incidência | Severidade |
|---|---|---|---|---|---|
| 1.1 Ecosystem conversion | 1 Residential & commercial development | habitat,occurrence | past,present,future | national | high |
| A Caatinga sustenta mais de 23 milhões de pessoas (11,8% da população brasileira) e é uma das regiões semiáridas mais populosas do mundo, com 26 habitantes km-1 (Medeiros et al., 2012, Ribeiro et al., 2015). Novos cenários, como a transposição do rio São Francisco, podem mudar o paradigma de que a região semiárida não é apta para o desenvolvimento econômico e intensificar processos que levam a perda da diversidade florística (Costa et al., 2009). | |||||
Referências:
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| Estresse | Ameaça | Declínio | Tempo | Incidência | Severidade |
|---|---|---|---|---|---|
| 1.1 Ecosystem conversion | 2.3 Livestock farming & ranching | habitat | present,future,past | regional | high |
| A pecuária é uma das principais fontes de renda e subsistência para os habitantes da Caatinga (Antongiovanni et al., 2018). Em geral, bovinos, caprinos e ovinos são criados em regime de liberdade, tendo acesso à vegetação nativa como base de sua dieta (Marinho et al. 2016). Na Caatinga e em outras regiões semiáridas, o pastejo tem sido associado à compactação do solo, redução na sobrevivência de plântulas e mudas, consumo de biomassa de dossel, alteração da riqueza e composição das plantas (Marinho et al. 2016). Além disso, a sinergia entre o efeito do gado pastando em remanescentes semiáridos e a invasão de espécies exóticas tem sido relatada (Hobbs, 2001). A pecuária é um distúrbio crônico na Caatinga que tem efeitos negativos sobre a diversidade de plantas (Ribeiro et al., 2015). | |||||
Referências:
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| Estresse | Ameaça | Declínio | Tempo | Incidência | Severidade |
|---|---|---|---|---|---|
| 2.2 Species disturbance | 5.3 Logging & wood harvesting | habitat,occurrence | past,present,future | regional | high |
| A extração de madeira para carvão, construção civil e uso doméstico tem sido uma ameaça generalizada à Caatinga por muitos séculos. Historicamente, árvores grandes e maduras eram altamente valiosas ao ponto de serem suprimidas a virtualmente desaparecerem da paisagem. O uso industrial das árvores da Caatinga para a produção de carvão, que é parcialmente feito de forma ilegal e descontrolada, contribui fortemente para modificar a densidade e a estrutura da vegetação remanescente (Gariglio et al., 2010). O uso de madeira e carvão para uso doméstico (por exemplo, forno a lenha) também não é desprezível, correspondendo a 30% do que é extraído anualmente (Gariglio et al., 2010). | |||||
Referências:
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| Ação | Situação |
|---|---|
| 5.1.2 National level | on going |
| A espécie foi avaliada como "Vulnerável" (VU) à extinção na lista vermelha da IUCN (Pires O'Brien, 1998). | |
Referências:
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| Ação | Situação |
|---|---|
| 1.1 Site/area protection | on going |
| Foi documentada nas seguintes Unidades de Conservação (SNUC):PARQUE NACIONAL SERRA DAS CONFUSÕES e PARQUE NACIONAL DA SERRA DA CAPIVARA. | |
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Referências: |
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| Ação | Situação |
|---|---|
| 5.1.2 National level | on going |
| A espécie foi avaliada como "Em Perigo" e está incluída no ANEXO I da Lista Nacional Oficial de Espécies da Flora Ameaçadas de Extinção (MMA, 2014). | |
Referências:
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| Ação | Situação |
|---|---|
| 2.1 Site/area management | needed |
| A espécie ocorre em territórios que possivelmente serão contemplados por Planos de Ação Nacional (PANs) Territoriais, no âmbito do projeto GEF pró-espécies: todos contra a extinção: Território Grão Mogol TER10 e Território Novo Jardim - TER12. | |
| Uso | Proveniência | Recurso |
|---|---|---|
| 17. Unknown | ||
| Não existem dados sobre usos efetivos ou potenciais. | ||