SAPOTACEAE

Pouteria butyrocarpa (Kuhlm.) T.D.Penn.

Como citar:

Eduardo Fernandez; Marta Moraes. 2019. Pouteria butyrocarpa (SAPOTACEAE). Lista Vermelha da Flora Brasileira: Centro Nacional de Conservação da Flora/ Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

CR

EOO:

146.984,577 Km2

AOO:

100,00 Km2

Endêmica do Brasil:

Sim

Detalhes:

Endêmica do Brasil (Alves-Araújo et al., 2019), foi documentada exclusivamente nos estados da BAHIA, Municípios de Arataca (Thomas 14516) Camacan (Alves-Araújo 1185), Ilhéus (Lemos 20025), Itacaré (Piotto 234), Ituberá (Matos 2006), Jussari (Amorim 2663), Maracás (Mori s.n.), Mucuri (Martinelli 19795); ESPÍRITO SANTO, Municípios de Colatina (Kuhlmann 28903), Linhares (Kuhlmann 221), Santa Teresa (Demuner 1144), Santa Leopoldina (Demuner et al. 2507); MINAS GERAIS, Município de Santa Rita do Itueto (Luz 225); RIO DE JANEIRO, Município de Silva Jardim (Luchiari 760).

Avaliação de risco:

Ano de avaliação: 2019
Avaliador: Eduardo Fernandez
Revisor: Marta Moraes
Critério: A2c
Categoria: CR
Justificativa:

Árvore de até 35 m, endêmica do Brasil (Alves-Araújo et al., 2019). Conhecida popularmente como cupão, fruta-de-manteiga e pão-do-mato, foi documentada em Floresta de Tabuleiro (Floresta Ombrófila e Floresta Estacional Semidecidual), preferencialmente em avançado estado de conservação, associada a Mata Atlântica nos estados da Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Apresenta distribuição restrita, AOO=100 km² e ocorrência exclusiva às florestas de baixada destes três estados. Os estados da Bahia, Espírito Santo e Rio de Janeiro resguardam 11%, 10,5% e 18,7%, respectivamente, de remanescentes da Mata Atlântica original (SOS Mata Atlântica e INPE, 2019). Os ecossistemas florestais de terras baixas onde a espécie ocorre foram drasticamente afetados por atividades antrópicas altamente impactantes, como desmatamento para ampliação de áreas agrícolas e pastagens, corte seletivo de madeiras-de-lei, plantações de cana-de-açúcar, silvicultura, café, cacau, fogo, crescimento urbano e turístico desordenado (SEAMA 2018; Burla, 2011; Tavares e Zonta, 2010; Lumbreras et al., 2004; Rolim e Chiarello, 2004). No território do Norte Fluminense, onde foi documentada uma única vez em 1995 e aparenta ser bastante rara, o histórico de degradação acompanha atualmente a crescente taxa de urbanização (Lemos et al., 2014) e ampliação da especulação imobiliária e turismo desordenado (Costa, 2015). No Espírito Santo, vastas áreas foram ocupadas com plantios industriais homogêneos de Eucalyptus e Pinus (Siqueira et al., 2004), além de extensões consideráveis de cana-de-açúcar e cacau. Estimativas recentes indicam área de floresta remanescente na região sul e extremo-sul da Bahia entre 1% e 12%, dependendo da metodologia empregada (Lapig, 2019; MapBiomas, 2019). A espécie também parece ter sofrido muito intensamente com o corte seletivo (Oldfield et al., 1998), o que pode ter resultado em inúmeras extinções locais. Poderia ser considerada "Em perigo" (EN) por B2, uma vez que possui grande exigência ecológica a florestas clímax. Porém, com base nas taxas de remanescentes florestais disponíveis, infere-se declínio populacional entre 80%-90% ao longo das três últimas gerações da espécie (45 anos), estimada em 15 anos, além de declínio contínuo em AOO, EOO e extensão e qualidade de habitat. Diante do cenário, portanto, a espécie foi considerada "Criticamente em perigo" (CR) de extinção novamente. Recomenda-se ações de pesquisa (distribuição, números e tendências populacionais) e conservação (Plano de Ação) urgentes a fim de se garantir sua perpetuação na natureza, uma vez que a persistência dos vetores de stress descritos podem ampliar seu risco de extinção no futuro. É crescente a demanda para que se concretize o estabelecimento de um Plano de Ação Nacional (PAN) previsto para a região sul do estado da Bahia. Esforços conduzidos recentemente pelo Programa Arboretum não só encontraram novos indivíduos da espécie como possuem atualmente nove matrizes de P. butyrocarpa marcadas, já produzido cerca de 1137 mudas, das quais, 513 já foram reintroduzidas na natureza.

Último avistamento: 2016
Possivelmente extinta? Não
Severamente fragmentada? Sim
Razão para reavaliação? Other
Justificativa para reavaliação:

A espécie foi avaliada como "Em perigo de extinção" (EN) na lista vermelha da IUCN (Pires O'Brien, 1998). Posteriormente, avaliada pelo CNCFlora/JBRJ em 2013 (Martinelli e Moraes, 2013) e consta como "Criticamente em Perigo" (CR) na Portaria 443 (MMA, 2014), sendo então necessário que tenha seu estado de conservação re-acessado após cinco anos da última avaliação.

Houve mudança de categoria: Sim
Histórico:
Ano da valiação Categoria
2011 CR

Perfil da espécie:

Obra princeps:

Descrita originalmente em: Pennington, T., 1990. Flora Neotropica, Monograph 52: 501, f. 114a. Popularmente conhecida por cupão, fruta-de-manteiga e pão-do-mato (Alves-Araújo et al., 2019).

Valor econômico:

Potencial valor econômico: Sim
Detalhes: Pouteria butyrocarpa é uma espécie arbórea de grande porte, casca avermelhada e com látex com odor de amêndoas (Pennington, 1990). P. butyrocarpa possui tanto os frutos, como óleos e madeira extraídos (Oldfield et al., 1998).

População:

Flutuação extrema: Desconhecido
Detalhes: Chichorro et al. (2003) amostraram 4 ind. na Floresta Nacional do Rio Preto (FNRP), Conceição da Barra (ES). Martini et al. (2007) registraram 1 ind. no Parque Estadual Serra do Curundu, BA. Thomas et al. (2009) estimaram 7 ind./ha na Reserva Particular do Patrimônio Natural Serra do Teimoso (RST), Jussari, BA.
Referências:
  1. Chichorro, J.F.; Resende, J.L.P.; Leite, H.G., 2003. Equações de volume e de taper para quntificar multiprodutos da madeira em floresta Atlântica. Arvore, v. 27, n. 6, p. 799-809.
  2. Martini, A.; Fiaschi, P.; Amorim, A.; Paixão, J.MARTINI, A.; FIASCHI, P.; AMORIM, A.; PAIXÃO, J. A hot-point within a hot-spot: a high diversity site in Brazil?s Atlantic Forest. Biodiversity and Conservation, v. 16, n. 11, p. 3111-3128, 2007. A hot-point within a hot-spot: a high diversity site in Brazil?s Atlantic Forest. Biodiversity and Conservation, v. 16, n. 11, p. 3111-3128, 2007.MARTINI, A.; FIASCHI, P.; AMORIM, A.; PAIXÃO, J. A hot-point within a hot-spot: a high diversity site in Brazil?s Atlantic Forest. Biodiversity and Conservation, v. 16, n. 11, p. 3111-3128, 2007.
  3. Thomas, W.W.; Jardim, J.G.; Fiaschi, P.; Mariano Neto, E.; Amorim, A.M. , 2009.Composição florística e estrutura do componente arbóreo de uma área transicional de Floresta Atlântica no sul da Bahia, Brasil. Revista Brasil. Bot., v. 32, n. 1, p. 65-78.

Ecologia:

Substrato: terrestrial
Forma de vida: tree
Fenologia: perenifolia
Longevidade: perennial
Luminosidade: esciophytic, mesophytic
Biomas: Mata Atlântica
Vegetação: Floresta Ombrófila (Floresta Pluvial), Floresta Estacional Semidecidual
Fitofisionomia: Floresta Ombrófila Densa, Floresta Estacional Semidecidual
Habitats: 1.6 Subtropical/Tropical Moist Lowland Forest
Clone: unkown
Rebrotar: unkown
Detalhes: Árvore terrestre de até 35 m, ecologicamente climácica; documentada em exclusivamente em Floresta de Tabuleiro (Floresta Ombrófila e Floresta Estacional Semidecidual) associadas a Mata Atlântica nos estados da Bahia, Espírito Santo e Rio de Janeiro (Alves-Araújo et al., 2019).
Referências:
  1. Alves-Araújo, A., Faria, A.D., Ribeiro, J.E.L.S., Monteiro, M.H., 2019. Pouteria in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro.Disponível em: <http://reflora.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB14510>. Acesso em: 25 Jul. 2019

Reprodução:

Detalhes: Foi documentada com flores e frutos entre setembro e maio (Alves-Araújo, 2012).
Fenologia: flowering (Sep~May), fruiting (Sep~May)
Sistema sexual: dioecious
Referências:
  1. Alves-Araújo, A., 2012. Taxonomia e filogenia de Pouteria Aubl. (Sapotaceae) na Mata Atlântica setentrional. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação, UFPE - Recife, PE.

Ameaças (5):

Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.1 Ecosystem conversion 2 Agriculture & aquaculture habitat,occurrence past,present regional very high
Os estados da Bahia, Espírito Santo e Rio de Janeiro resguardam 11%, 10,5% e 18,7%, respectivamente, de remanescentes da Mata Atlântica original (SOS Mata Atlântica e INPE, 2019). Os municípios em que ocorre sofrem intensamente com atividades ligadas ao agronegócio, como silvicultura em larga escala (Eucalyptus spp.), café, cana-de-açúcar e criação de gado (Lapig, 2019). Subsequentes ciclos econômicos, como o da exploração da madeira, da agricultura cafeeira, dos "reflorestamentos" homogêneos (Pinus e Eucalyptus), a incidência de espécies exóticas invasoras representam as maiores ameaças a biodiversidade de plantas dos estados (Simonelli e Fraga, 2007). As florestas de terras baixas de Alagoas até a costa sul da Bahia têm sido ameaçadas pelo desmatamento, em consequência dos plantios de cocos, manejo da cabruca, seringais, dendê, piaçava, agropecuária extensiva e pelo aumento da atividade turística e especulação imobiliária (Alger e Caldas,1996; Paciência e Prado, 2005).
Referências:
  1. Fundação SOS Mata Atlântica e INPE, 2019. Atlas dos remanescentes florestais da Mata Atlântica. Período 2016-2017. Relatório Técnico, São Paulo, 35p.
  2. Lapig, 2019. http://maps.Lapig.iesa.ufg.br/Lapig.html (acesso em 31 de agosto 2018).
  3. Simonelli, M., Fraga, C. N. (ORG.)., 2007. Espécies da Flora Ameaçadas de Extinção no Estado do Espírito Santo. Vitória, ES: IPEMA, 144 p.
  4. Alger, K., Caldas, M., 1996. Cacau na Bahia: Decadência e ameaça a Mata Atlântica. Ciência Hoje, 20(117):28- 35.
  5. Paciencia, M.L.B., Prado, J., 2005. Effects of forest fragmentation on pteridophyte diversity in a tropical rain forest in Brazil. Plant Ecol. 180, 87–104.
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.1 Ecosystem conversion 2.1.3 Agro-industry farming habitat,occurrence past,present regional very high
A área relativamente grande ocupada por categorias de uso do solo como pastagem, agricultura e solo descoberto, e a pequena área relativa ocupada por floresta em estágio avançado de regeneração revelam o alto grau de fragmentação da Mata Atlântica no Sul-Sudeste da Bahia (Landau, 2003, Saatchi et al., 2001). Grande parte das florestas úmidas do sul da Bahia estão fragmentadas como resultado da atividade humana realizadas no passado, tais como o corte madeireiro e implementação da agricultura (Paciencia e Prado, 2005). Estima-se que a região tenha 30.000 ha de cobertura florestal (Paciencia e Prado, 2005), 40.000 ha em estágio inicial de regeneração e 200.000 ha em área de pasto e outras culturas, especialmente cacau, seringa, piaçava e dendê (Alger e Caldas, 1996). A maioria das propriedades particulares são fazendas de cacau, o principal produto da agricultura (Paciencia e Prado, 2005), sendo a cabruca considerada a principal categorias de uso do solo na região econômica Litoral Sul da Bahia (Landau, 2003). Nas florestas litorâneas atlânticas dos estados da Bahia e Espírito Santo, cerca de 4% da produção mundial de cacau (Theobroma cacao L.) e 75% da produção brasileira é obtida no que é chamado localmente de "sistemas de cabruca". Neste tipo especial de agrossilvicultura o sub- bosque é drasticamente suprimido para dar lugar a cacaueiros e a densidade de árvores que atingem o dossel é significativamente reduzida (Rolim e Chiarello, 2004, Saatchi et al., 2001). De acordo com Rolim e Chiarello (2004) os resultados do seu estudo mostram que a sobrevivência a longo prazo de árvores nativas sob sistemas de cabruca estão sob ameaça se as atuais práticas de manejo continuarem, principalmente devido a severas reduções na diversidade de árvores e desequilíbrios de regeneração. Tais resultados indicam que as florestas de cabrucas não são apenas menos diversificadas e densas do que as florestas secundárias ou primárias da região, mas também que apresentam uma estrutura onde espécies de árvores dos estágios sucessionais tardios estão se tornando cada vez mais raras, enquanto pioneiras e espécies secundárias estão se tornando dominantes (Rolim e Chiarello, 2004). Isso, por sua vez, resulta em uma estrutura florestal drasticamente simplificada, onde espécies secundárias são beneficiadas em detrimento de espécies primárias (Rolim e Chiarello, 2004).
Referências:
  1. Landau, E.C., 2003. Padrões de ocupação espacial da paisagem na Mata Atlântica do sudeste da Bahia, Brasil, in: Prado, P.I., Landau, E.C., Moura, R.T., Pinto, L.P.S., Fonseca, G.A.B., Alger, K. (Orgs.), Corredor de biodiversidade da Mata Atlântica do sul da Bahia. IESB/CI/CABS/UFMG/UNICAMP, Ilhéus, p. 1–15.
  2. Saatchi, S., Agosti, D., Alger, K., Delabie, J., Musinsky, J., 2001. Examining fragmentation and loss of primary forest in the Southern Bahian Atlantic Forest of Brazil with radar imagery. Conserv. Biol. 15, 867– 875.
  3. Paciencia, M.L.B., Prado, J., 2005. Effects of forest fragmentation on pteridophyte diversity in a tropical rain forest in Brazil. Plant Ecol. 180, 87–104.
  4. Alger, K., Caldas, M., 1996. Cacau na Bahia: Decadência e ameaça a Mata Atlântica. Ciência Hoje, 20(117):28- 35.
  5. Landau, E.C., 2003. Padrões de ocupação espacial da paisagem na Mata Atlântica do sudeste da Bahia, Brasil, in: Prado, P.I., Landau, E.C., Moura, R.T., Pinto, L.P.S., Fonseca, G.A.B., Alger, K. (Orgs.), Corredor de biodiversidade da Mata Atlântica do sul da Bahia. IESB/CI/CABS/UFMG/UNICAMP, Ilhéus, p. 1–15.
  6. Rolim, S.G., Chiarello, A.G., 2004. Slow death of Atlantic forest trees in cocoa agroforestry in southeastern Brazil. Biodivers. Conserv. 13, 2679–2694.
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.1 Ecosystem conversion 2.1.3 Agro-industry farming locality,occurrence present,present,future local very high
Linhares (ES) está entre os municípios brasileiros produtores de cana-de-açúcar, cujos plantíos iniciaram a partir da década de 1980 e substituíram as florestas nativas e áreas de tabuleiros (Mendonza et al., 2000; Oliveira et al., 2014; Pinheiro et al., 2010; Tavares e Zonta, 2010). Tais cultivos são associados a prática da queima dos canaviais, com a finalidade de diminuir a quantidade de palha e facilitar a colheita (Mendonza et al., 2000; Oliveira et al., 2014; Pinheiro et al., 2010; Tavares e Zonta, 2010). De acordo com a Resolução MAPA no 241/2010, Linhares é um dos municípios indicados para o plantio de novas áreas de cana-de-açúcar, destinadas à produção de etanol e açúcar. A Conab (2018) estima uma área de cana-de-açúcar de 47,6 e 45,3 mil ha, respectivamente para as safras 2017/2018 e 2018/2019 no Espírito Santo.
Referências:
  1. Mendonza, H.N.S., Lima, E., Anjos, L.H.C., Silva, L.A., Ceddia, M.B., Antunes, M.V.M., 2000. Propriedades químicas e biológicas de solo de tabuleiro cultivado com cana-de-açúcar com e sem queima da palhada. Rev. Bras. Ciência do Solo 24, 201–207.
  2. Oliveira, A.P.P. de, Lima, E., Anjos, L.H.C. dos, Zonta, E., Pereira, M.G., 2014. Sistemas de colheita da cana-de-açúcar: conhecimento atual sobre modificações em atributos de solos de tabuleiro. Rev. Bras. Eng. Agrícola e Ambient. 18, 939–947.
  3. Pinheiro, É.F.M., Lima, E., Ceddia, M.B., Urquiaga, S., Alves, B.J.R., Boddey, R.M., 2010. Impact of pre-harvest burning versus trash conservation on soil carbon and nitrogen stocks on a sugarcane plantation in the Brazilian Atlantic forest region. Plant Soil 333, 71–80.
  4. Tavares, O.C.H., Zonta, E.L. e E., 2010. Crescimento e produtividade da cana planta cultivada em diferentes sistemas de preparo do solo e de colheita. Acta Sci. - Agron. 32, 61–68.
  5. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, 2010. Resolução MAPA no 241, de 09 de Agosto de 2010. Diário Of. da União, de 10 de Agosto de 2010.
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.1 Ecosystem conversion 2.2.2 Agro-industry plantations habitat,occurrence past,present,future local high
Nas florestas litorâneas atlânticas dos estados da Bahia e Espírito Santo, cerca de 4% da produção mundial de cacau (Theobroma cacao L.) e 75% da produção brasileira é obtida no que é chamado localmente de "sistemas de cabruca". Neste tipo especial de agrossilvicultura o sub-bosque é drasticamente suprimido para dar lugar a cacaueiros e a densidade de árvores que atingem o dossel é significativamente reduzida (Rolim e Chiarello, 2004). De acordo com Rolim e Chiarello (2004) os resultados do seu estudo mostram que a sobrevivência a longo prazo de árvores nativas sob sistemas de cabruca estão sob ameaça se as atuais práticas de manejo continuarem, principalmente devido a severas reduções na diversidade de árvores e desequilíbrios de regeneração. Tais resultados indicam que as florestas de cabrucas não são apenas menos diversificadas e densas do que as florestas secundárias ou primárias da região, mas também que apresentam uma estrutura onde espécies de árvores dos estágios sucessionais tardios estão se tornando cada vez mais raras, enquanto pioneiras e espécies secundárias estão se tornando dominantes (Rolim e Chiarello, 2004). Isso, por sua vez, resulta em uma estrutura florestal drasticamente simplificada, onde espécies secundárias são beneficiadas em detrimento de espécies primárias (Rolim e Chiarello, 2004). O município de Linhares com território de 350371 ha, possui 11722 ha de área plantada com cana-de- açúcar e 10596 ha com floresta plantada (Lapig, 2019). O município de Linhares com 350371 ha, possui 34% de sua área (117270 ha) convertida em pastagem (Lapig 2018). Com 228781 ha de área ocupada com árvores de Eucalyptus, o Espírito Santo é o sexto estado da federação com a maior área plantada em 2014 (Ibá, 2015). O município de Colatina (ES) com 141680 ha tem 60492 ha (43%) de seu território convertidos em pastagem (Lapig, 2019).
Referências:
  1. Rolim, S.G., Chiarello, A.G., 2004. Slow death of Atlantic forest trees in cocoa agroforestry in southeastern Brazil. Biodivers. Conserv. 13, 2679–2694.
  2. Lapig, 2019. URL http://maps.Lapig.iesa.ufg.br/Lapig.html (acesso em 16 de jmaio 2019).
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.2 Ecosystem degradation 1.1 Housing & urban areas habitat past,present regional high
A região litoral sul do Espírito Santo apresenta elementos potenciais para o desenvolvimento de diversas atividades econômicas, sobretudo dos setores turístico e residencial. Entretanto, a não compatibilização dessas atividades com os recursos naturais disponíveis vem gerando modificações no meio físico/natural com elevado grau de desequilíbrio físico-territorial e ambiental, o que tem comprometido seriamente a estruturação do desenvolvimento regional (IPES, 2000). No território do Norte Fluminense é a crescente taxa de urbanização, com crescentes fluxos migratórios atraídos pela crescente oportunidade oferecida pelo setor petrolífero (Lemos et al., 2014). Adicionalmente, o setor do turismo vem sendo incentivado nas áreas Norte-Noroeste Fluminense, conhecidas como Costa Doce e Noroeste das Águas, respectivamente (Costa, 2015; SETUR, 2018).
Referências:
  1. IPES - Instituto de Apoio à Pesquisa e ao Desenvolvimento Jones dos Santos Neves. 2000. Região litoral sul: indicativos para o desenvolvimento – Anchieta, Guarapari, Itapemirim, Marataízes, Piúma, Presidente Kennedy. Vitória, 68p.
  2. Lemos, L.M.; Araujo, B.P.; Freitas, C.A. 2014. Dinâmicas territoriais no estado do Rio de Janeiro a partir dos anos de 1970: o Noroeste Fluminense e as Baixadas Litorâneas. Disponível em <http://www.cbg2014.agb.org.br/resources/anais/1/1404136739_ARQUIVO_CBG2014Bruna,CintiaeLinovaldo.pdf>. Acesso em 08 de dezembro de 2018.
  3. Costa, J.C. 2015. Os processos de apropriaçãi espacial da Praia dos Anjos e Praia Grande pelos visitantes e moradores de Arraial do Cabo, RJ. Monografia, Universidade Federal Fluminense, Niterói, 103p.
  4. SETUR 2018. Secretaria de Estado e Turismo. Disponível em <http://www.rj.gov.br/web/setur/exibeconteudo? article-id=2527548> . Acesso em 08 de dezembro de 2018.

Ações de conservação (6):

Ação Situação
1.1 Site/area protection on going
A espécie foi documentada dentro dos limites das seguintes Unidades de Conservação (SNUC): RESERVA BIOLÓGICA DE POÇO DAS ANTAS, RESERVA BIOLÓGICA AUGUSTO RUSCHI, FLORESTA NACIONAL DE GOYTACAZES, PARQUE NATURAL MUNICIPAL DE PIRAPUTANGAS, PARQUE NACIONAL DA SERRA DAS LONTRAS, ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL LAGOA ENCANTADA, PARQUE ESTADUAL DA SERRA DO CONDURU e ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL COSTA DE ITACARÉ/ SERRA GRANDE. Os registros de coleta indicam ainda a presença na RPPN Serra Bonita (Alves-Araújo 1189) e RPPN Serra do teimoso (Fiachi 1194).
Ação Situação
5.1.2 National level on going
A espécie foi avaliada como "Em perigo de extinção" (EN) na lista vermelha da IUCN (Pires O'Brien, 1998).
Referências:
  1. Pires O'Brien, J., 1998. Pouteria butyrocarpa. The IUCN Red List of Threatened Species 1998: e.T35820A9959774. http://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.1998.RLTS.T35820A9959774 (Acesso em 24 de setembro de 2019).
Ação Situação
5.1.2 National level on going
A espécie foi avaliada como "Criticamente em Perigo" e está incluída no ANEXO I da Lista Nacional Oficial de Espécies da Flora Ameaçadas de Extinção (MMA, 2014).
Referências:
  1. Ministério do Meio Ambiente (MMA), 2014. Portaria no 443/2014. Anexo I. Lista Nacional Oficial de Espécies da Flora Ameaçadas de Extinção. Disponível em: http://dados.gov.br/dataset/portaria_443. Acesso em 14 de abril 2019.
Ação Situação
2.1 Site/area management needed
A espécie ocorre em territórios que possivelmente serão contemplados por Planos de Ação Nacional (PANs) Territoriais, no âmbito do projeto GEF pró-espécies: todos contra a extinção: Território Espírito Santo - TER33, Território Jussari - TERR35 e Território Maracás - TER40.
Ação Situação
3.4.1 Captive breeding/artificial propagation on going
Estão sendo produzidas pelo Programa Arboretum, no extremo sul da Bahia, 1137 mudas de P. butyrocarpa a partir de 3 matrizes, de um total de 9 matrizes levantadas pelo Programa e sua rede de coletores de sementes e viveiros.
Ação Situação
3.2 Species recovery on going
O Programa Arboretum já efetuou o plantio de 513 mudas de cupão em 4 de seus núcleos principais.

Ações de conservação (3):

Uso Proveniência Recurso
1. Food - human natural fruit
P. butyrocarpa possui os frutos extraídos para consumo, sendo bastante apreciados (Oldfield et al., 1998).
Referências:
  1. Oldfield, S.; Lusty, C.; Mackinven, A., 1998. The World List of Threatened Trees. Cambridge, UK: World Conservation Press,650 p.
Uso Proveniência Recurso
3. Medicine - human and veterinary natural whole plant
P. butyrocarpa possui como óleos extraidos (Oldfield et al., 1998).
Referências:
  1. Oldfield, S.; Lusty, C.; Mackinven, A., 1998. The World List of Threatened Trees. Cambridge, UK: World Conservation Press,650 p.
Uso Proveniência Recurso
9. Construction/structural materials natural fruit
P. butyrocarpa possui a madeira extraída pelo seu alto valor e aplicabilidade (Oldfield et al., 1998).
Referências:
  1. Oldfield, S.; Lusty, C.; Mackinven, A., 1998. The World List of Threatened Trees. Cambridge, UK: World Conservation Press,650 p.