Eduardo Amorim; Eduardo Fernandez. 2022. Philodendron carajasense (Araceae). Lista Vermelha da Flora Brasileira: Centro Nacional de Conservação da Flora/ Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
Espécie endêmica do Brasil (Sakuragui et al., 2020), com distribuição: no estado do Pará — nos municípios Canaã dos Carajás e Parauapebas. Endêmica da Serra dos Carajás, onde foi registrada na Serra Sul: S11A,S11D e Serra da Bocaina; e Serra Norte: N1, N4 e N7 (Coelho, 2018).
A espécie é uma Erva reofítica, ou seja, ocorrendo ao longo das margens dos cursos d'água. Registrada somente para o estado do Pará, na Serra dos Carajás, possui um EOO igual a 1131km², AOO igual a 52km² e três situações de ameaças. Considerando a mineração e as atividades pecuaristas como as principais ameaças que possam comprometer a presença da espécie em sua localidade. Diante a isso, infere-se declínio de qualidade de habitat, visto que a tendência de perda de áreas naturais na AOO (a uma taxa de -0.42% ao ano) desde 1985 até 2020, decorrente do crescimento da conversão de áreas para uso alternativo do solo (a uma taxa de 0, 42% ao ano). Assim, a espécie foi avaliada como Em Perigo (EN) de extinção. Recomendam-se pesquisas por estimativas populacionais, buscas por novas localidades e ainda, ações de conservação ex situ, garantindo a perpetuação na natureza.
Descrita em: Nordic Journal of Botany 32(5): 536–538, f. 1A–H, 2, 3. 2014[2013]. É reconhecida pela bainha foliar fechada e quase do mesmo tamanho do pecíolo e número de nervuras secundárias de 8–11 pares (Coelho, 2018). É afim de Philodendron guttiferum Kunth e P. flumineum E. G. Gonç., mas difere de P. guttiferum por ter uma espata totalmente amarelada na antese (não verde com ápice branco ou creme), óvulos mais longos que os funículos (não muito mais curtos) e pelo hábito reofítico (não trepador alto) e de P. flumineum E. G. Gonç. pela bainha foliar involuta (não expandida), caule frouxamente pressionado ao substrato (não enraizando ao longo do caule florido), óvulo mais longo que o funículo (não muito mais curto) e folhas secando marrom escuro (não verde acinzentado) (Gonçalves e Arruda, 2014).
| Estresse | Ameaça | Declínio | Tempo | Incidência | Severidade |
|---|---|---|---|---|---|
| 1.1 Ecosystem conversion | 2.3.4 Scale Unknown/Unrecorded | habitat | past,present,future | regional | high |
| De acordo com o MapBiomas, os municípios Canaã dos Carajás (PA) e Parauapebas (PA) possuem, respectivamente, 45,92% (144502,95ha) e 14,48% (99702,14ha) de seus territórios convertidos em áreas de pastagens, segundo dados de 2020 (MapBiomas, 2022). De acordo com o Atlas das Pastagens Brasileiras, os municípios Canaã dos Carajás (PA) e Parauapebas (PA) possuem, respectivamente, 41,98% (132112,07ha) e 12,78% (88005,05ha) de seus territórios convertidos em áreas de pastagem, segundo dados de 2020 (Lapig, 2022). | |||||
Referências:
|
|||||
| Estresse | Ameaça | Declínio | Tempo | Incidência | Severidade |
|---|---|---|---|---|---|
| 1.1 Ecosystem conversion | 3.2 Mining & quarrying | habitat,occupancy | past,present,future | regional | very high |
| Em 2020, a espécie apresentava 6,27% (326,07 ha) da sua AOO convertidos em áreas de mineração, atividade que cresce a uma taxa de 0,09% aa desde 1985 até 2020. Não foi verificada qualquer reversão de tendência (MapBiomas, 2022). Encontram-se em atividade no interior da Flona de Carajás minas de ferro e manganês, além de áreas alteradas por exploração de cobre, ouro e areia. As minas de ferro são a céu aberto e todo o processo de extração mineral, tais como avanço de cava, construção e alteamento de barragens e empilhamento de estéril, acarretam alterações na paisagem com supressão vegetal, incluindo florestas e formas abertas. Apesar das atividades minerárias utilizarem menos de 2% da área da Flona de Carajás, a pressão sobre a vegetação sobre canga é extrema, uma vez que este ecossistema está presente em apenas 3% da Flora, coincidindo com os espaços de concentração das cavas. Diversas áreas cobertas de canga estão em processo de licenciamento para implantação de novas minas, não havendo, até o momento, uma definição de zoneamento que aponte áreas de vegetação ferruginosa (canga) destinadas à conservação (Mota et al., 2015). | |||||
Referências:
|
|||||
| Estresse | Ameaça | Declínio | Tempo | Incidência | Severidade |
|---|---|---|---|---|---|
| 1.2 Ecosystem degradation | 7.1.3 Trend Unknown/Unrecorded | habitat,habitat | past,present,future | regional | medium |
| Um total de 14,43% (7,5km²) da AOO útil da espécie queimaram em 2020 [Mineração (7,63%), Formação Campestre (6,05%), Savana (0,61%), Floresta (0,1%), Outras lavouras temporárias (0,04%)] (MapBiomas-Fogo, 2022). | |||||
Referências:
|
|||||
| Ação | Situação |
|---|---|
| 5.1.2 National level | needed |
| A espécie ocorre em território que poderá ser contemplado por Plano de Ação Nacional (PAN) Territorial, no âmbito do projeto GEF Pró-Espécies - Todos Contra a Extinção: Território PAT Meio Norte - 1 (PA). | |
| Ação | Situação |
|---|---|
| 1.1 Site/area protection | on going |
| A espécie foi registrada nas seguintes Unidades de Conservação: Floresta Nacional de Carajás e Parque Nacional dos Campos Ferruginosos. | |
| Uso | Proveniência | Recurso |
|---|---|---|
| 17. Unknown | ||
| Não existem dados sobre usos efetivos ou potenciais. | ||