Fabaceae

Moldenhawera blanchetiana Tul.

Como citar:

Marta Moraes; undefined. 2018. Moldenhawera blanchetiana (Fabaceae). Lista Vermelha da Flora Brasileira: Centro Nacional de Conservação da Flora/ Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

VU

EOO:

31.348,434 Km2

AOO:

168,00 Km2

Endêmica do Brasil:

Sim

Detalhes:

Espécie endêmica do Brasil (Vivas e Queiroz, 2018), com ocorrência nos estados: BAHIA, município de Una (Vivas 248), Nilo Peçanha (Santos 2872), Cairú (Vivas 235), Itacaré (Vivas 250), Conde (Jost et al. 390), Maraú (Santos 2173), Valença (Queiroz 16158), Jandaíra (Hatschbach 63176), Igrapiuna (Guedes et al. 10034), Canavieiras (Magalhães 153), Camamu (Miranda 5077), Valença (Vivas 265), Salvador (Queiroz 1949), Ilhéus (Fiaschi et al. 2709), Ubaitaba (Queiroz 2521), Ituberá (Guedes et al. 12069), Uruçuca (Queiroz 9215), Entre Rios (Carvalho-Sobrinho 2845), Santa Cruz de Cabralia (Santos 908), Porto Seguro (Matos 1817).

Avaliação de risco:

Ano de avaliação: 2018
Avaliador: Marta Moraes
Revisor:
Critério: B2ab(i,ii,iii)
Categoria: VU
Justificativa:

Árvore de 22 m de altura endêmica do Brasil, popularmente conhecida por Braúna-preta ou Faveca, foi registrada no estado da Bahia, coletada na Floresta Ombrófila e na Mata de Restinga, associadas à Mata Atlântica (Vivas e Queiroz, 2018). Apresenta EOO=26188 km², AOO=172 km², e sete situações de ameaça. Embora tendo sido coletada em Unidades de Conservação, a espécie tem como principal ameaça o fato de grande parte das florestas úmidas do sul da Bahia estarem fragmentadas, como resultado das atividades humanas realizadas no passado, tais como o corte madeireiro e implementação da agricultura (Paciencia e Prado, 2005). A área relativamente grande ocupada por categorias de uso do solo como pastagem, agricultura e solo descoberto, e a pequena área relativa ocupada por floresta em estágio avançado de regeneração revelam o alto grau de fragmentação da Mata Atlântica no Sul-Sudeste da Bahia (Landau, 2003; Saatchi et al., 2001). Resultados de estudo sobre o manejo da cabruca mostram que a sobrevivência, a longo prazo de árvores nativas estão sob ameaça se as atuais práticas de manejo persistirem (Rolim e Chiarello 2004). Suspeita-se que esteja havendo declínio contínuo de EOO, AOO, e qualidade do hábitat da espécie. Por estes parâmetros categorizamos Moldenhawera blanchetiana como Vulnerável (VU), demandando ações de pesquisa (distribuição, tendências e números populacionais) a fim de se ampliar o conhecimento disponível para uma melhor categorização no futuro.

Último avistamento: 2015
Quantidade de locations: 7
Possivelmente extinta? Não

Perfil da espécie:

Obra princeps:

Descrita em: Arch. Mus. Hist. Nat. iv. (1844) 158. Popularmente conhecida por braúna-preta e faveca no estado da Bahia.

Valor econômico:

Potencial valor econômico: Sim
Detalhes: A árvore produz uma madeira de baixa qualidade que às vezes é colhida na natureza para uso local(Tropical Plants Database, 2018). Muito ornamental quando em flor, tem potencial para uso em paisagismo em parques e grandes jardins (Tropical Plants Database, 2018).

População:

Detalhes: Não existem dados sobre a população.

Ecologia:

Substrato: terrestrial
Forma de vida: tree
Biomas: Mata Atlântica
Vegetação: Restinga, Floresta Ombrófila (Floresta Pluvial)
Fitofisionomia: Vegetação de Restinga
Habitats: 1.6 Subtropical/Tropical Moist Lowland Forest
Detalhes: Árvores até 22 m de altura (Fiaschi 2709), ocorrendo nos domínios da Mata Atlântica (Vivas e Queiroz, 2018), na Floresta Ombrófila e na Restinga arbórea.
Referências:
  1. Vivas, C.V.; Queiroz, L.P. Moldenhawera in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro.Disponível em: <http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB28149>. Acesso em: 17 Dez. 2018

Ameaças (4):

Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.1 Ecosystem conversion 5.3 Logging & wood harvesting habitat past,present,future national very high
Perda de habitat como consequência do desmatamento pelo desenvolvimento urbano, mineração, agricultura e pecuária representa a maior causa de redução na biodiversidade da Mata Atlântica. Estima-se que restem apenas entre 11,4% a 16% da vegetação original deste hotspot, e cerca de 42% da área florestal total é representada por fragmentos menores que 250 ha (Ribeiro et al., 2009). Os centros urbanos mais populosos do Brasil e os maiores centros industriais e de silvicultura encontram-se na área original da Mata Atlântica (Critical Ecosystem Partnership Fund, 2001).
Referências:
  1. Critical Ecosystem Partnership Fund (CEPF), 2001. Atlantic Forest Biodiversity Hotspot, Brazil. Ecosystem Profiles. https://www.cepf.net/sites/default/files/atlantic-forest-ecosystem-profile-2001-english.pdf (acesso em 31 de agosto 2018).
  2. Ribeiro, M.C., Metzger, J.P., Martensen, A.C., Ponzoni, F.J., Hirota, M.M., 2009. The Brazilian Atlantic Forest: How much is left, and how is the remaining forest distributed? Implications for conservation. Biol. Conserv. 142, 1141–1153.
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.1 Ecosystem conversion 2 Agriculture & aquaculture habitat,locality,occupancy,occurrence past,present,future regional very high
Os principais produtos agro-extrativistas do município de Valença são: Coco da Bahia, mandioca, cacau, dendê, banana, abacaxi e café (Lessa, 2007). A área relativamente grande ocupada por categorias de uso do solo como pastagem, agricultura e solo descoberto, e a pequena área relativa ocupada por floresta em estágio avançado de regeneração revelam o alto grau de fragmentação da Mata Atlântica no Sul-Sudeste da Bahia (Landau, 2003; Saatchi et al., 2001). Grande parte das florestas úmidas do sul da Bahia estão fragmentadas como resultado da atividade humana realizadas no passado, tais como o corte madeireiro e implementação da agricultura (Paciencia e Prado, 2005). Estima-se que a região tenha 30.000 ha de cobertura florestal (Paciencia e Prado, 2005), 40.000 ha em estágio inicial de regeneração e 200.000 ha em área de pasto e outras culturas, especialmente cacau, seringa, piaçava e dendê (Alger e Caldas, 1996). A maioria das propriedades particulares são fazendas de cacau, o principal produto da agricultura (Paciencia e Prado, 2005), sendo a cabruca considerada a principal categorias de uso do solo na região econômica Litoral Sul da Bahia (Landau, 2003). Nas florestas litorâneas atlânticas dos estados da Bahia e Espírito Santo, cerca de 4% da produção mundial de cacau (Theobroma cacao L.) e 75% da produção brasileira é obtida no que é chamado localmente de "sistemas de cabruca". Neste tipo especial de agrossilvicultura o sub-bosque é drasticamente suprimido para dar lugar a cacaueiros e a densidade de árvores que atingem o dossel é significativamente reduzida (Rolim e Chiarello, 2004; Saatchi et al., 2001). De acordo com Rolim e Chiarello (2004) os resultados do seu estudo mostram que a sobrevivência a longo prazo de árvores nativas sob sistemas de cabruca estão sob ameaça se as atuais práticas de manejo continuarem, principalmente devido a severas reduções na diversidade de árvores e desequilíbrios de regeneração. Tais resultados indicam que as florestas de cabrucas não são apenas menos diversificadas e densas do que as florestas secundárias ou primárias da região, mas também que apresentam uma estrutura onde espécies de árvores dos estágios sucessionais tardios estão se tornando cada vez mais raras, enquanto pioneiras e espécies secundárias estão se tornando dominantes (Rolim e Chiarello, 2004). Isso, por sua vez, resulta em uma estrutura florestal drasticamente simplificada, onde espécies secundárias são beneficiadas em detrimento de espécies primárias (Rolim e Chiarello, 2004).
Referências:
  1. Alger, K., Caldas, M., 1996. Cacau na Bahia: Decadência e ameaça a Mata Atlântica. Ciência Hoje, 20, 28-35.
  2. Landau, E.C., 2003. Padrões de ocupação espacial da paisagem na Mata Atlântica do sudeste da Bahia, Brasil, in: Prado, P.I., Landau, E.C., Moura, R.T., Pinto, L.P.S., Fonseca, G.A.B., Alger, K. (Orgs.), Corredor de biodiversidade da Mata Atlântica do sul da Bahia. IESB/CI/CABS/UFMG/UNICAMP, Ilhéus, p. 1–15.
  3. Paciencia, M.L.B., Prado, J., 2005. Effects of forest fragmentation on pteridophyte diversity in a tropical rain forest in Brazil. Plant Ecol. 180, 87–104.
  4. Rolim, S.G., Chiarello, A.G., 2004. Slow death of Atlantic forest trees in cocoa agroforestry in southeastern Brazil. Biodivers. Conserv. 13, 2679–2694.
  5. Saatchi, S., Agosti, D., Alger, K., Delabie, J., Musinsky, J., 2001. Examining fragmentation and loss of primary forest in the Southern Bahian Atlantic Forest of Brazil with radar imagery. Conserv. Biol. 15, 867–875.
  6. Lessa, C.M., 2007. Identificação das áreas prioritárias para a conservação da sociobiodiversidade na zona estuarina da costa do dendê, Bahia. Universidade de Brasília. Instituto de ciências humanas. Departamento de Geografia. http://repositorio.unb.br/bitstream/10482/1094/1/Dissertacao_2007CarlaMichelleLessa.pdf. (Acesso em: 9 de Julho de 2018).
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.1 Ecosystem conversion 2.3 Livestock farming & ranching habitat past,present,future regional medium
O município de Porto Seguro com 228626ha possui 24% de seu território (54866ha) transformado em pastagem. (Lapig2018) O município de Janadaíra com 63952 ha tem 11,4% de seu território (7286 ha) ocupados por pastagem (Lapig, 2018).
Referências:
  1. Lapig, 2018. http://maps.Lapig.iesa.ufg.br/Lapig.html (acesso em 17 de dezembro de 2018).
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.3 Indirect ecosystem effects 1 Residential & commercial development locality,occupancy,occurrence present,future regional high
Segundo Silva (2002), uma preocupação é a forte erosão genética que populações naturais da espécie vêm sofrendo, principalmente por influências antrópicas causadas por empreendimentos imobiliários nos municípios com potencialidade turístico, a exemplo de Ilhéus, Valença, Itacaré e Porto Seguro.

Ações de conservação (1):

Ação Situação
1.1 Site/area protection on going
A espécie foi registrada na RPPN Nova Angélica (US), RPPN Capitão (US), Reserva Biológica de Una (PI), Centro de Pesquisas do Cacau (US), Parque Estadual Serra do Conduru (PI),Reserva Ecológica da Michelin (US), Parque Nacional do Pau Brasil (PI).

Ações de conservação (2):

Uso Proveniência Recurso
9. Construction/structural materials natural stalk
A madeira é adequada apenas para uso em construções gerais como vigas, escantilhões, divisórias, etc (Tropical Plants Database, 2018).
Referências:
  1. Tropical Plants Database, 2018. Ken Fern.http://tropical.theferns.info/viewtropical.php?id=Moldenhawera+blanchetiana. (acesso em 12 de novembro 2018).
Uso Proveniência Recurso
13. Pets/display animals, horticulture cultivated whole plant
Muito ornamental quando em flor, tem potencial para uso em paisagismo em parques e grandes jardins (Tropical Plants Database, 2018).
Referências:
  1. Tropical Plants Database, 2018. Ken Fern.http://tropical.theferns.info/viewtropical.php?id=Moldenhawera+blanchetiana. (acesso em 12 de novembro 2018).