Asteraceae

Maschalostachys markgrafii (G.M. Barroso) Loeuille & Roque

Como citar:

Eduardo Fernandez; Marta Moraes. 2019. Maschalostachys markgrafii (Asteraceae). Lista Vermelha da Flora Brasileira: Centro Nacional de Conservação da Flora/ Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

EN

EOO:

19.605,519 Km2

AOO:

100,00 Km2

Endêmica do Brasil:

Sim

Detalhes:

Espécie endêmica do Brasil (Loeuille, 2019), com ocorrência no estado: MINAS GERAIS, municípios Botumirim (Mello-Silva 3006), Francisco Dumont (Loeuille 636), Grão Mogol (Semir 9606), Joaquim Felício (Scatigna 88), Lassance (Pirani 4635), Montes Claros (Gibbs 5081), Rio Pardo de Minas (Lombardi 9061).

Avaliação de risco:

Ano de avaliação: 2019
Avaliador: Eduardo Fernandez
Revisor: Marta Moraes
Critério: B2ab(iii)
Categoria: EN
Justificativa:

Árvores de até 5 m, endêmica do Brasil (Loeuille, 2019). Foi documentada exclusivamente em Campos Rupestres associados ao Cerrado e a Caatinga no estado de Minas Gerais. Apresenta distribuição restrita a Cadeia do Espinhaço, atualmente severamente fragmentada, cinco situações de ameaça, considerando-se as regiões geográficas em que foi documentada, e AOO=88 km². Mineração a céu aberto, queimadas, extração de madeira e espécies invasoras são grandes ameaças nos Campos Rupestres (Kolbek e Alves, 2008, Silveira et al., 2016). Embora a maioria das espécies de Campos Rupestres pareça ser resistente ao fogo (Kolbek e Alves, 2008, Silveira et al., 2016), essa prática intensifica a disseminação do capim invasivo Melinis minutiflora, que é capaz de crescer novamente em áreas queimadas mais rápido que a maioria das espécies nativas, formando uma cobertura densa e impedindo a regeneração das espécies nativas (Kolbek e Alves, 2008). Em estudo de degradação ambiental causada pela agricultura em Minas Gerais, o município de Grão Mogol obteve um índice de degradação ambiental de 91% (Fernandes et al., 2005). Adicionalmente, atividades turísticas desordenadas também constituem risco para a conservação das espécies ameaçadas da Cadeia do Espinhaço (Silva et al., 2008). Finalmente, muitos dos municípios que fazem parte da Cadeia do Espinhaço e onde a espécie foi registrada sofrem com os impactos oriundos da silvicultura, atividade de impacto alto porque leva a supressão vegetal total, causando perda de biodiversidade e fragmentação de habitats (Silva et al., 2008). Diante desse cenário, infere-se declínio contínuo em extensão e qualidade do habitat. Assim, M. markgrafii foi considerada Em Perigo (EN) de extinção novamente. Recomenda-se ações de pesquisa (censo e tendências populacionais) e conservação (Plano de Ação) urgentes a fim de se garantir sua perpetuação na natureza no futuro, pois as pressões verificadas ao longo de sua distribuição podem ampliar seu risco de extinção. É crescente a demanda para que se concretize o estabelecimento de um Plano de Ação Nacional (PAN) previsto para sua região de ocorrência.

Último avistamento: 2012
Quantidade de locations: 5
Possivelmente extinta? Não
Severamente fragmentada? Sim
Razão para reavaliação? Other
Justificativa para reavaliação:

A espécie foi avaliada pelo CNCFlora em 2013 (Martinelli e Moraes, 2013) e consta como "Em Perigo" (EN) na Portaria 443 (MMA, 2014), sendo então necessário que tenha seu estado de conservação re- acessado após 5 anos da última avaliação.

Houve mudança de categoria: Sim

Perfil da espécie:

Obra princeps:

Descrita em: Phytotaxa 295(1): 38. 2017.

Valor econômico:

Potencial valor econômico: Desconhecido
Detalhes: Não é conhecido o valor econômico da espécie.

População:

Detalhes: Não existem dados sobre a população.

Ecologia:

Substrato: terrestrial, saxicolous
Forma de vida: tree
Longevidade: perennial
Luminosidade: heliophytic
Biomas: Caatinga, Cerrado
Vegetação: Campo Rupestre
Habitats: 2 Savanna
Detalhes: Árvores de até 5 m de altura (Mello-Silva 446), heliófila, saxícola (Martinelli 5828), ocorrendo nos Campos Rupestres do Cerrado e da Caatinga (Loeuille, 2019).
Referências:
  1. Loeuille, B.F.P. Maschalostachys in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro.Disponível em: <http://reflora.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB603419>. Acesso em: 01 Jul. 2019

Ameaças (6):

Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.1 Ecosystem conversion 7 Natural system modifications habitat past,present national high
Mineração a céu aberto, queimadas, extração de madeira e espécies invasoras são grandes ameaças nos Campos Rupestres (Kolbek e Alves, 2008, Silveira et al., 2016). A queima de vegetação para criação de gado é uma prática comum neste bioma (Kolbek e Alves, 2008, Silveira et al., 2016). Embora a maioria das espécies de Campos Rupestres pareça ser resistente ao fogo (Kolbek e Alves, 2008, Silveira et al., 2016), essa prática intensifica a disseminação do capim invasivo Melinis minutiflora, que é capaz de crescer novamente em áreas queimadas mais rápido que a maioria das espécies nativas, formando uma cobertura densa e impedindo a regeneração das espécies nativas(Kolbek e Alves, 2008).
Referências:
  1. Kolbek, J. e Alves, R.J.V., 2008. Impacts of Cattle, Fire and Wind in Rocky Savannas, Southeastern Brazil. Acta Universitatis Carolinae Environmentalica 22: 111-130.
  2. Silveira, F.A.O., Negreiros, D., Barbosa, N.P.U., Buisson, E., Carmo, F.F., Carstensen, D.W., Conceição, A.A., Cornelissen, T.G., Echternacht, L., Fernandes, G.W., Garcia, Q.S., Guerra, T.J., Jacobi, C.M., Lemos-Filho, J.P., Le Stradic, S., Morellato, L.P.C., Neves, F.S., Oliveira, R.S., Schaefer, C.E., Viana, P.L. and Lambers, H., 2016. Ecology and evolution of plant diversity in the endangered campo rupestre: a neglected conservation priority. Plant Soil 403: 129-152.
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.1 Ecosystem conversion 2.1 Annual & perennial non-timber crops habitat past,present,future local high
Em estudo de degradação ambiental causada pela agricultura em Minas Gerais, o município de Grão Mongol obteve um índice de degradação ambiental de 91% (Fernandes et al., 2005).
Referências:
  1. Fernandes, E.A., Cunha, N.R.D.S., Silva, R.G.D., 2005. Degradação ambiental no estado de Minas Gerais. Revista de Economia e Sociologia Rural, 43(1):179-198.
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.2 Ecosystem degradation 2.3 Livestock farming & ranching habitat past,present,future local high
O município de Grão Mogol com 388527 ha tem 19% de seu território (73555 ha) convertidos em pastagem. O município de Botumirim com 156888 ha tem 16% de seu território (25463 ha) convertidos em pastagem. O município de Joaquim Felício com 79093 ha tem 36% de seu território (28558 ha) convertidos em pastagem (Lapig, 2019). O município de Montes Claros tem em seu território (356829 ha) 46% (163244 ha) utilizados como pastagem. O município de Rio Pardo de Minastem em seu território (311742 ha) 18% (54302 ha) utilizados como pastagem (Lapig, 2018)
Referências:
  1. Lapig, 2019 http://maps.lapig.iesa.ufg.br/lapig.html acesso em 30 de maio 2019.
  2. Lapig, 2018. http://maps.Lapig.iesa.ufg.br/Lapig.html (acesso em 31 de agosto 2018).
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
2 Species stresses 8 Invasive & other problematic species, genes & diseases habitat past,present regional high
Atualmente esta em curso uma acelerada invasão de gramíneas exóticas na Cadeia do espinhaço, como o capim-gordura (Melinis minutiflora Beauv.) e a Braquitária (Brachiaria decumbens Stapf.) decorrentes das pastagens que são grandes ameaças biológicas ao meio ambiente (Silva et al., 2008).
Referências:
  1. Silva, J.A., Machado, R.B., Azevedo, A.A., Drumond, G.M., Fonseca, R.L., Goulart, M.F., Júnior, E.A.M., Martins, C.S., Neto, M.B.R., 2008. Identificação de áreas insubstituíveis para conservação da Cadeia do Espinhaço, Estados de Minas Gerais e Bahia, Brasil. Megadiversidade, 4(1-2):272-309.
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.2 Ecosystem degradation 1.3 Tourism & recreation areas habitat past,present regional high
A atividade turística desordenada também constitui um risco para a preservação das espécies ameaçadas da Cadeia do Espinhaço (Silva et al., 2008).
Referências:
  1. Silva, J.A., Machado, R.B., Azevedo, A.A., Drumond, G.M., Fonseca, R.L., Goulart, M.F., Júnior, E.A.M., Martins, C.S., Neto, M.B.R., 2008. Identificação de áreas insubstituíveis para conservação da Cadeia do Espinhaço, Estados de Minas Gerais e Bahia, Brasil. Megadiversidade, 4(1-2):272-309.
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.1 Ecosystem conversion 2.2 Wood & pulp plantations habitat past,present,future regional high
Muitos dos municípios que fazem parte da Cadeia do Espinhaço, a silvicultura é caracterizada por plantações de eucaliptos ou pinus, sendo o impacto alto porque leva a supressão vegetal causando perda de biodiversidade e fragmentação de habitats (Silva et al., 2008).
Referências:
  1. Silva, J.A., Machado, R.B., Azevedo, A.A., Drumond, G.M., Fonseca, R.L., Goulart, M.F., Júnior, E.A.M., Martins, C.S., Neto, M.B.R., 2008. Identificação de áreas insubstituíveis para conservação da Cadeia do Espinhaço, Estados de Minas Gerais e Bahia, Brasil. Megadiversidade, 4(1-2):272-309.

Ações de conservação (3):

Ação Situação
1.1 Site/area protection on going
A espécie foi registrada no PARQUE ESTADUAL DA SERRA DO CABRAL (PI), PARQUE ESTADUAL GRÃO MOGOL (PI) e PARQUE ESTADUAL SERRA NOVA (PI).
Ação Situação
5.1.2 National level on going
A espécie foi avaliada como "Em perigo de extinção" e está incluída no ANEXO I da Lista Nacional Oficial de Espécies da Flora Ameaçadas de Extinção (MMA, 2014).
Referências:
  1. Ministério do Meio Ambiente (MMA), 2014. Portaria nº 443/2014. Anexo I. Lista Nacional Oficial de Espécies da Flora Ameaçadas de Extinção. Disponível em: http://dados.gov.br/dataset/portaria_443. Acesso em 14 de abril 2019.
Ação Situação
5 Law & policy needed
espécie ocorre em um território que será contemplado por Plano de Ação Nacional (PAN) Territorial, no âmbito do projeto GEF pró-espécies: todos contra a extinção : Território Viçosa - TER10.

Ações de conservação (1):

Uso Proveniência Recurso
17. Unknown
Não existem dados sobre usos efetivos ou potenciais.