ASTERACEAE

Lychnophora ericoides Mart.

Como citar:

Raquel Negrão; Marta Moraes. 2019. Lychnophora ericoides (ASTERACEAE). Lista Vermelha da Flora Brasileira: Centro Nacional de Conservação da Flora/ Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

NT

EOO:

489.933,172 Km2

AOO:

552,00 Km2

Endêmica do Brasil:

Sim

Detalhes:

Espécie endêmica do Brasil (Flora do Brasil 2020 em construção, 2019), com ocorrência nos estados da BAHIA, municípios de Caetité (Carvalho 3705), Jacaraci (Dittrich 1700), Licínio de Almeida (Santana 67), Rio de Contas (Queiroz 3657); DISTRITO FEDERAL, município de Brasília (Lombardi 20877), Planaltina (Ferreira 986); GOIÁS, municípios de Alto Paraíso De Goiás (Alves 111), Caldas Novas (Silva 2327), Catalão (Arantes 958), Cavalcante (Lopes 152), Cocalzinho de Goiás (Vieira 2252), Corumbá de Goiás (Irwin 34160A), Cristalina (Irwin 9868), Goiás (Anderson 8166), Ipameri (Cavalcanti 2141), Luziânia (Silva 7481), Mimoso de Goias (Glocimar 16466), Mossâmedes (Amaral 82), Padre Bernardo (Vieira 729), Pirenópolis (Macedo 4795), Rio Quente (Hey s.n.), Santo Antonio do Descoberto (Vieira 2297), Vianópolis (Costa 151); MINAS GERAIS, municípios de Alpinópolis (Goldenberg 471), Babilônia (Lopes 156), Bocaiúva (Hatschbach 69563), Botumirim (Mansanares 281), Brumadinho (Silveira 55), Campos Altos (Vieira 2294), Capitólio (Bernardes 306), Datas (Mansanares 8), Delfinópolis (Silva 933), Diamantina (Stehmann 2815), Francisco Dumont (Loeuille 637), Gouveia (Semir 9572), Grão Mogol (Mansanares 197), Guaraciama (Guarçoni 882), Itacambira (Lombardi 4472), Juramento (Mansanares 240), Monte Azul (Queiroz 14946), Olhos-d'água (Siniscalchi 553), Patrocínio (Farah 375), Piumhi (Shepherd 7135), Sacramento (Nakajima 2152), Santana Do Riacho (Ordones 2188), São Roque de Minas (Nakajima 913), São Sebastião Do Paraíso (Tozzi 23070), Sete Lagoas (Heringer 6119), Três Marias (Brazão 235), Várzea Da Palma (Hatschbach 64180), Virgem da Lapa (Duarte 8756); SÃO PAULO, município de Pedregulho (Belinello 1260),

Avaliação de risco:

Ano de avaliação: 2019
Avaliador: Raquel Negrão
Revisor: Marta Moraes
Critério: B2a
Categoria: NT
Justificativa:

Arbusto ou pequena árvore com até 2 m de altura, endêmica do Brasil (Flora do Brasil 2020 em construção, 2019). Conhecida popularmente como arnica, apresenta uso medicinal com atividade analgésica e propriedades antioxidante, anti-inflamatória, antipirética, antiedematogênica e antinociceptiva (Semir et al., 2011). Ocorre especificamente em Campos rupestres associados aos domínios da Caatinga e Cerrado (Flora do Brasil 2020 em construção, 2019). É considerada uma espécie muito comum, sendo coletada em municípios dos estados de Bahia, Minas Gerais, Goiás, Distrito Federal e São Paulo (Loeuille et al., 2019). Apresenta AOO= 556 km² e está sujeita a mais de 10 situações de ameaça. Desmatamento, expansão imobiliária, pecuária, mineração (Kolbek e Alves, 2008; Costa et al., 2009; Gariglio et al., 2010; Medeiros et al., 2012; Françoso et al,. 2015; Ribeiro et al., 2015; Silveira et al., 2016; Antongiovanni et al., 2018). A espécie foi considerada "Quase ameaçada" (NT) de extinção em avaliação de risco de extinção anterior, em nível nacional (Martinelli e Moraes, 2013) e Vulnerável, em nível regional (COPAM-MG, 1997). Atualização das coleções e novos registros ampliaram a distribuição de ocorrência da espécie, porém não foi alterado o limiar de acordo com o critério B2. Considerando o atual estado de fragmentação dos Campos rupestres brasileiros (Carmo e Jacobi, 2012), são necessárias ações de pesquisa (tendências e números populacionais) e de conservação (proteção dos habitats potenciais da espécie e manejo das ameaças incidentes).

Último avistamento: 2018
Quantidade de locations: 18
Possivelmente extinta? Não
Razão para reavaliação? Other
Justificativa para reavaliação:

A espécie foi avaliada pelo CNCFlora em 2013 e consta como "Quase Ameaçada" (NT) no Livro Vermelho da Flora do Brasil (Martinelli e Moraes, 2013), sendo então necessário que tenha seu estado de conservação reavaliado após 5 anos da última avaliação.

Houve mudança de categoria: Não
Histórico:
Ano da valiação Categoria
2012 NT

Perfil da espécie:

Obra princeps:

Espécie descrita em 1822 no gênero Vernonia, espécie muito próxima de L. pinaster, se diferenciando desta principalmente por características do hábito, indumento e da morfologia foliar. Nome popular: arnica (Semir et al., 2011).

Valor econômico:

Potencial valor econômico: Sim
Detalhes: Apresenta atividade analgésica, antioxidante, anti-inflamatória, antipirética, antiedematogênica e antinociceptiva (Semir et al., 2011).

População:

Detalhes: Espécie muito comum (Loeuille, 2019).
Referências:
  1. Loeuille et al., 2019. A synopsis of Lychnophorinae (Asteraceae: Vernonieae). Phytotaxa 398: 1 -152

Ecologia:

Substrato: terrestrial
Forma de vida: tree, bush
Biomas: Cerrado, Caatinga
Vegetação: Campo Rupestre
Fitofisionomia: Savana Estépica
Habitats: 4.5 Subtropical/Tropical Dry Lowland Grassland
Detalhes: Arbusto a arvoreta com até 3 m de altura, que habita os Campos Rupestres no Cerrado e na Caatinga (Flora do Brasil 2020 em construção, 2019).
Referências:
  1. Lychnophora in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro.Disponível em: <http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB25233>. Acesso em: 21 Jun. 2019

Ameaças (5):

Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.1 Ecosystem conversion 1 Residential & commercial development habitat past,present,future national high
A Caatinga sustenta mais de 23 milhões de pessoas (11,8% da população brasileira) e é uma das regiões semiáridas mais populosas do mundo, com 26 habitantes km-1 (Medeiros et al., 2012, Ribeiro et al., 2015). Novos cenários, como a transposição do rio São Francisco, podem mudar o paradigma de que a região semiárida não é apta para o desenvolvimento econômico e intensificar processos que levam a perda da diversidade florística (Costa et al., 2009).
Referências:
  1. Medeiros, S. de S., Cavalcante, A. de M.B., Marin, A.M.P., Tinôco, L.B. de M., Salcedo, I.H., Pinto, T.F., 2012. Sinopse do censo demográfico para o Semiárido Brasileiro. INSA, Campina Grande. 103 p.
  2. Ribeiro, E.M.S., Arroyo-Rodríguez, V., Santos, B.A., Tabarelli, M., Leal, I.R., 2015. Chronic anthropogenic disturbance drives the biological impoverishment of the Brazilian Caatinga vegetation. J. Appl. Ecol. 52, 611–620.
  3. Costa, T.C. e C., Accioly, L.J. de O., Oliveira, L.M.T., Oliveira, M.A.J. de, Guimarães, D.P., 2009. Interação de fatores biofísicos e antrópicos com a diversidade florística na indicação de áreas para conservação do Bioma Caatinga. Soc. Nat. 21, 19–37.
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.1 Ecosystem conversion 2.3 Livestock farming & ranching habitat past,present,future regional high
A pecuária é uma das principais fontes de renda e subsistência para os habitantes da Caatinga (Antongiovanni et al., 2018). Em geral, bovinos, caprinos e ovinos são criados em regime de liberdade, tendo acesso à vegetação nativa como base de sua dieta (Marinho et al. 2016). Na Caatinga e em outras regiões semiáridas, o pastejo tem sido associado à compactação do solo, redução na sobrevivência de plântulas e mudas, consumo de biomassa de dossel, alteração da riqueza e composição das plantas (Marinho et al. 2016). Além disso, a sinergia entre o efeito do gado pastando em remanescentes semiáridos e a invasão de espécies exóticas tem sido relatada (Hobbs, 2001). A pecuária é um distúrbio crônico na Caatinga que tem efeitos negativos sobre a diversidade de plantas (Ribeiro et al., 2015).
Referências:
  1. Antongiovanni, M., Venticinque, E.M., Fonseca, C.R., 2018. Fragmentation patterns of the Caatinga drylands. Landsc. Ecol. 33, 1353–1367.
  2. Marinho F.P., Mazzochini G.G., Manhaes A.P., Weisser W.W., Ganade G., 2016. Effects of past and present land use on vegetation cover and regeneration in a tropical dryland forest. J. Arid Environ. 132:26–33.
  3. Hobbs R.J., 2001. Synergisms among habitat fragmentation, livestock grazing, and biotic invasions in southwestern Australia. Conserv Biol 15:1522–1528.
  4. Ribeiro, E.M.S., Arroyo-Rodríguez, V., Santos, B.A., Tabarelli, M., Leal, I.R., 2015. Chronic anthropogenic disturbance drives the biological impoverishment of the Brazilian Caatinga vegetation. J. Appl. Ecol. 52, 611–620.
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.2 Ecosystem degradation 5.3 Logging & wood harvesting habitat past,present,future regional high
A extração de madeira para carvão, construção civil e uso doméstico tem sido uma ameaça generalizada à Caatinga por muitos séculos. Historicamente, árvores grandes e maduras eram altamente valiosas ao ponto de serem suprimidas a virtualmente desaparecerem da paisagem. O uso industrial das árvores da Caatinga para a produção de carvão, que é parcialmente feito de forma ilegal e descontrolada, contribui fortemente para modificar a densidade e a estrutura da vegetação remanescente (Gariglio et al., 2010). O uso de madeira e carvão para uso doméstico (por exemplo, forno a lenha) também não é desprezível, correspondendo a 30% do que é extraído anualmente (Gariglio et al., 2010).
Referências:
  1. Gariglio, M.A., Sampaio, E.V. de S.B., Cestaro, L.A., Kageyama, P.Y. (Orgs.), 2010. Uso sustentável e conservação dos recursos florestais da Caatinga. Serviço Florestal Brasileiro, Brasília, 368 p.
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.2 Ecosystem degradation 3.2 Mining & quarrying habitat,locality past,present,future regional high
Mineração a céu aberto, queimadas, extração de madeira e espécies invasoras são grandes ameaças nos Campos Rupestres (Kolbek e Alves, 2008, Silveira et al., 2016). A queima de vegetação para criação de gado é uma prática comum neste bioma (Kolbek e Alves, 2008, Silveira et al., 2016). Embora a maioria das espécies de Campos Rupestres pareça ser resistente ao fogo (Kolbek e Alves, 2008, Silveira et al., 2016), essa prática intensifica a disseminação do capim invasivo Melinis minutiflora, que é capaz de crescer novamente em áreas queimadas mais rápido que a maioria das espécies nativas, formando uma cobertura densa e impedindo a regeneração das espécies nativas(Kolbek e Alves, 2008).
Referências:
  1. Kolbek, J. e Alves, R.J.V., 2008. Impacts of Cattle, Fire and Wind in Rocky Savannas, Southeastern Brazil. Acta Universitatis Carolinae Environmentalica 22: 111-130.
  2. Silveira, F.A.O., Negreiros, D., Barbosa, N.P.U., Buisson, E., Carmo, F.F., Carstensen, D.W., Conceição, A.A., Cornelissen, T.G., Echternacht, L., Fernandes, G.W., Garcia, Q.S., Guerra, T.J., Jacobi, C.M., Lemos-Filho, J.P., Le Stradic, S., Morellato, L.P.C., Neves, F.S., Oliveira, R.S., Schaefer, C.E., Viana, P.L. and Lambers, H., 2016. Ecology and evolution of plant diversity in the endangered campo rupestre: a neglected conservation priority. Plant Soil 403: 129-152.
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.1 Ecosystem conversion 5.3 Logging & wood harvesting habitat past,present,future regional high
Estudos apontam que no Cerrado brasileiro restam apenas 50% da cobertura florestal natural. A taxa de desmatamento tem aumentado, principalmente devido à expansão do gado, indústrias de soja, reservatórios de hidrelétricas e expansão de áreas urbanas (Françoso et al,. 2015, Ratter et al., 1997).
Referências:
  1. Ratter, J.A., Ribeiro, J.F., Bridgewater, S., 1997. The Brazilian cerrado vegetation and threats to its biodiversity. Ann. Bot. 80, 223–230.
  2. Françoso, R.D., Brandão, R., Nogueira, C.C., Salmona, Y.B., Machado, R.B., Colli, G.R., 2015. Habitat loss and the effectiveness of protected areas in the Cerrado Biodiversity Hotspot. Nat. Conserv. 13, 35–40.

Ações de conservação (4):

Ação Situação
5 Law & policy on going
Citada como "Vulnerável" (VU) na Lista Vermelha da flora ameaçada de Minas Gerais (COPAM-MG, 1997). Citada no Anexo I da Lista de Espécies da Flora Ameaçadas de Extinção do Brasil (MMA, 2008) e na Lista da Biodiversitas de espécies da flora brasileira ameaçadas de extinção na categoria "Vulnerável" (VU) (Biodiversitas, 2005). A espécie foi avaliada como "Quase ameaçada" (NT) no Livro Vermelho CNCFlora 2013.
Referências:
  1. CONSELHO ESTADUAL DE POLÍTICA AMBIENTAL, MINAS GERAIS. Deliberação COPAM n. 85, de 21 de outubro de 1997. Aprova a lista das espécies ameaçadas de extinção da flora do Estado de Minas Gerais, Diário Oficial do Estado de Minas Gerais, Diário do Executivo, Belo Horizonte, MG, 30 out. 1997, 1997.
  2. Ministério do Meio Ambiente (MMA), (2008). Instrução Normativa n. 6, de 23 de setembro de 2008. Espécies da flora brasileira ameaçadas de extinção e com deficiência de dados, Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 24 set. 2008. Seção 1, p.75-83, 2008.
  3. FUNDAÇÃO BIODIVERSITAS. Revisão da lista da flora brasileira ameaçada de extinção. Belo Horizonte, MG: FUNDAÇÃO BIODIVERSITAS PARA A CONSERVAÇÃO DA NATUREZA, 2005.
  4. CNCFlora. Lychnophora ericoides - in Lista Vermelha da flora brasileira Centro Nacional de Conservação da Flora. Disponível em <http://cncflora.jbrj.gov.br/portal/pt-br/profile/ Lychnophora ericoides>.
Ação Situação
1 Land/water protection on going
A espécie foi coletada no PARNA Serra do Cipó, Santana do Riacho - MG; P.E. Pico do Itambé, Santo Antônio do Itambé - MG; P.E. Serra do Cabral, Buenópolis - MG; Estação Ecológica de Águas Emendadas - DF (Ferreira 986), Parque Nacional de Brasília - DF (Dias 876), Estação Ecológica do Jardim Botânico de Brasília (Reis 243), Parque Estadual Serra Dourada, Reserva Biológica Serra Dourada - GO (Alves 163), Parque Estadual da Serra de Caldas Novas - GO (Camillo 2), Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros - GO (Romanuic 633), Parque Nacional da Serra da Canastra - MG (Romero 1650),
Ação Situação
5 Law & policy on going
A espécie ocorre no território de abrangência do Plano de Ação Nacional para a conservação da flora ameaçada de extinção da Serra do Espinhaço Meridional (Pougy et al., 2015).
Referências:
  1. Pougy, N., Verdi, M., Martins, E., Loyola, R., Martinelli, G. (Orgs.), 2015. Plano de Ação Nacional para a conservação da flora ameaçada de extinção da Serra do Espinhaço Meridional. CNCFlora : Jardim Botânico do Rio de Janeiro : Laboratório de Biogeografia da Conservação : Andrea Jakobsson Estúdio, Rio de Janeiro. 100 p.
Ação Situação
5 Law & policy needed
A espécie ocorre em territórios que serão contemplados por Plano de Ação Nacional (PAN) Territorial, no âmbito do projeto GEF pró-espécies: todos contra a extinção : Territórios 9, 10, 15, 40.

Ações de conservação (1):

Uso Proveniência Recurso
3. Medicine - human and veterinary
Apresenta atividade analgésica, antioxidante, anti-inflamatória, antipirética, antiedematogênica e antinociceptiva (Semir et al., 2011).
Referências:
  1. Semir, J., Monge, M., Rezende, A.R., Lopes, N.P., 2011. As Arnicas Endêmicas das Serras do Brasil - uma visão sobre a biologia e a química das espécies de Lychnophora (Asteraceae). Ouro Preto: Universidade Federal de Ouro Preto.