Justificativa:
Árvore com até 12 m de altura, endêmica do Brasil (Flora do Brasil 2020 em construção, 2019). Ocorre nos domínios da Mata Atlântica e Cerrado, especificamente em Floresta Estacional Semidecidual (Flora do Brasil 2020 em construção, 2019) no estado de Minas Gerais. A espécie foi coletada no município de Virgem da Lapa, e possui um registro antigo no município de Patrocínio de Minas, coletado por Glaziou no ano de 1884. Os registros recentes do ano de 2014, indicam que a espécie é composta por população muito pequena, totalizando apenas cerca de 21 indivíduos estimados na área amostrada em diferentes localidades do município de Virgem da Lapa. O desmatamento e a pecuária são as principais causas de declínios contínuos em EOO, AOO, qualidade de habitat e número de subpopulações. O município de Patrocínio possui atualmente, apenas cerca de 0,29% (844 ha) da Mata Atlântica original do município (SOS Mata Atlântica/INPE - Aqui tem Mata, 2019) e 29% de seu território (83759 ha) convertidos em pastagem (Lapig, 2019). O município de Virgem da Lapa mais de 25% de seu território (35030 ha) convertidos em pastagem somados a 11780 ha convertidos em mosaico de agricultura e pastagem (MapBiomas, 2019). A espécie foi anteriormente avaliada como "Vulnerável" (VU) em nível internacional (Pires O’Brien, 1998) com base em um conjunto de dados que incluía registros no estado do Rio e Janeiro e, como “Em perigo” (EN) de extinção, e nível nacional (MMA, 2014), também considerando ocorrência no estado do Rio de Janeiro e declínio populacional por tempo de geração. Entretanto, novos registros foram coletados no município de Virgem da Lapa (MG), e a distribuição da espécie foi reduzida pela invalidação de ocorrências no município de Itamarati de Minas (MG) e no estado do Rio de Janeiro (município de Campos dos Goytacazes). Além disso, suspeita-se que a população na localidade de Patrocínio, coletada há mais de 100 anos, tenha sido extinta ou não pertence àquela localidade em razão de dúvidas históricas relacionadas a algumas coletas de Glaziou. Portanto, a espécie foi reavaliada como “Criticamente em perigo” (CR) por reduzido tamanho populacional associado a declínio e por população muito pequena ou restrita, assumindo-se uma abordagem de precaução em vista da atualização mais recente sobre o alto nível de desmatamento da Mata Atlântica, especialmente no estado de ocorrência da espécie (Minas Gerais) (SOS Mata Atlântica e INPE, 2019). Assim, são necessárias ações de pesquisa incluindo buscas direcionadas para avaliação do tamanho e tendência populacional, especialmente na localidade da ocorrência histórica da espécie. Além disso, recomenda-se mitigação de ameaças locais e regionais incidentes e ações de conservação in situ, considerando que a espécie não está protegida em Unidade de Conservação. Também, recomenda-se avaliação de possíveis ações de conservação ex-situ de acordo com os requerimentos ecológicos da espécie, e avaliação da possibilidade de coleta e estoque de material em banco de sementes e/ou DNA.
Justificativa para reavaliação:
A espécie foi avaliada como "Vulnerável" (VU) à extinção na lista vermelha da IUCN (Pires O'Brien, 1998). Posteriormente, avaliada pelo CNCFlora/JBRJ em 2013 (Martinelli e Moraes, 2013) e consta como "Em Perigo" (EN) na Portaria MMA 443/2014 (MMA, 2014), sendo então necessário que tenha seu estado de conservação reavaliado após cinco anos da última avaliação.