Raquel Negrão; Marta Moraes. 2019. Kielmeyera rupestris (CALOPHYLLACEAE). Lista Vermelha da Flora Brasileira: Centro Nacional de Conservação da Flora/ Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
Espécie endêmica do Brasil (Flora do Brasil 2020 em construção, 2019), com ocorrência nos estados: ESPÍRITO SANTO, município Nova Venécia (Trad 349).
Árvores de 8 m de altura, endêmica do Brasil (Flora do Brasil 2020 em construção, 2019). Ocorre especificamente em vegetação sobre Afloramentos rochosos, associados aos domínios da Mata Atlântica (Flora do Brasil 2020 em construção, 2019) apenas no município de Nova Venécia, estado do Espírito Santo. Apresenta EOO= 22 km² e está sujeita a uma situação de ameaça. Ocorre em habitats fragmentados por causas naturais e antrópicas (inselbergues). Mineração, exploração de pedreiras, pecuária, florestas plantadas e invasões biológicas (Porembsky et al., 1998; Mendes e Padovan 2000; Forzza et al., 2003; Martinelli, 2007; Simonelli e Fraga, 2007; Paula et al., 2016; Lapig, 2018) são responsáveis pelo declínio de EOO, AOO e qualidade do habitat da espécie. Devido ao alto grau de desmatamento da Floresta Atlântica, as formações rochosas estão perdendo seus atributos de “ilhas” (Porembsky et al., 1998). Pelo fato destas formações rochosas não atraírem interesse para a agricultura, elas foram preservadas dos impactos humanos e mantiveram suas características de refúgio (Porembsky et al., 1998). Regionalmente, o principal fator de mudança do uso do solo que contribui para fragmentação dos habitats da espécie é representado pela área convertida em pastagem que, atualmente, equivale a 45% (64777 ha) do território de Nova Venécia (Lapig, 2018). Além disso, a região no entorno da APA da Pedra do Elefante, onde a espécie foi coletada, é dominada por diversas plantações e por reflorestamento de Eucalipto (Google Earth Pro Version 7.3.2., 2018), contribuindo para a posição que o estado do Espírito Santo ocupa como primeiro produtor e exportador mundial de celulose branqueada de fibra curta (Siqueira et al., 2004). Localmente, os afloramentos rochosos de Nova Venécia são explorados em grande parte pela mineração, através de algumas pedreiras (Google Earth Pro Version 7.3.2., 2018). A espécie foi considerada "Criticamente em perigo" (CR) de extinção em avaliações de risco de extinção anteriores, em nível nacional (MMA, 2014) e em nível regional (Simonelli e Fraga, 2007), por distribuição restrita e população severamente fragmentada, com base em uma única coleta no município de Nova Venécia realizada no ano de 1965. Os registros recentes adicionados, em diferentes localidades desse município, não alteram a distribuição da espécie. Portanto, foi mantida e sua categoria como "Criticamente em perigo", e foram atualizados os critérios e a informação sobre ameaças incidentes. Recomenda-se pesquisa sobre tamanho e tendência populacional, para avaliação de possíveis declínios ou extinções locais e, com base nos resultados encontrados, recomenda-se então ampliação de conservação in situ, definição de possíveis ações de conservação ex-situ de acordo com os requisitos ecológicos da espécie, e avaliação da possibilidade de coleta e estoque de material em banco de sementes e/ou DNA. Além disso, é necessária a proteção dos habitas da espécie, para proteção de toda a flora diversa e singular dos "inselbergs", integrando este ecossistema em todos os planos de ação para a conservação (Porembsky et al., 1998; Martinelli, 2007). Ainda, o monitoramento e controle das ameaças incidentes, especialmente a restrição legal de mineração em áreas prioritárias para conservação e em Unidades de Conservação com ocorrência de espécies ameaçadas, é imprescindível para manutenção dos seus habitats e perpetuação da espécie.
A espécie foi avaliada pelo CNCFlora em 2013 (Martinelli e Moraes, 2013) e consta como "Criticamente em perigo" (CR) na Portaria MMA 443/2014 (MMA, 2014), sendo então necessário que tenha seu estado de conservação reavaliado após 5 anos da última avaliação.
| Ano da valiação | Categoria |
|---|---|
| 2012 | CR |
Descrita em: Archivos do Jardim Botânico do Rio de Janeiro 19: 217, f. 1973.
| Estresse | Ameaça | Declínio | Tempo | Incidência | Severidade |
|---|---|---|---|---|---|
| 1.2 Ecosystem degradation | 2.3 Livestock farming & ranching | habitat | past,present,future | local | very high |
| O município de Nova Venécia (ES), com cerca de 144.9160 ha, contém 44,7% de sua área convertida em pastagens (Lapig, 2018). | |||||
Referências:
|
|||||
| Estresse | Ameaça | Declínio | Tempo | Incidência | Severidade |
|---|---|---|---|---|---|
| 1.1 Ecosystem conversion | 3.2 Mining & quarrying | habitat | past,present | local | high |
| Os “inselbergs” ou formações rochosas do Leste Brasileiro têm estreitas relações com um tipo de vegetação conhecido como "campo rupestre" (Alves e Kolbeck, 1994). Este termo tem sido empregado para o complexo mosaico de tipos de vegetação, típico de um grande número de cadeias montanhosas no Escudo Brasileiro. Fisionômica e florísticamente, a flora saxícola do campo rupestre e a dos inselbergs estudados compartilham muitos elementos comuns. Além disso, certos elementos ligam inselbergs a formações costeiras de "restinga" (tipos de vegetação que ocupam planícies costeiras arenosas). Pelo fato destas formações rochosas não atraírem interesse para a agricultura, elas foram preservadas dos impactos humanos e mantiveram suas características de refúgio. Entretanto, devido ao alto grau de desmatamento da Floresta Atlântica, estas formações rochosas estão perdendo seus atributos de “ilhas”. É possível perceber a presença de espécies invasoras que se estabelecem por diversos mecanismos como a abertura de estradas e de clareiras como vias de acesso. Espécies exóticas como Melinis repens (Willd.) Zizka e M. multiflora P.Beauv. já se estabeleceram em diversos inselbergs do Leste Brasileiro. Para proteger esta flora diversa e singular é preciso integrar este ecossistema em todos os planos de ação para a conservação (Porembsky et al., 1998). A região de Nova Venécia é explorada em grande parte pela mineração, através de algumas pedreiras (Google Earth Pro Version 7.3.2., 2018). | |||||
Referências:
|
|||||
| Estresse | Ameaça | Declínio | Tempo | Incidência | Severidade |
|---|---|---|---|---|---|
| 1.1 Ecosystem conversion | 2.2 Wood & pulp plantations | habitat | past,present | local | high |
| Entre 1967 e 1986, o Governo Federal implantou o Programa de Incentivos Fiscais ao Reflorestamento que, no Espírito Santo, promoveu a ocupação de extensas áreas com plantios homogêneos, principalmente Eucalyptus e Pinus, mudando o enfoque da exploração florestal de áreas naturais para plantadas, alterando também o perfil industrial, de madeireiro para celulose, através da implantação de importante pólo de celulose nos cenários regional e nacional. Atualmente o Estado do Espírito Santo é o primeiro produtor e exportador mundial de celulose branqueada de fibra curta, representado pela Aracruz Celulose S.A. A região no entorno da APA da Pedra do Elefante (Nova Venécia - ES) é dominada por diversas plantações e por reflorestamento de Eucalipto (Google Earth Pro Version 7.3.2., 2018). | |||||
Referências:
|
|||||
| Ação | Situação |
|---|---|
| 5.4.3 Sub-national level | on going |
| "Criticamente em perigo" (CR) segundo a Lista vermelha da flora do Espírito Santo (Simonelli; Fraga, 2007). | |
Referências:
|
|
| Ação | Situação |
|---|---|
| 5.1.2 National level | on going |
| A espécie avaliada como "Criticamente em perigo" está incluída no ANEXO I da Lista Nacional Oficial de Espécies da Flora Ameaçadas de Extinção (MMA, 2014). | |
Referências:
|
|
| Ação | Situação |
|---|---|
| 1.1 Site/area protection | needed |
| A espécie ocorre em um território que será contemplado por Plano de Ação Nacional (PAN) Territorial, no âmbito do projeto GEF pró-espécies: todos contra a extinção : Território Espírito Santo- 33 (ES) | |
| Ação | Situação |
|---|---|
| 1.1 Site/area protection | on going |
| A espécie foi registrada em: Parque Estadual da Pedra do Elefante (Trad 349) e na APA Pedra do Elefante (Pena 569). | |
| Ação | Situação |
|---|---|
| 1.2 Resource & habitat protection | needed |
| Os “inselbergs” ou formações rochosas do Leste Brasileiro têm estreitas relações com um tipo de vegetação conhecido como "campo rupestre" (Alves e Kolbeck, 1994). Este termo tem sido empregado para o complexo mosaico de tipos de vegetação, típico de um grande número de cadeias montanhosas no Escudo Brasileiro. Fisionômica e florísticamente, a flora saxícola do campo rupestre e a dos inselbergs estudados compartilham muitos elementos comuns. Além disso, certos elementos ligam inselbergs a formações costeiras de "restinga" (tipos de vegetação que ocupam planícies costeiras arenosas). Pelo fato destas formações rochosas não atraírem interesse para a agricultura, elas foram preservadas dos impactos humanos e mantiveram suas características de refúgio. Entretanto, devido ao alto grau de desmatamento da Floresta Atlântica, estas formações rochosas estão perdendo seus atributos de “ilhas”. É possível perceber a presença de espécies invasoras que se estabelecem por diversos mecanismos como a abertura de estradas e de clareiras como vias de acesso. Espécies exóticas como Melinis repens (Willd.) Zizka e M. multiflora P.Beauv. já se estabeleceram em diversos inselbergs do Leste Brasileiro. Para proteger esta flora diversa e singular é preciso integrar este ecossistema em todos os planos de ação para a conservação (Porembsky et al., 1998). | |
Referências:
|
|
| Uso | Proveniência | Recurso |
|---|---|---|
| 17. Unknown | ||
| Não existem dados sobre usos efetivos ou potenciais. | ||