Eduardo Fernandez; Tainan Messina. 2019. Kielmeyera occhioniana (CLUSIACEAE). Lista Vermelha da Flora Brasileira: Centro Nacional de Conservação da Flora/ Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
Espécie endêmica do Brasil (Flora do Brasil 2020 em construção, 2019), com ocorrência no restrita ao estado do ESPÍRITO SANTO, município de Linhares (Santos, 1477), Soorotema (Folli 5994), Santa Teresa (Thomaz 1688). Segundo a Flora do Brasil 2020 (2019), a espécie também ocorreria no estado da Bahia, porém os registros nesse estado foram considerados pelo botânico especialista como sendo de outra espécie do mesmo gênero.
Árvore de 5 a 30 m, endêmica do Brasil (Flora do Brasil 2020 em construção, 2019). Popularmente conhecida como leiteira ou anete, foi documentada em Floresta Ombrófila Densa associada a Mata Atlântica no estado do Espírito Santo, municípios de Linhares, Sooretama e Santa Teresa. Apesar da Flora do Brasil 2020 em construção (2019) indicar a presença da espécie na Bahia, os registros atribuídos a ela coletados neste estado não foram corroborados pela especialista botânica (R.J. Trad, com. pess.). Apresenta distribuição restrita, EOO=1401 km², AOO=32 km², cinco situações de ameaça e ocorrência exclusiva em fitofisionomia florestal severamente fragmentada. O estado do Espírito Santo resguarda somente 10,5% de remanescentes da Mata Atlântica original (SOS Mata Atlântica e INPE, 2019). Subsequentes ciclos econômicos, como o da exploração da madeira, da agricultura cafeeira, dos "reflorestamentos" homogêneos (Pinus e Eucalipto), a incidência de espécies exóticas invasoras, abertura de pastagens, extensas plantações de cacau e cana-de-açúcar (Lapig, 2019; Oliveira et al., 2014; Simonelli e Fraga, 2007) resultaram em uma redução severa na cobertura florestal original no estado. Foi registrada dentro dos limites de Unidades de Conservação. Considerando que a espécie é conhecida por poucos registros, sendo a maioria deles coletas das décadas de 70-80 e foi apenas recoletada recentemente em uma das localidades, recomenda-se pesquisa e buscas direcionadas pelas subpopulações. Diante desse cenário, K. occhioniana foi considerada "Em perigo" (EN) de extinção novamente. Infere-se declínio contínuo em EOO, AOO, extensão e qualidade de habitat. Recomenda-se ações de pesquisa (distribuição, números e tendências populacionais) e conservação (Plano de Ação) urgentes a fim de se garantir sua perpetuação na natureza, uma vez que a persistência dos vetores de stress descritos podem ampliar seu risco de extinção no futuro. É crescente a demanda para que se concretize o estabelecimento de um Plano de Ação Nacional (PAN) previsto para o estado do Espírito Santo.
A espécie foi avaliada pelo CNCFlora em 2013 (Martinelli e Moraes, 2013) e consta como "Em Perigo" (EN) na Portaria 443 (MMA, 2014), sendo então necessário que tenha seu estado de conservação re-acessado após 5 anos da última avaliação.
| Ano da valiação | Categoria |
|---|---|
| 2012 | EN |
Descrita em: Saddi, N., 1984. Rodriguésia 36(60): 62, f. Popularmente conhecida por leiteira no Brasil (Flora do Brasil 2020 em construção, 2019) ou anete (Folli 5994).
| Estresse | Ameaça | Declínio | Tempo | Incidência | Severidade |
|---|---|---|---|---|---|
| 1.1 Ecosystem conversion | 5.3 Logging & wood harvesting | habitat | past,present,future | national | very high |
| O Atlas da Mata Atlântica (SOS Mata Atlântica e INPE, 2019) indica que restam 16,2 milhões de hectares de florestas nativas mais preservadas acima de 3 hectares na Mata Atlântica, o equivalente a 12,4% da área original do bioma. O desmatamento da Mata Atlântica entre 2017 e 2018 caiu 9,3% em relação ao período anterior (2016-2017), que por sua vez já tinha sido o menor desmatamento registrado pela série histórica do Atlas da Mata Atlântica, iniciativa da Fundação SOS Mata Atlântica e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que monitora o bioma desde 1985. Além disso, foi verificado aumento do número de estados no nível do desmatamento zero, de 7 para 9, sendo que outros 3 estão bem próximos. Dos 17 estados, nove estão no nível do desmatamento zero, com desflorestamentos abaixo de 100 hectares, ou 1 Km². São eles: Ceará (7 ha), Alagoas (8 ha), Rio Grande do Norte (13 ha), Rio de Janeiro (18 ha), Espírito Santo (19 ha), Paraíba (33 ha), Pernambuco (90 ha), São Paulo (96 ha) e Sergipe (98 ha). Outros três estados estão a caminho desse índice: Mato Grosso do Sul (140 ha), Rio Grande do Sul (171 ha) e Goiás (289 ha). Apesar dos resultados positivos, cinco estados ainda mantém índices inaceitáveis de desmatamento: Minas Gerais (3.379 ha), Paraná (2.049 ha), Piauí (2.100 ha), Bahia (1.985 ha) e Santa Catarina (905 ha). O relatório aponta que no último ano foram destruídos 11.399 hectares (ha), ou 113 Km², de áreas de Mata Atlântica acima de 3 hectares nos 17 estados do bioma. No ano anterior, o desmatamento tinha sido de 12.562 hectares (125 Km²). | |||||
Referências:
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| Estresse | Ameaça | Declínio | Tempo | Incidência | Severidade |
|---|---|---|---|---|---|
| 1.1 Ecosystem conversion | 2 Agriculture & aquaculture | habitat | past,present,future | regional | high |
| Nas florestas litorâneas atlânticas dos estados da Bahia e Espírito Santo, cerca de 4% da produção mundial de cacau (Theobroma cacao L.) e 75% da produção brasileira é obtida no que é chamado localmente de "sistemas de cabruca". Neste tipo especial de agrossilvicultura o sub-bosque é drasticamente suprimido para dar lugar a cacaueiros e a densidade de árvores que atingem o dossel é significativamente reduzida (Rolim e Chiarello, 2004; Saatchi et al., 2001). De acordo com Rolim e Chiarello (2004) os resultados do seu estudo mostram que a sobrevivência a longo prazo de árvores nativas sob sistemas de cabruca estão sob ameaça se as atuais práticas de manejo continuarem, principalmente devido a severas reduções na diversidade de árvores e desequilíbrios de regeneração. Tais resultados indicam que as florestas de cabrucas não são apenas menos diversificadas e densas do que as florestas secundárias ou primárias da região, mas também que apresentam uma estrutura onde espécies de árvores dos estágios sucessionais tardios estão se tornando cada vez mais raras, enquanto pioneiras e espécies secundárias estão se tornando dominantes (Rolim e Chiarello, 2004). Isso, por sua vez, resulta em uma estrutura florestal drasticamente simplificada, onde espécies secundárias são beneficiadas em detrimento de espécies primárias (Rolim e Chiarello, 2004). Linhares (ES) está entre os municípios brasileiros produtores de cana-de-açúcar, cujos plantios iniciaram a partir da década de 1980 e substituíram as florestas nativas e áreas de tabuleiros (Mendonza et al., 2000; Oliveira et al., 2014; Pinheiro et al., 2010; Tavares e Zonta, 2010). Tais cultivos são associados a prática da queima dos canaviais, com a finalidade de diminuir a quantidade de palha e facilitar a colheita (Mendonza et al., 2000; Oliveira et al., 2014; Pinheiro et al., 2010; Tavares e Zonta, 2010). De acordo com a Resolução MAPA nº 241/2010, Linhares é um dos municípios indicados para o plantio de novas áreas de cana-de-açúcar, destinadas à produção de etanol e açúcar. A Conab (2018) estima uma área de cana-de-açúcar de 47,6 e 45,3 mil ha, respectivamente para as safras 2017/2018 e 2018/2019 no Espírito Santo. O município de Sooretama com 58.641 ha apresenta 16. 306 ha (28%) convertidos em cultivos anuais e perenes (MapBiomas, 2019). Segundo os autores, a região de Santa Teresa até o século passado era coberta por floresta nativa, mas com a chegada dos europeus e a colonia, foram priorizando outros usos, em espécial o cultivo do café (Mendes e Padovan, 2000) | |||||
Referências:
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| Estresse | Ameaça | Declínio | Tempo | Incidência | Severidade |
|---|---|---|---|---|---|
| 1.1 Ecosystem conversion | 2.3 Livestock farming & ranching | habitat | past,present,future | regional | high |
| No passado, a Fazenda Muribeca, que abrangia o sul do Espírito Santo e norte do estado do Rio de Janeiro, era considerada a maior propriedade pecuarista do Brasil e se configurava como um importante elemento de interação da fronteira Espírito Santo- Rio de Janeiro, de forma a otimizar um trânsito populacional e financeiro constante na região. Além da pecuária, produzia-se cana-de-açúcar, mandioca e pescados (Plano de Desenvolvimento: Presidente Kennedy, 2018). Segundo a classificação de uso do solo, atualmente o pasto ocupa a maior parte da área dos municípios na região sul do Espirito Santo (SEAMA 2018). A região Noroeste Fluminense a agropecuária (pecuária leiteira) é a principal atividade econômica. A pecuária é extensiva, com a estrutura fundiária concentrada e uso inadequado do solo. Além disso, nesta região o longo período de atividades agropecuárias, o uso regular de fogo e mecanização intensiva resultou em elevado grau de degradação dos solos e, por conseguinte, na decadência sócio-econômicada região, na qual as atividades de uso atual das terras são pastagens degradadas (Gama-Rodrigues & May, 2001). O município de Linhares com 350371 ha, possui 34% de sua área (117270 ha) convertida em pastagem (Lapig 2018). | |||||
Referências:
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| Estresse | Ameaça | Declínio | Tempo | Incidência | Severidade |
|---|---|---|---|---|---|
| 1.1 Ecosystem conversion | 2.2 Wood & pulp plantations | habitat | past,present,future | regional | high |
| Segundo Siqueira et al. (2004) a partir da criação de programas de extensão e fomento florestal do governo e de empresas privadas na década de 1990 iniciou-se a ocupação de extensas áreas com plantios homogêneos, principalmente Eucalyptus e Pinus no estado do Espírito Santo. O Estado possui cerca de 35% de sua área com aptidão preferencial para a atividade florestal, apresentando os maiores índices mundiais de produtividade de Eucalyptus (Siqueira et al., 2004). | |||||
Referências:
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| Estresse | Ameaça | Declínio | Tempo | Incidência | Severidade |
|---|---|---|---|---|---|
| 2 Species stresses | 8 Invasive & other problematic species, genes & diseases | locality,occupancy,occurrence | past,present,future | regional | high |
| A incidência de espécies exóticas invasoras e sobre-exploração de plantas ornamentais são algumas principais ameaças incidentes sobre a flora do Estado do Espírito Santo (Simonelli e Fraga, 2007). | |||||
Referências:
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| Estresse | Ameaça | Declínio | Tempo | Incidência | Severidade |
|---|---|---|---|---|---|
| 1.1 Ecosystem conversion | 5.3 Logging & wood harvesting | habitat | present,future | regional | high |
| From 2001 to 2017, Sooretama lost 4.85kha of tree cover, equivalent to a 13% decrease since 2000, and 391kt of CO₂ emissions (GFW, 2019). | |||||
Referências:
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| Ação | Situação |
|---|---|
| 1.1 Site/area protection | on going |
| Registros de ocorrência para Estação Ecológica de Santa Lúcia (PI), em Santa Teresa e para a Reserva da Vale do Rio Doce (PI), em Linhares. | |
| Ação | Situação |
|---|---|
| 5.1.2 National level | on going |
| Espécie avaliada como "Em perigo" está incluída no ANEXO I da Lista Nacional Oficial de Espécies da Flora Ameaçadas de Extinção (MMA, 2014). | |
Referências:
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| Ação | Situação |
|---|---|
| 5.4.3 Sub-national level | on going |
| "Em perigo" (EN) segundo a Lista vermelha da flora do Espírito Santo (Simonelli e Fraga, 2007 apud CNCFlora 2012.2). | |
Referências:
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| Ação | Situação |
|---|---|
| 5.1.2 National level | needed |
| A espécie ocorre em um território que será contemplado por Plano de Ação Nacional (PAN) Territorial, no âmbito do projeto GEF pró-espécies: todos contra a extinção : Território Espírito Santo - 33 (ES). | |
| Ação | Situação |
|---|---|
| 3 Species management | needed |
| Considerando que a espécie é conhecida por poucos registros, sendo a maioria deles coletas das décadas de 70-80 e foi apenas recoletada recentemente em uma das localidades, recomenda-se pesquisa e buscas direcionadas pelas subpopulações, para avaliação do tamanho, tendência populacional e de ameaças locais incidentes. Com base nos resultados encontrados, recomenda-se então as ações necessárias de conservação in situ e/ou ex-situ e/ou manejo dos habitats, mitigação de ameaças e coleta de material para banco genético. | |
| Uso | Proveniência | Recurso |
|---|---|---|
| 17. Unknown | ||
| Não existem dados sobre usos efetivos ou potenciais. | ||