Calophyllaceae

Kielmeyera aureovinosa M. Gomes

Como citar:

Raquel Negrão; Tainan Messina. 2017. Kielmeyera aureovinosa (Calophyllaceae). Lista Vermelha da Flora Brasileira: Centro Nacional de Conservação da Flora/ Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

EN

EOO:

0,00 Km2

AOO:

4,00 Km2

Endêmica do Brasil:

Sim

Detalhes:

A espécie é endêmica da região serrana do estado do Rio de Janeiro. Ocorre em uma área restrita no município de São José do Vale do Rio (Gomes 1038)

Avaliação de risco:

Ano de avaliação: 2017
Avaliador: Raquel Negrão
Revisor: Tainan Messina
Critério: A2c;D
Categoria: EN
Justificativa:

Árvore com 6 m a 10 m de altura descrita recentemente, no ano de 2012. Possui potencial valor econômico indicado pela patente de medicamento desenvolvido a partir do extrato de suas raízes, cuja substância química natural (aureociclina) é usada contra infecções cutâneas associadas às infecções hospitalares (Gomes, com. pess.). Contando cerca de 100 indivíduos maduros em sua população, apresenta distribuição restrita (AOO=4 km²) e alta especificidade de hábitat (Gomes, 2012). Ocorre em apenas uma área de Mata Ciliar de propriedade particular localizada no município de São José do Vale do Rio Preto (Gomes, 2012), estando sujeita a uma situação de ameaça. Com base no tempo de geração da espécie, em torno de quatro anos (Gomes, com. pess.), infere-se um declínio populacional de 50%, considerando-se o declínio na AOO e qualidade de hábitat nos últimos 12 anos, provocados pela conversão e degradação dos ecossistemas por atividades agrícolas nas matas ciliares da região (Dantas et al., 2001) e, especificamente, pelo cultivo de chuchu observado na localidade de ocorrência da espécie. Apesar de não estar presente em Unidade de Conservação, há reconhecido interesse em sua conservação por parte dos atuais proprietários da área, em decorrência da participação nos lucros gerados pela patente. Além disso, a espécie responde bem ao cultivo e à extração de parte de suas raízes para produção do extrato (Gomes, com. pess.). Entretanto, fora de áreas legalmente protegidas que garantam sua proteção a longo prazo, projeta-se um declínio potencial, caso não haja um plano de ação para exploração sustentável e conservação da espécie na natureza.

Último avistamento: 2015
Quantidade de locations: 1
Possivelmente extinta? Não

Perfil da espécie:

Obra princeps:

Descrita em: Rodriguésia 63(4): 1158. 2012. Apresentam caule de coloração vinoso-metálica e um padrão de descamar característico; as flores apresentam sépalas e pétalas de margens ciliadas (Gomes,M. 2012). Podem ter suas folhas e flores confundidas com as de K. excelsa, K. rizziniana e K. membranacea, porém através das características mencionadas para caule, sépalas e pétalas a distinção pode ser facilmente realizada (Trad com. pess.).

Valor econômico:

Potencial valor econômico: Sim
Detalhes: Há um medicamento (pomada antibiótica) sendo desenvolvido a partir da espécie, e patenteado pela empresa Extracta (Paes et al., 2012). A substância química natural encontrada é a aureociclina, e já vem sendo usada contra infecções cutâneas pela superbactéria Sarm (Staphylococus aureus, resistente à meticilina), frequentemente associada às infecções hospitalares (Paes et al., 2012).

População:

Detalhes: Foi encontrada uma subpopulação com 50 a 100 indivíduos (Trad, com. pess).

Ecologia:

Substrato: terrestrial
Forma de vida: tree
Biomas: Mata Atlântica
Vegetação: Floresta Ciliar e/ou de Galeria
Fitofisionomia: Floresta Ombrófila Densa
Habitats: 1.9 Subtropical/Tropical Moist Montane Forest
Detalhes: Árvore com 6 a 10 m de altura, ocorre em Mata ciliar, na Mata Atlântica a 600-700 m de altitude (M. Gomes 1030).

Reprodução:

Detalhes: Coletada em flor nos meses de dezembro (M. Gomes 1008) e janeiro (M. Gomes 1053) e em fruto nos meses de maio (M. Gomes 1030) e agosto (M. Gomes 1053). É provável que a polinização seja realizada por abelhas, como ocorre em outras espécies do gênero (Oliveira e Sazima, 1990). Os frutos constituem cápsulas septicidas com sementes aladas, dispersas pelo vento (Gomes, 2012).
Fenologia: flowering (Dec~Jan), fruiting (May~Aug)
Síndrome de polinização: melitophily
Dispersor: Os frutos constituem cápsulas septicidas com sementes aladas, dispersas pelo vento (Gomes, 2012).
Síndrome de dispersão: anemochory
Polinizador: É provável que a polinização seja realizada por abelhas, como ocorre em outras espécies do gênero (Oliveira e Sazima, 1990).
Referências:
  1. Gomes, M. 2012. Kielmeyera aureovinosa (Calophyllaceae) - uma nova espécie da Mata Atlântica na região serrana do estado do Rio de Janeiro. Rodriguésia 63(4): 1157-1163.
  2. De Oliveira, P.E.A.M., Sazima, M., 1990. Pollination biology of two species ofKielmeyera (Guttiferae) from Brazilian cerrado vegetation. Plant Syst. Evol. 172, 35–49.

Ameaças (1):

Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.1 Ecosystem conversion 2 Agriculture & aquaculture locality,habitat,occupancy past,present,future local high
Conforme a descrição da espécie, está distribuída em áreas onde é comum a prática da agricultura.O município de São José do Vale do Rio Preto está em uma região caracterizada pela modificação da vegetação natural em áreas exploradas por atividades silvipastoris e agroflorestais (Dantas et al., 2001).
Referências:
  1. Dantas, M.E., Shinzato, E., Medina, A.I.M., Silva, C.R., Pimentel, J., Lumbreras, J.F., Calderano, S.B., Carvalho Filho, A., 2001. Diagnóstico geoambiental do estado do Rio de Janeiro. CPRM, Brasília.

Ações de conservação (1):

Ação Situação
1 Land/water protection needed
Conforme a descrição a espécie está distribuída em áreas que fora de unidades de conservação e onde e comum a prática da agricultura (Trad, com. pess.).

Ações de conservação (1):

Uso Proveniência Recurso
3. Medicine - human and veterinary cultivated root
Há um medicamento (pomada antibiótica) sendo desenvolvido a partir da espécie, e patenteado pela empresa Extracta (Paes et al., 2012). A substância química natural encontrada é a aureociclina, e já vem sendo usada contra infecções cutâneas pela superbactéria Sarm (Staphylococus aureus, resistente à meticilina), frequentemente associada às infecções hospitalares (Paes et al., 2012). Os extratos vegetais possuindo atividade antibiótica são obtido das raízes da espécie (Paes et al., 2012), extraídas de plantas cultivadas pela empresa Extracta (Gomes, com. pess.).
Referências:
  1. Paes, D.E.C.A., Padula, D.E.M.O., De, S.J.L., De Oliveira Giselle Marie, A.M., Gomes, M., 2012. Extrato vegetal obtido de Kielmeyera aureovinosa com atividade antibiótica, composto químico isolado, composições compreendendo os mesmos, seus usos e métodos de prevenção e tratamento de infecções bacterianas.