Eduardo Fernandez; Mário Gomes. 2020. Inga pedunculata (Fabaceae). Lista Vermelha da Flora Brasileira: Centro Nacional de Conservação da Flora/ Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
Espécie endêmica do Brasil (Flora do Brasil 2020 em construção, 2020), com ocorrência no seguinte estado: BAHIA, nos municípios de Barro Preto, Ilhéus, Porto Seguro e Santa Cruz Cabrália.
Arbusto ou árvore de até 10 m, endêmica do Brasil (Flora do Brasil 2020 em construção, 2020). Popularmente conhecida por ingá, foi documentada em Floresta Ombrófila (= Floresta Pluvial) e Restinga arbórea associadas a Mata Atlântica no estado da Bahia, municípios de Barro Preto, Ilhéus, Porto Seguro e Santa Cruz Cabrália. Apresenta distribuição restrita, EOO= 4272 km², AOO=24 km², quatro situações de ameaça, considerando-se as distintas intensidades de incidência dos vetores de stress nas extremidades de sua EOO, e presença em fitofisionomias severamente fragmentadas. Os municípios de ocorrência da espécie possuem entre 7% e 24% de seus territórios convertidos em áreas de pastagem (Lapig, 2020). A região de Santa Cruz de Cabrália e Porto Seguro apresentou um crescimento urbano mal planejado, representado pela ocupação desordenada e pela descaracterização da paisagem, agravado pelo turismo predatório que causa um aumento demográfico sazonal e, consequentemente, de lixo e esgoto (Carvalho, 2008). Nos municípios de Ilhéus e Itacaré, figuram entre as principais atividades causadoras da perda de habitat as lavouras de cacau, banana, seringais, coco-da-bahia e a pecuária, além do extrativismo da piaçava (IBGE, 2012). O desmatamento histórico e atual reduziu 72% a área de floresta original em Porto Seguro e adjascências (Fundação SOS Mata Atlântica e INPE, 2011). Assim, mesmo com registro de coleta realizado dentro dos limites de Unidades de Conservação de proteção integral, infere-se declínio contínuo em extensão e qualidade de habitat. Assim, I. pedunculata foi considerada Em Perigo (EN) de extinção nesta ocasião. Recomendam-se ações de pesquisa (censo e tendências populacionais, estudos de viabilidade populacional) e conservação (Plano de Ação, garantia de efetividade de UCs) urgentes a fim de se garantir sua perpetuação na natureza no futuro, pois as pressões verificadas ao longo de sua distribuição podem ampliar seu risco de extinção.
A espécie foi avaliada pelo CNCFlora em 2013 (Martinelli e Moraes, 2013) e consta como Criticamente em Perigo (CR) na Portaria MMA 443/2014 (MMA, 2014), sendo então necessário que tenha seu estado de conservação reavaliado após cinco anos da última avaliação.
| Ano da valiação | Categoria |
|---|---|
| 2012 | CR |
Descrita em: The genus Inga: Botany 692. 1997.
| Estresse | Ameaça | Declínio | Tempo | Incidência | Severidade |
|---|---|---|---|---|---|
| 1.2 Ecosystem degradation | 2.3.4 Scale Unknown/Unrecorded | habitat,occurrence | present | local | high |
| Os municípios de ocorrência da espécie possuem entre 7% (Ilhéus – BA), 12% (Barro Preto – BA), 18% (Santa Cruz de Cabrália – BA) e 24% (Porto Seguro – BA) de seu território convertido em áreas de pastagem (Lapig, 2020). | |||||
Referências:
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| Estresse | Ameaça | Declínio | Tempo | Incidência | Severidade |
|---|---|---|---|---|---|
| 1.2 Ecosystem degradation | 4.1 Roads & railroads | habitat | present,past | local | high |
| Na década de 50 houve a abertura da BR 101 sendo asfaltada em 1973, que interliga as cidades de Porto Seguro – Santa Cruz Cabrália (Carvalho, 2008). | |||||
Referências:
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| Estresse | Ameaça | Declínio | Tempo | Incidência | Severidade |
|---|---|---|---|---|---|
| 1.2 Ecosystem degradation | 1.3 Tourism & recreation areas | habitat | present | local | high |
| A região de Santa Cruz de Cabrália e Porto Seguro apresentou um crescimento urbano mal planejado representado pela ocupação desordenada e pela descaracterização da paisagem. Isto ainda é agravado por causa do turismo que causa um aumento demográfico sazonal e, consequentemente, de lixo e esgoto (Carvalho, 2008). Desenvolvimento do turismo se impôs como a principal atividade econômica da região de Porto Seguro, devido aos seus inúmeros recursos turísticos. Houve políticas governamentais de modernização de infra-estrutura turística local, porém, devido ao mal planejamento, acarretou em uma ocupação desordenada do espaço urbano (Carvalho, 2008). Segundo Silva (2002), uma preocupação é a forte erosão genética que populações naturais da espécie vêm sofrendo, principalmente por influências antrópicas causadas por empreendimentos imobiliários nos municípios com potencialidade turístico, a exemplo de Ilhéus, Valença, Itacaré e Porto Seguro. | |||||
Referências:
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| Estresse | Ameaça | Declínio | Tempo | Incidência | Severidade |
|---|---|---|---|---|---|
| 1.2 Ecosystem degradation | 2.2.3 Scale Unknown/Unrecorded | habitat | present | local | high |
| Os municípios de ocorrência da espécie possuem entre 6% (Porto Seguro – BA) e 14% (Santa Cruz Cabrália – BA) de seu território convertido em áreas de monocultura de eucalipto (Lapig, 2020). | |||||
Referências:
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| Estresse | Ameaça | Declínio | Tempo | Incidência | Severidade |
|---|---|---|---|---|---|
| 1.1 Ecosystem conversion | 2.1.3 Agro-industry farming | habitat,locality,occupancy | present | local | high |
| Nas florestas litorâneas atlânticas dos estados da Bahia e Espírito Santo, cerca de 4% da produção mundial de cacau (Theobroma cacao L.) e 75% da produção brasileira é obtida no que é chamado localmente de sistemas de cabruca. Neste tipo especial de agrossilvicultura o sub-bosque é drasticamente suprimido para dar lugar a cacaueiros e a densidade de árvores que atingem o dossel é significativamente reduzida (Rolim e Chiarello, 2004). De acordo com Rolim e Chiarello (2004) os resultados do seu estudo mostram que a sobrevivência a longo prazo de árvores nativas sob sistemas de cabruca estão sob ameaça se as atuais práticas de manejo continuarem, principalmente devido a severas reduções na diversidade de árvores e desequilíbrios de regeneração. Tais resultados indicam que as florestas de cabrucas não são apenas menos diversificadas e densas do que as florestas secundárias ou primárias da região, mas também que apresentam uma estrutura onde espécies de árvores dos estágios sucessionais tardios estão se tornando cada vez mais raras, enquanto pioneiras e espécies secundárias estão se tornando dominantes (Rolim e Chiarello, 2004). Isso, por sua vez, resulta em uma estrutura florestal drasticamente simplificada, onde espécies secundárias são beneficiadas em detrimento de espécies primárias (Rolim e Chiarello, 2004). Nos municípios de Ilhéus e Itacaré, figuram entre as principais atividades causadoras da perda de habitat as lavouras de cacau, banana, seringais, coco-da-bahia e a pecuária. Também é comum o extrativismo da piaçava (IBGE, 2012). Nos municípios de Itamaraju, Ilhéus e Uruçuca, cerca de 80% da cobertura original da Mata Atlântica foi desmatada. Em Ilhéus, esse percentual é de 65% (SOS Mata Atlântica; INPE, 2011). | |||||
Referências:
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| Estresse | Ameaça | Declínio | Tempo | Incidência | Severidade |
|---|---|---|---|---|---|
| 1.2 Ecosystem degradation | 5.3.5 Motivation Unknown/Unrecorded | habitat | present | local | high |
| No município baiano de Porto Seguro 72% da cobertura original de Mata Atlântica encontram-se desmatados (Fundação SOS Mata Atlântica e INPE, 2011). | |||||
Referências:
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| Ação | Situação |
|---|---|
| 5.1.2 National level | on going |
| Espécie avaliada como Criticamente em Perigo (CR) e incluída no ANEXO I da Lista Nacional Oficial de Espécies da Flora Ameaçadas de Extinção (MMA, 2014). | |
Referências:
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| Ação | Situação |
|---|---|
| 1.1 Site/area protection | on going |
| A espécie foi registrada no Parque Nacional do Monte Pascoal (PI) e na Área De Proteção Ambiental Lagoa Encantada (US). | |
| Ação | Situação |
|---|---|
| 2.1 Site/area management | needed |
| A espécie precisa que sejam garantidos e efetivados os Planos de Manejo das Unidades de Conservação onde ocorre. | |
| Uso | Proveniência | Recurso |
|---|---|---|
| 17. Unknown | ||
| Não existem dados sobre usos efetivos ou potenciais. | ||