ORCHIDACEAE

Grobya cipoensis F.Barros & Lourenço

Como citar:

Pablo Viany Prieto; Tainan Messina. 2012. Grobya cipoensis (ORCHIDACEAE). Lista Vermelha da Flora Brasileira: Centro Nacional de Conservação da Flora/ Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

CR

EOO:

0,00 Km2

AOO:

4,00 Km2

Endêmica do Brasil:

Sim

Detalhes:

A espécie é endêmica do Brasil, ocorrendo exclusivamente no estado de Minas Gerais (Barros et al., 2012). A espécie representa um endemismo restrito da porção mineira da Serra da Espinhaço (Serra do Cipó) (Barbeiro, 2007; Guimarães, 2010). A espécie ocorre normalmente acima dos 1200 m de altitude, assim como Vellozia gigantea (Ribeiro et al. In: Relatório ICMbio). A espécie foi considerada Rara por van der Berg et al. (2009) de acordo com os critérios de raridade adotados por Giulietti et al (2009).

Avaliação de risco:

Ano de avaliação: 2012
Avaliador: Pablo Viany Prieto
Revisor: Tainan Messina
Critério: B2ab(iii,v)
Categoria: CR
Justificativa:

<i>Grobya cipoensis</i> é uma espécie com distribuição pontual (AOO=4 Km²) e habitat altamente específico, ocorrendo apenas na Serra do Cipó, MG, como epífita sobre a Canela-de-ema <i>Vellozia gigantea</i> N.L.Menezes & Mello-Silva. O habitat da espécie é ameaçado pela incidência frequente de incêndios e pela invasão por gramíneas exóticas invasoras de alto poder competitivo. Além disso, <i>G. cipoensis </i>tem potencial ornamental, sendo, portanto, possível suspeitar que a coleta de plantas, junto com a degradação do seu habitat, esteja contribuindo para o declínio do número de indivíduos maduros. Pelo exposto, portanto, a espécie foi considerada "Criticamente em perigo" (CR).

Perfil da espécie:

Obra princeps:

Descrita originalmente na obra Botanical Journal of the Linnean Society 145(1): 120, 122123, f. 3, 6 [map]. 2004., a espécie é caracterizada por seus pseudobulbos ovóide-esféricos, com 3 ou 4 folhas apicais; inflorescência basal, com 2 a 5 flores; pétalas amarelas pintalgadas de marrom, o labelo amarelo, mais claro, trilobado. Assemelha-se a G. amherstiae (Barros; Lourenço, 2004).

Valor econômico:

Potencial valor econômico: Sim
Detalhes: ​Apesar de não ser amplamente encontrada em orquidários para venda, existem alguns poucos que vendem exemplares de G. cipoensis (Menini Neto, com. pess.).

População:

Flutuação extrema: Sim
Detalhes: A espécie possui ao menos 3 populações conhecidas, com base nos registros de coleta existentes (CNCFlora In: http://cncflora.jbrj.gov.br/fichas/ficha.htmlid=37647, 2011) e na bibliografia consultada (Barros; Lourenço, 2004).A espécie apresenta Tempo de Geração de cerca de 2 anos, conforme estimado por CNCFlora (2011) para plantas herbáceas.

Ecologia:

Biomas: Cerrado
Fitofisionomia: Campos Rupestres (Barros et al., 2012)
Habitats: 4.7 Subtropical/Tropical High Altitude
Detalhes: Planta herbácea, epífita exclusiva da canela-de-ema Vellozia gigantea N.L. Menezes & Mello-Silva, (van der Berg et al., 2009), ocorrendo restritamente sobre esta espécie, característica dos campos rupestres mineiros (Serra do Cipó) (Barros; Lourenço, 2004; Ribeiro et al. In: Relatório ICMBio), associados ao Domínio Fitogeográfico Cerrado (Barros et al., 2012). A grande maioria das espécies da família Orchidaceae são perenes e hermafroditas (Barros, com. pess.). A espécie é dispersa pelo vento (Barros, com. pess.).

Ameaças (4):

Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
2 Invasive alien species (directly affecting the species) local high
O capim - braquiaria (Urochloa decumbens) mostrou-se ser realmente uma especie invasora sobre os campos rupestres na Serra do Cipó (De Filippo, 2009). Pode não representar uma ameaça direta a G. cipoensis, já que esta utiliza a canela-de-ema V. gigantea como substrato (Menini Neto, com. pess.).
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1 Habitat Loss/Degradation (human induced) high
O espinhaço é marcado, em praticamente toda a sua extensão, por uma ocupação humana antiga vinculada à extração de ouro ou diamantes e atividades associadas. No entanto, com o declínio das jazidas no final do século XIX, as cidades perderam importância e várias delas vivem atualmente de sua história, encontrando no turismo sua principal atividade econômica. Outras estão resignadas a atividades em pequena escala, como a agricultura de subsistência e o extrativismo. Devido à topografia irregular e ao solo impróprio para agricultura, os campos rupestres não parecem sofrer pressão antrópica acentuada. No entanto, estão sujeitos a queimadas frequentes. Em alguns pontos, estão sendo substituídos por monoculturas de eucaliptos e pinheiros. Em outros, principalmente próximos aos centros urbanos, o aumento no número de casas de veraneio e pousadas é surpreendente. São comuns também a coleta de toneladas de capítulos de sempre-vivas (principalmente Eriocaulaceae e Xyridaceae) para exportação, a retirada de orquídeas, cactos e bromélias para cultivo e a extração de diferentes espécies de canelas-de-ema (ou candombás) resinosas para combustível (Giulietti et al., 1997). Muitas dessas populações são pequenas e a retirada de indivíduos nesses casos pode reduzir significativamente e de maneira irreversível sua variabilidade, podendo desencadear um processo que culminará com sua extinção. a interferência humana nas comunidades dos campos rupestres, portanto, não é desprezível e já tem sido notada através da menor variabilidade genética e morfológica em populações de plantas do espinhaço (e.g., Gomes et al., 2004; Pereira et al., 2007; Ribeiro et al., 2007). O grande número de espécies vegetais exclusivas dos campos rupestres rende à sua flora a condição de insubstituível. Suas espécies microendêmicas são muitas vezes representadas apenas por pequenas populações e estão por isso mais suscetíveis a episódios estocásticos naturais ou provocados pelo homem. Portanto, os campos rupestres são intrinsicamente ricos em espécies vulneráveis e necessitam de proteção especial. Para se proteger os campos rupestres é imprescindível conhecer as espécies que ali ocorrem e como elas estão distribuídas (Rapini et al., 2008).
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.6 Change in native species dynamics (directly impacting habitat local high
A espécie Vellozia gigantea representa o único substrato sobre o qual G. cipoensis ocorre. Esta canela-de-ema gigante, fundamental para a perpetuação da orquídea em questão, sofre com incêndios periódicos nos campos rupestres de sua ocorrência, além da presença de espécies exóticas invasoras (Ribeiro et al., In: Relatório equipe ICMBio).
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.3.4 Non-woody vegetation collection local high
As epífitas sobre as canelas-de-ema gigantes, como G. cipoensis, são frequentemente coletadas por colecionadores e negociantes de plantas ornamentais (Ribeiro et al., In: Relatório equipe ICMBio).

Ações de conservação (2):

Ação Situação
1.2.1.2 National level on going
​A espécie consta no Anexo II da Instrução Normativa nº 6 de 23 de setembro de 2008 (MMA, 2008), sendo, portanto, considerada Deficiente de Dados (DD).
Ação Situação
4.4.3 Management needed
​Apesar de algumas populações conhecidas ocorrerem dentro dos limites de Unidades de Conservação (Parque Nacional da Serra do Cipó e APA Morro da Pedreira, MG), estas não garantem efetivamente sua proteção, conforme evidenciado por Ribeiro et al.(In: Relatório equipe ICMBio).