AMARANTHACEAE

Gomphrena hermogenesii J.C.Siqueira

Como citar:

Luiz Santos; Eduardo Fernandez. 2014. Gomphrena hermogenesii (AMARANTHACEAE). Lista Vermelha da Flora Brasileira: Centro Nacional de Conservação da Flora/ Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

VU

EOO:

7.062,313 Km2

AOO:

28,00 Km2

Endêmica do Brasil:

Sim

Detalhes:

Endêmica do Estado de Goiás (Siqueira, 1991; Senna & Siqueira, 2013), município de Alto Paraíso de Goiás (Chapada dos Veadeiros) (Senna & Siqueira, 2009); encontrada entre 845 e 1.509 m de altitude (M.L. Fonseca 1274; S.M. Frank-de-Carvalho 123); ocorre também no Estado da Bahia, município de Morro do Chapéu (A.P. Duarte 10608).

Avaliação de risco:

Ano de avaliação: 2014
Avaliador: Luiz Santos
Revisor: Eduardo Fernandez
Critério: B1ab(iii);D2
Categoria: VU
Justificativa:

Espécie de porte herbáceo ou subarbustivo (Siqueira, 1991), endêmica da flora brasileira (Marchioretto et al., 2014), ocorre nos estados de Goiás, no município de Alto Paraíso de Goiás (Chapada dos Veadeiros) (Senna & Siqueira, 2009; Marchioretto et al., 2014), e Bahia, no município de Morro do Chapéu (CNCFlora, 2013). Apresenta EOO de 8.307 km² e está sujeita a três situações de ameaça, considerando sua ocorrência no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (GO) (Siqueira, 1991), na RPPN Cara Preta (GO) (CNCFlora, 2013) e em Morro do Chapéu (BA). É geralmente encontrada em estado vegetativo, sob as folhas de gramíneas e ciperáceas que predominam em antigas áreas de pastagens (Frank-de-Carvalho et al., 2010; 2012); desenvolve-se também em Campos Rupestres (Senna & Siqueira, 2009), Campos Limpos Úmidos, Campos Sujos, campos arenosos e áreas inundadas, em solo pedregoso-arenoso, entre aproximadamente 840 m e 1.500 m de altitude (CNCFlora, 2013). Apesar de ocorrer em Unidades de Conservação, está sob ameaça do aumento da frequência dos incêndios de origem antrópica, utilizados principalmente no manuseio do solo para implementação da agricultura e pecuária (Fiedler et al., 2006; Souza & Felfili, 2006). As ameaças que incidem sobre a região de ocorrência do táxon corroboram a perda da qualidade e extensão de seu hábitat. Medidas de controle e monitoramento das ameaças incidentes são necessárias a fim de garantir sua manutenção e viabilidade na natureza.

Quantidade de locations: 0
Possivelmente extinta? Não
Severamente fragmentada? Desconhecido

Perfil da espécie:

Obra princeps:

Espécie descrita em Eugeniana 4: 8 (1982). Espécie afim de Gomphrena scapigera, diferenciando-se pela forma e pilosidade das folhas, ausência de folhas no pedúnculo da inflorescência, brácteas laterais e local de ocorrência (Siqueira, 1991).

Ecologia:

Forma de vida: herb
Longevidade: unkown
Biomas: Cerrado
Fitofisionomia: Savana Parque
Habitats: 2.1 Dry Savanna, 2.2 Moist Savana
Clone: unkown
Rebrotar: yes
Detalhes: Caracteriza-se por ervas (M.L. Fonseca 1274) ou subarbustos de até 40 cm de altura, eretos, pouco ramificados, com folhas opostas, subcoriáceas (Siqueira, 1991); possui partes aéreas persistentes e sistema subterrâneo tuberoso, com gemas subterrâneas; geralmente encontrada em estado vegetativo, sob as folhas de gramíneas e ciperáceas que predominam em antigas áreas de pastagens; apresenta comportamento pirofítico (o fogo quebra a dormência da espécie, estimula o rebrotamento das partes aéreas e a floração/frutificação) (Frank-de-Carvalho et al., 2010; 2012); ocorre em Campos Rupestres (Senna & Siqueira, 2009), campos arenosos (A.A. Barbosa 215), Campo Limpo úmido (M.A. Silva 3238), Campo Sujo em solo pedregoso-arenoso (M.L. Fonseca 1274) e áreas inundadas (R.C. Mendonça 1154).
Referências:
  1. JOSAFÁ CARLOS DE SIQUEIRA. O gênero Gomphrena L. (Amaranthaceae) no Brasil. Campinas, SP: Universidade Estadual de Campinas, 1991.
  2. SENNA, L.R.; SIQUEIRA, J.C. Amaranthaceae. In: GIULIETTI, A.M.; RAPINI, A.; ANDRADE, M.J.G.; QUEIROZ, L.P.; SILVA, J.M.C. Plantas Raras do Brasil. Belo Horizonte: Conservaçao Internacional; Univesidade Estadual de Feira de Santana, 2009. p. 48-50.
  3. FRANK-DE-CARVALHO, S.M.; BÁO, S.N.; MARCHIORETTO, M.S. Amaranthaceae as a Bioindicator of Neotropical Savannah Diversity. In Biodiversity Enrichment in a Diverse World. Gbolagade Akeem Lameed; InTech, 2012. cap. 10, p. 235-262.
  4. FANK-DE-CARVALHO, S.M.; MARCHIORETTO, M.S.; BÁO, S.N. Leaf anatomy, morphology and ecological aspects of Amaranthaceae species from Reserva Particular do Patrimônio Natural Cara Preta, in Alto Paraíso, GO, Brazil. Biota Neotrop. 10(4): http://www.biotaneotropica.org.br/v10n4/en/abstract?article+bn01310042010.

Reprodução:

Detalhes: Floresce e frutifica entre setembro e dezembro (Senna & Siqueira, 2009); as espécies do gênero Gomphrena após a passagem do fogo se desenvolvem e florescem rapidamente (Frank-de-Carvalho et al., 2012).
Fenologia: flowering (Sep~Dec), fruiting (Sep~Dec)
Estratégia: unknown
Sistema: unkown
Referências:
  1. SENNA, L.R.; SIQUEIRA, J.C. Amaranthaceae. In: GIULIETTI, A.M.; RAPINI, A.; ANDRADE, M.J.G.; QUEIROZ, L.P.; SILVA, J.M.C. Plantas Raras do Brasil. Belo Horizonte: Conservaçao Internacional; Univesidade Estadual de Feira de Santana, 2009. p. 48-50.
  2. FRANK-DE-CARVALHO, S.M.; BÁO, S.N.; MARCHIORETTO, M.S. Amaranthaceae as a Bioindicator of Neotropical Savannah Diversity. In Biodiversity Enrichment in a Diverse World. Gbolagade Akeem Lameed; InTech, 2012. cap. 10, p. 235-262.

Ameaças (3):

Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
2.1.3 Agro-industry farming habitat,occupancy past,present regional high
No município de Alto Paraíso de Goiás a atividade agrícola encontra-se em constante expansão (Souza & Felfili, 2006).
Referências:
  1. SOUZA, C. D.; FELFILI, J. M. Uso de plantas medicinais na região de Alto Paraíso de Goiás, GO, Brasil. Acta Botanica Brasilica, v. 20, n.1, p. 135-142, 2006.
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
2.3 Livestock farming & ranching habitat,occupancy past,present regional high
A pecuária configura importante ameaça no município de Alto Paraíso de Goiás, contribuindo para invasão de gramíneas exóticas e aumento na freqüência dos incêndios (Souza & Felfili, 2006).
Referências:
  1. SOUZA, C. D.; FELFILI, J. M. Uso de plantas medicinais na região de Alto Paraíso de Goiás, GO, Brasil. Acta Botanica Brasilica, v. 20, n.1, p. 135-142, 2006.
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
7.1.1 Increase in fire frequency/intensity habitat,occupancy past,present regional high
As modificações na paisagem por causa da produção agrícola e pecuária, tem sido considerada a principal causa de degradação do Cerrado e causado um aumento na frequência de fogo na região da Chapada dos Veadeiros e, provavelmente, alterado a capacidade de recuperação de elementos da biota mais sensíveis a esse distúrbio, além do contínuo declínio da qualidade do habitat da região (Fiedler et al., 2006).
Referências:
  1. FIEDLER, N. C.; MERLO, D. A.; MEDEIROS, M. B. Ocorrência de incêndios florestais no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, Goiás. Ciência Florestal, v. 16, n. 2, 2006.

Ações de conservação (1):

Ação Situação
1.1 Site/area protection on going
Ocorre em Unidade de Conservação: RPPN Cara Preta (Frank-de-Carvalho et al., 2010) e PARNA da Chapada dos Veadeiros (Siqueira, 1991).
Referências:
  1. JOSAFÁ CARLOS DE SIQUEIRA. O gênero Gomphrena L. (Amaranthaceae) no Brasil. Campinas, SP: Universidade Estadual de Campinas, 1991.
  2. FANK-DE-CARVALHO, S.M.; MARCHIORETTO, M.S.; BÁO, S.N. Leaf anatomy, morphology and ecological aspects of Amaranthaceae species from Reserva Particular do Patrimônio Natural Cara Preta, in Alto Paraíso, GO, Brazil. Biota Neotrop. 10(4): http://www.biotaneotropica.org.br/v10n4/en/abstract?article+bn01310042010.