Vochysiaceae

Erisma fuscum Ducke

Como citar:

Eduardo Fernandez; Patricia da Rosa. 2018. Erisma fuscum (Vochysiaceae). Lista Vermelha da Flora Brasileira: Centro Nacional de Conservação da Flora/ Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

EN

EOO:

271.212,824 Km2

AOO:

28,00 Km2

Endêmica do Brasil:

Sim

Detalhes:

Espécie endêmica do Brasil, com ocorrência no: AMAZONAS, municípios de Manaus (Pessoal do CPF INPA105992), Humaitá (Krukoff 6927), Rio Preto da Eva (Rodrigues 8106), e PARÁ, município de Breves (Ducke s.n.).

Avaliação de risco:

Ano de avaliação: 2018
Avaliador: Eduardo Fernandez
Revisor: Patricia da Rosa
Critério: A2cd;B2ab(ii,iii,v)
Categoria: EN
Justificativa:

Árvore de até 25 m, endêmica do Brasil (Souza et al., 2018). Conhecida popularmente como caferana ou quarubarana, foi coletada em Floresta de Terra Firme associada a Amazônia nos estados do Amazonas, Pará e possivelmente, Roraima (Crivelli et al., 2017). Apresenta ampla distribuição na bacia amazônica, mas ocorrência exclusiva em fitofisionomia florestal e AOO=28 km². Sabe-se que a floresta amazônica perdeu 17% de sua cobertura florestal original, principalmente devido à atividades oriundas da agroindústria, pecuária extensiva, infraestrutura rodoviárias e hidrelétricas, mineração e exploração madeireira (Charity et al., 2016). Moutinho et al., 2016) demonstram que o desmatamento continua constante mesmo após a “desaceleração” verificada entre 2004–2012. A espécie está sujeita ainda ao corte seletivo, uma vez que possui valor comercial pela sua madeira e utilização ocasional como alimento (Condé, 2011). Dados populacionais indicam frequência intermediária, além de reduções populacionais de cerca de 50% após corte seletivo (Condé, 2011). E. fuscum sofre com a exploração comercial em larga escala de seus estoques naturais, o que resulta drásticas reduções populacionais. Somente no Pará, cerca de 3,2400 m³ de toras de E. fuscum foram retirados ilegalmente da natureza em 2016 (SEMAS-PA, 2016). Assim, a espécie foi considerada Em Perigo (EN) de extinção. Infere-se redução no tamanho da população igual ou superior a 50% nos últimos 30 anos, onde as causas passadas que promoveram tais reduções não cessaram, apesar de relativamente bem compreendidas atualmente. Recomenda-se ações de pesquisa (distribuição, números e tendências populacionais, fluxo gênico) e conservação (Plano de Ação, Plano de Manejo sustentável, legislação específica) urgentes a fim de se evitar a ampliação de seu risco de extinção no futuro.

Último avistamento: 1986
Possivelmente extinta? Não
Severamente fragmentada? Sim

Perfil da espécie:

Obra princeps:

Descrita em: Archivos do Jardim Botânico do Rio de Janeiro 4: 105–106. 1925. Conhecida popularmente como cedrinho, caferana ou quarubarana (Condé, 2011).

Valor econômico:

Potencial valor econômico: Sim
Detalhes: A espécie possui valor economico como madeira de lei. Considerando-se seu porte e o fato de encontrar-se listada e legalmente protegida como madeira de lei em algumas áreas da região norte (MMA, 2012), acredita-se que E. fuscum possua valor econômico no mercado (legal e ilegal) de madeira.

População:

Detalhes: Não existem dados populacionais quantitativos compreensivos disponíveis para E. fuscum. Entretanto, Condé (2011) identificou a presença de somente seis indivíduos/ ha em estudo sobre os impactos na vegetação após a exploração madeireira em Floresta Ombrófila Densa de Terra Firme no município de Caracaraí, RR. Condé (2011) verificou ainda que a espécie reduziu totalmente seu volume nas últimas classes diamétricas consideradas, afirmando que E. fuscum é abatida por gerar alto estoque volumétrico, apesar de apresentar grande potencial de regeneração natural. Estimou-se também uma redução na quantidade de indivíduos de E. fuscum de 66,7% após a exploração (Condé, 2011).
Referências:
  1. Condé, T.M., 2011. Avaliação dos impactos na vegetação após a exploração madeireira em Floresta Ombrófila Densa de Terra Firme no município de Caracaraí, RR. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Roraima - UFRR.

Ecologia:

Substrato: terrestrial
Forma de vida: tree
Longevidade: unkown
Biomas: Amazônia
Vegetação: Floresta de Terra-Firme
Fitofisionomia: Floresta Ombrófila Densa Submontana
Habitats: 1.6 Subtropical/Tropical Moist Lowland Forest
Clone: unkown
Rebrotar: unkown
Detalhes: Árvores, ca. 25 m altura, coletada em Floresta de Terra Firme maduras (clímax) associada a Amazônia brasileira (Souza et al., 2018).
Referências:
  1. Souza, L.F.; Shimizu, G.H.; Gonçalves, D.J.P.; França, F., 2018. Vochysiaceae in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro.Disponível em: <http://reflora.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB88359>. Acesso em: 01 Out. 2018

Reprodução:

Estratégia: unknown
Sistema: unkown

Ameaças (4):

Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
2.1 Species mortality 5.3.2 Intentional use: large scale (species being assessed is the target) [harvest] habitat,mature individuals past,present regional high
Condé (2011) afirma que a exploração comercial, mesmo de baixo impacto, de E. fuscum impacta a presença e perpetuação da espécie nas áreas exploradas, afetando diretamente sua viabilidade populacional. Dados oficiais de apreensão de toras no estado do Pará (SEMA-PA, 2016) indicam cerca de 3,2400 m³ de toras de E. fuscum retirados ilegalmente da natureza. Em Roraima, a espécie é a 5a espécie florestal mais retirada por madeireiros (Crivelli et al., 2017).
Referências:
  1. Condé, T.M., 2011. Avaliação dos impactos na vegetação após a exploração madeireira em Floresta Ombrófila Densa de Terra Firme no município de Caracaraí, RR. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Roraima - UFRR.
  2. Secretária de Estado de Meio Ambiente (SEMAS - PA), 2016. Edital de Licitação LEILÃO Nº 006/2016 – SEMAS/PA PROCESSOS N° 16763/2016 e Nº 16904/2016 - Anexo I - Relação dos Produtos Florestais Lote 01 – CONFORME RELATÓRIO DE AVALIAÇÃO Nº 03/2016 (COMPLEMENTAR).
  3. Crivelli, B.R.; Gomes, J.P.; Morais, W.W.C.; Condé, T.M.; Santos, R.L. e Filho, O.S.B., 2017. Caracterização do setor madeireiro de Rorainópolis, sul de Roraima. Ciência da Madeira (Brazilian Journal of Wood Science). 8(3): 142-150. DOI: 10.12953/2177-6830
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.2 Ecosystem degradation 2 Agriculture & aquaculture habitat past,present,future regional very high
A floresta amazônica perdeu 17% de sua cobertura florestal original, 4,7% somente entre 2000 e 2013, principalmente devido à atividades oriundas da agroindústria, pecuária extensiva, infraestrutura rodoviárias e hidrelétricas, mineração e exploração madeireira (Charity et al. 2016).Moutinho et al. (2016) demonstram que taxa de desmatamento de aproximadamente 5.000 km²/ ano continua mesmo após a “desaceleração” verificada na Amazônia entre 2004–2012. Os centros de desmatamento de alta intensidade situados na Amazônia foram deslocados do tradicional Arco do Desmatamento brasileiro para a Bolívia, o Peru e a região Nordeste da Amazônia. Foi verificado ainda um aumento acentuado no desmatamento em pequena escala, parcialmente compensando os declínios relatados anteriormente. Os eventos pequenos de desmatamento se espalharam por toda a Amazônia nos últimos anos, mesmo em áreas protegidas. Em conjunto, esses resultados aumentam a percepção sobre novas formas de ameaças incidentes na Amazônia e apresentam novos desafios para a conservação das florestas dessa região (Kalamandeen, 2017).
Referências:
  1. Moutinho, P., Guerra, R., Azevedo-Ramos, C., 2016. Achieving zero deforestation in the Brazilian Amazon: What is missing? Elementa: Science of the Anthropocene 4:000125. [doi:10.12952/journal.elementa.000125]
  2. Kalamandeen, M.; Gloor, E.; Mitchard, E.; Quincey, D.; Ziv, G.; Spracklen, D.; Spracklen, B.; Adami, M.; Aragão, L.E.O.C.; Galbraith, D., 2017. Pervasive Rise of Small-scale Deforestation in Amazonia. Scientific Reports, 8:1600.
  3. Charity, S., Dudley, N., Oliveira, D. and Stolton, S. (editors), 2016. Living Amazon Report 2016: A regional approach to conservation in the Amazon. WWF Living Amazon Initiative, Brasília and Quito.
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.2 Ecosystem degradation 4 Transportation & service corridors habitat past,present,future regional high
Pfaff (1999), em estudo econométrico a nível municipal conduzido na Amazônia brasileira entre 1978–1988, indica que as estradas são um importante fator de desmatamento em toda a Amazônia. Pfaff et al. (2007) apontam ainda o impacto severo da abertura de estradas na Amazônia, que leva invariavelmente a mais desmatamento, não só nos municípios e povoados por onde passam, mas também em setores vizinhos, através do efeito de “transbordamento” (spillover effect). Segundo Fearnside (2001), a soja é muito mais prejudicial do que outras culturas na Amazônia, porque justifica projetos de infraestrutura de transporte maciço que desencadeiam outros eventos que levam à destruição de habitats naturais em vastas áreas, além do que já é diretamente usado para o seu cultivo. Fernside (2015) argumenta que as estradas atuam como impulsionadoras do desmatamento, atraindo trabalhadores migrantes e investimentos para áreas de floresta anteriormente inacessíveis dentro da Amazônia. Segundo o autor, o desmatamento é então estimulado não apenas por estradas que aumentam a lucratividade da agricultura e da pecuária, mas também pelo efeito das estradas (acessibilidade) na especulação de terra e no estabelecimento de posse de terras. As principais estradas são acompanhadas por redes de estradas laterais construídas por madeireiros, mineiros e posseiros. O desmatamento se espalha para fora das rodovias e suas estradas de acesso associadas. As rodovias também fornecem caminhos para a migração de fazendeiros sem terra e outros, gerando assim o desmatamento em áreas adjacentes. As estradas principais estimulam a construção de estradas secundárias que fornecem acesso a regiões distantes da rota principal da rodovia. Um exemplo importante é a reconstrução planejada da rodovia BR-319 (Manaus-Porto Velho). Estradas laterais abririam o grande bloco de floresta intacta na parte oeste do estado do Amazonas, que incluía vastas áreas de terras públicas - a categoria mais vulnerável à invasão por grileiros e posseiros (Fernside e Graça, 2006).
Referências:
  1. Pfaff, A.S.P., 1999. What drives deforestation in the Brazilian Amazon? Evidence from satellite and socioeconomic data. J. Environ. Econ. Manage. 37, 26–43.
  2. Pfaff, A., Robalino, J., Walker, R., Aldrich, S., Caldas, M., Reis, E., Perz, S., Bohrer, C., Arima, E., Laurance, W., Kirby, K., 2007. Road investments, spatial intensification and deforestation in the Brazilian Amazon. J. Reg. Sci. 47, 109–123.
  3. Fearnside, P.M., 2001. Soybean cultivation as a threat to the environment in Brazil. Environ. Conserv. 28, 23–38.
  4. Fearnside, P.M., 2015. Highway construction as a force in destruction of the Amazon forest. pp. 414-424 In: R. van der Ree, D.J. Smith & C. Grilo (eds.) Handbook of Road Ecology. John Wiley & Sons Publishers, Oxford, UK. 552 pp.
  5. Fearnside, P.M., Graça, P.M.L.D.A., 2006. BR-319: Brazil’s Manaus-Porto Velho Highway and the potential impact of linking the arc of deforestation to Central Amazonia. Environ. Manage. 38, 705–716.
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.2 Ecosystem degradation 5.3 Logging & wood harvesting habitat past,present,future regional high
Registro constante de atividades ilegais de grande impacto desenvolvidas na maior parte das áreas protegidas da Amazônia foi desenvolvido por Kuano et al. (2017). Os autores encontraram 27 tipos de uso ilegal de recursos naturais que foram agrupados em 10 categorias de atividades ilegais. A maioria das infrações estava relacionada à supressão e degradação da vegetação (37,40%), seguida pela pesca ilegal (27,30%) e atividades de caça (18,20%). Esses resultados demonstram que, embora as APs sejam fundamentais para a conservação da natureza na Amazônia brasileira, as pressões e ameaças representadas pelas atividades humanas incluem uma ampla gama de usos ilegais de recursos naturais. A densidade populacional de até 50 km de uma AP é uma variável chave, influenciando atividades ilegais. Essas ameaças colocam em risco a conservação a longo prazo e ainda são necessários muitos esforços para manter os APs suficientemente grandes e intactos para manter as funções dos ecossistemas e proteger a biodiversidade.
Referências:
  1. Kuano, E.E., Silva, J.M.C., Michalski, F., 2017. Illegal use of natural resources in federal protected areas of the Brazilian Amazon. PeerJ, DOI 10.7717/peerj.3902

Ações de conservação (2):

Ação Situação
1.1 Site/area protection on going
Foi registrada dentro dos limites da Reserva Florestal Adolfo Ducke (Rodrigues 7539).
Ação Situação
5.1.2 National level on going
A espécie encontra-se listada na RESOLUÇÃO No - 12, DE 11 DE JUNHO DE 2012, onde atualiza-se a Lista de Espécies prevista no Anexo 5 do Edital de Licitação para Concessão Florestal na Floresta Nacional do Jamari (MMA, 2012), restringindo assim, seu corte em determinadas regiões.
Referências:
  1. MMA (Ministério do Meio Ambiente), 2012. RESOLUÇÃO No - 12, DE 11 DE JUNHO DE 2012. Atualiza a Lista de Espécies prevista no Anexo 5 do Edital de Licitação para Concessão Florestal na Floresta Nacional do Jamari. SBF - SERVIÇO FLORESTAL BRASILEIRO,

Ações de conservação (1):

Uso Proveniência Recurso
9. Construction/structural materials natural whole plant
A espécie encontra-se listada na RESOLUÇÃO No - 12, DE 11 DE JUNHO DE 2012 (MMA, 2012) e na Lista das Espécies Florestais e Arbustivas de Interesse Econômico na Amazônia Ocidental pelo uso madeireiro (madeira em tora) e alimentício.
Referências:
  1. MMA (Ministério do Meio Ambiente), 2012. RESOLUÇÃO No - 12, DE 11 DE JUNHO DE 2012. Atualiza a Lista de Espécies prevista no Anexo 5 do Edital de Licitação para Concessão Florestal na Floresta Nacional do Jamari. SBF - SERVIÇO FLORESTAL BRASILEIRO,