BROMELIACEAE

Dyckia maritima Baker

Como citar:

Miguel d'Avila de Moraes; Tainan Messina. 2012. Dyckia maritima (BROMELIACEAE). Lista Vermelha da Flora Brasileira: Centro Nacional de Conservação da Flora/ Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

EN

EOO:

47.742,907 Km2

AOO:

104,00 Km2

Endêmica do Brasil:

Sim

Detalhes:

A espécie ocorre na Mata Atlântica, exclusivamente no Estado do Rio Grande do Sul (Forzza et al., 2011).

Avaliação de risco:

Ano de avaliação: 2012
Avaliador: Miguel d'Avila de Moraes
Revisor: Tainan Messina
Critério: B2ab(iii,iv)
Categoria: EN
Justificativa:

<i>Dyckia maritima</i> Baker é endêmica do Brasil e ocorre exclusivamente nos Estados de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. A espécie é rupícola, heliófita ou de luz difusa e seletiva xerófita, muito frequente nos costões rochosos do litoral, bem como nas rochas areníticas ao sul de Santa Catarina e ao leste do Rio Grande do Sul. Apesar de sua ampla distribuição (EOO=44.642,84 km²) e de formar densos agrupamentos de rosetas, ocupa uma área (AOO ) de apenas 100 km². A formação do reservatório do AHE Barra Grande (RS/SC) provocou a submersão de remanescentes de indivíduos da espécie na área alagada, contribuindo para a redução da variabilidade genética de suas populações. Além disso, atividades relacionadas à agricultura de subsistência e criação de gado vêm causando o declínio contínuo da qualidade do hábitat. Foram identificadas duas situações de ameaça de acordo com a presença ou ausência de áreas protegidas. Assim, <i>D. maritima</i> foi avaliada como "Em perigo" (EN).

Perfil da espécie:

Valor econômico:

Potencial valor econômico: Desconhecido

População:

Flutuação extrema: Desconhecido
Detalhes: Silva (1994) menciona que a espécie é abundante no Parque Estadual de Itapuã, formando grandes touceiras. Waldemar (1998) afirma que nos rochedos próximos a Laguna dos Patos (RS), ocorrem densos agrupamentos da espécie.

Ecologia:

Biomas: Mata Atlântica
Fitofisionomia: Restinga e Afloramentos Rochosos (Martinelli et al., 2009)
Habitats: 1.7 Subtropical/Tropical Mangrove Vegetation Above High Tide Level, 6 Rocky Areas [e.g. inland cliffs, mountain peaks]
Detalhes: Dyckia maritima é uma bromélia terrestre,ornamental e provida de numerosas folhas dispostas em roseta, com flores amarelo-alaranjadas arranjadas em uma inflorescência de 1-2,5 m de altura (Silva et al., 2008).Waldemar (1998) classificou a forma de vida da espécie como caméfita rosetada. O mesmo autor afirma que a espécie possui crescimento clonal.Reitz (1983) afirma que D. maritima é uma das maiores bromélias.Reitz (1983) afirma que a espécie é rupícola heliófita ou de luz difusa e seletiva xerófita, muito frequente nos costões rochosos do litoral, bem como nas rochas areníticas ao sul de Santa Catarina e ao leste do Rio Grande do Sul. Silva (1994) afirma que no interior da mata a espécie atinge proporções impressionantes, dividindo espaços com imensas colônias de Bromelia antiacantha. D. maritima é espécie indicadora de turfeira (fisionomia com presença predominante de musgos do gênero Sphagnum, caraterística em áreas úmidas, mal drenadas, contendo restos vegetais em variados graus de decomposição) que representam áreas bem conservadas (LEI Nº 14.675, de 13 de abril de 2009). Waldemar (1998) afirma que a colonização das ilhas de vegetação no Parque Estadual de Itapuã por D. maritima se dão após o aparecimento de liquéns (etapa 1), Campylopus (etapa 2), sendo então a etapa 3, enquanto o solo ainda se encontra xerofítico. A colonização por D. maritima torna o solo mesofítico e propicio para o estabelecimento de várias outras espécies. De acordo com o mesmo autor, Corteritermes silvestrii (cupins) vivem em associação com D. maritima estabelecendo uma relação de mutualismo (31,2% ou 15 das ilhas colonizadas por D. maritima).

Ameaças (2):

Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.4.6 Dam
A formação do reservatório do AHE Barra Grande (RS/SC) provocou a submersão de remanescentes de indivíduos da espécie na área a ser alagada, contribuindo para a redução da variabilidade genética de suas populações (Medeiros; Cavalcanti, 2007).
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1 Habitat Loss/Degradation (human induced)
Silva (1994) cita que o Parque sofre com o impacto de atividades clandestinas de invasores para lazer. Ainda menciona que ameaças passadas que atingiram o ambiente estão relacionadas com a exploração de pedreiras, até então não totalmente eliminada. Para finalizar o autor ressalta a presença de várias propriedades privadas nos limites do Parque que causam danos graves a fauna e a flora com agricultura de subsistência e criação de gado.

Ações de conservação (4):

Ação Situação
1.2.1.3 Sub-national level on going
A espécie foi considerada "Vulnerável" (VU na Lista vermelha da flora do Rio Grande do Sul (CONSEMA-RS, 2002).
Ação Situação
5.7 Ex situ conservation actions on going
Medeiros; Cavalcanti (2007) citam o projeto de resgate de germoplasma da espécie nas áreas de influência do reservatório do AHE Barra Grande (RS/SC) para conservação ex situ.Silva et al. (2008) desenvolveram protocolo de micropropagação de sementes in vitro e indução de gemas da espécie. No experimento, os autores obtiveram 100% de taxa de germinação e 90% de sobrevivência dos clones.
Ação Situação
4.4 Protected areas on going
Ocorre no Parque Estadual de Itapuã (RS)
Ação Situação
1.2.1.3 Sub-national level on going
A LEI Nº 14.675, de 13 de abril de 2009, confere proteção as áreas de turfeiras, consideradas áreas com presença da espécie.

Ações de conservação (2):

Uso Proveniência Recurso
Ornamental
Planta ornamental (Reitz, 1983)
Uso Proveniência Recurso
Ornamental
​Planta ornamental (Reitz, 1983)