BROMELIACEAE

Dyckia encholirioides (Gaudich.) Mez

Como citar:

Miguel d'Avila de Moraes; Tainan Messina. 2012. Dyckia encholirioides (BROMELIACEAE). Lista Vermelha da Flora Brasileira: Centro Nacional de Conservação da Flora/ Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

NT

EOO:

90.798,135 Km2

AOO:

168,00 Km2

Endêmica do Brasil:

Sim

Detalhes:

Ocorre nos Estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul (Forzza et al., 2011). Em São Paulo é encontrada na Ilha do Cardoso, sendo este o limite norte de ocorrência para a espécie (Wanderley et al., 2007).

Avaliação de risco:

Ano de avaliação: 2012
Avaliador: Miguel d'Avila de Moraes
Revisor: Tainan Messina
Categoria: NT
Justificativa:

A espécie<i> Dyckia encholirioides</i> é endêmica do Brasil e ocorre nos Estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Apesar de apresentar distribuição ampla, ocupa uma área (AOO) de apenas 168 km². Apesar de estar protegida por unidades de conservação (SNUC), a espécie possui valor ornamental e também é utilizada para o assentamento de dunas, em áreas de restinga. Caso sejam confirmadas ameaças que estejam causando declínio nas sub-populações da espécie ela poderá ser avaliada como "Em Perigo" (EN). Enquanto isso a espécie foi avaliada como "Quase ameaçada" (NT).

Perfil da espécie:

Obra princeps:

Descrita em 1896 (Martinelli et al., 2008). Conhecida como "gravatá" (MMA/IBAMA, 2004).

Valor econômico:

Potencial valor econômico: Desconhecido

População:

Flutuação extrema: Desconhecido
Detalhes: Considerada dominante na fisionomia herbácea-arbustiva da restinga da Ilha do Arvoredo (MMA IBAMA, 2004.) Muito frequente, desenvolve-se preferencialmente nos costões rochosos, formando densos agrupamentos onde está frequentemente associada com Aechmea nudicaulis var. cuspidada, A.recurvata e A. lindenii (Krieck, 2008). Apresenta uma subpopulação de aproximadamente 50 indivíduos na Praia do Santinho, Ilha de Santa Catarina. Destes, 92% dos indivíduos faziam parte de um agrupamento e apenas 8% dos 50 indivíduos estavam isolados (Krieck, 2008). Berger (2008) considerou a espécie rara para a região de Babitonga, SC. O mesmo autor comenta que a população de D. encholirioides tem diminuído nas últimas décadas, e deve urgentemente ser protegida pela lei para evitar a sua extinção. Forma grandes subpopulações na restinga da Ilha do Cardoso (Wanderley et al., 2007). Frequente no Vale do Itajaí (Klein, 1979).

Ecologia:

Biomas: Mata Atlântica
Fitofisionomia: Restinga e Afloramentos Rochosos (Martinelli et al., 2009)., Desenvolve-se preferencialmente nos costões rochosos, e também ocorre nos solos arenosos enxutos da restinga (Krieck, 2008).
Habitats: 13.1 Sea Cliffs and Rocky Offshore Islands, 13 Marine Coastal/Supratidal
Detalhes: A espécie não é halófita,contudo apresenta distribuição ao longo da costa sobre rochas (Pompelli,2006). Floresce uma vez por ano, produzindo um grande número de sementes entreoutubro e dezembro. Após a dispersão as sementes tornam-se parte do banco desementes e raramente germinam. As poucas plântulas encontradas são originadaspor estolões (Pompelli et al., 2006).A espécie apresenta variação nas taxas de germinação em relação a salinidade etemperatura. A salinidade reduz a taxa de germinação, sendo esta de oito a 20 diasem salinidade alta. Temperaturas baixas e altas também afetam a germinação (Pompelli et al., 2006). Planta rupestre ou terrícola, heliófita e seletivaxerófita (Krieck, 2008). Apresenta padrão de floração anual, com cada indivíduoemitindo uma inflorescência predominantemente, com 70 flores por inflorescênciaem média (Krieck, 2008). O mesmo autor comenta que a duração da floração porindivíduo é em média de 23 dias. Espécie de antese diurna e duram cerca de 1,5dias (Krieck, 2008). A dispersão de sementes ocorre nos meses de novembro edezembro. Muitas delas permanecem próximas à planta-mãe (Krieck, 2008). O mesmoautor contabilizou por fruto 125 ± 10,1 sementes (n=28) e 41,6 ± 5,7 sementespor loco (n=84). De 50 indivíduos estudados, 40 emitiram brotos. Destes, 15 cominflorescência senescente emitiram brotos em 2006. Enquanto que em 2007, 36indivíduos emitiram brotos, com 31 apresentando inflorescência senescente (Krieck,2008). Vespas e formigas foram observadas visitando os nectários (Krieck,2008). Krieck (2008) encontrou para a formação de frutos por teste (n=30) umavariação de 6,6% para gamospermia a 93% para polinização livre. O mesmo autorafirmar que somente as sementes formadas através dos testes de polinizaçãocruzada e livre apresentaram uma significativa viabilidade. A espécie começa aflorescer no final do inverno até a primavera, época em que poucas plantasestão florescendo, representando assim uma fonte de recurso trófico fundamentalpara a manutenção dos polinizadores neste período (Krieck, 2008). Apresentaalta longevidade das sementes (Pompelli, 2006). A emissão de brotos ocorre apósa floração, estratégia essa muito difundida em bromélias (Krieck, 2008). A altaformação de frutos gerados em condições naturais e polinização cruzadaassociada à alta viabilidade das sementes oriundas de testes indica que ospolinizadores de D. encholirioides são eficientes e garantemo sucesso reprodutivo da espécie (Krieck, 2008).

Ações de conservação (3):

Ação Situação
1.2.1.3 Sub-national level on going
A espécie foi considerada "Extinta" (EX) na Lista vermelha da flora de São Paulo (SMA-SP, 2004).
Ação Situação
4.4 Protected areas on going
Encontrada no Parque Estadual da Ilha do Cardoso (CNCFlora, 2011). Ocorre na Reserva Biológica Marinha do Arvoredo (MMA/IBAMA, 2004), na RPPN Morro das Aranhas (Krieck, 2008). Krieck (2008) comenta que a conservação e proteção dos ecossistemas de restinga, que atualmente, devido à ação antrópica, estão sofrendo processos de fragmentação, são fundamentais para garantir a sobrevivência desta espécie.
Ação Situação
4.3 Corridors on going
A espécie ocorre no corredor de Biodiversidade Serra do Mar da Mata Atlântica (Martinelli et al., 2008)

Ações de conservação (1):

Uso Proveniência Recurso
Ornamental
​É utilizada como ornamental, também utilizada para a formação de assentamentos de dunas (Krieck, 2008).