BROMELIACEAE

Dyckia brevifolia Baker

Como citar:

Miguel d'Avila de Moraes; Tainan Messina. 2012. Dyckia brevifolia (BROMELIACEAE). Lista Vermelha da Flora Brasileira: Centro Nacional de Conservação da Flora/ Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

DD

EOO:

NaN Km2

AOO:

NaN Km2

Endêmica do Brasil:

Detalhes:

Apresenta distribuição duvidosa para o Estado de Minas Gerais (Versieux; Wendt, 2006). Ocorre nos estados do Paraná e Santa Catarina (Forzza et al., 2011). Rogalski (2007) comenta que D. brevifolia apresenta uma extensão de ocorrência de cerca de 80 km ao longo do Rio Itajaí-Açu, desde Lontras até Blumenau. Porém, apresentando distribuição disjunta. Dessa forma, sua área de ocupação foi de 9.185 m², com cada subpopulação ocupando, em média, uma área de 765,4 m².

Avaliação de risco:

Ano de avaliação: 2012
Avaliador: Miguel d'Avila de Moraes
Revisor: Tainan Messina
Categoria: DD
Justificativa:

A espécie <i>Dyckia brevifolia</i> foi descrita com base em uma prancha. Os registros de ocorrência disponíveis para a espécie são na verdade testemunhos de outras espécies de <i>Dykia</i>. Assim, <i>D. brevifolia</i> foi avaliada como "Deficiente de Dados" (DD).

Perfil da espécie:

Obra princeps:

Espécie descrita em 1871 (Martinelli et al., 2008).

Valor econômico:

Potencial valor econômico: Desconhecido

População:

Flutuação extrema: Sim
Detalhes: Foram contabilizadas 50 indivíduos para um estudo na margem do Rio Itajaí-Açu, localidade de Subida, Apiúna, Santa Catarina (Rogalski et al., 2007). Em outro estudo, Rogalski et al. (2007) contabilizaram 7.518 indivíduos, sendo 508, 2.308 e 4.702 para Encano, Morro Santa Cruz e Subida, respectivamente, em Santa Catarina. Destes, apenas 150 indivíduos (2%) ocorreram isolados e 7.368 (98%) ocorreram agrupados, em 453 agrupamentos. Enquanto o número de plântulas registrado foi de 16, 24 e 633 para Encano, Morro Santa Cruz e Subida, respectivamente. Além disso, em média 19,4 ± 1,5% dos indivíduos eram reprodutivos. Segundo Rogalski (2007) a espécie apresenta 3,5 rosetas por m², ainda sugere que a espécie apresenta um considerável grau de endogamia, devido à estruturação das populações. Além disso, apresenta um baixo fluxo gênico aparente entre as populações e comenta que, de modo geral, D. brevifolia apresentou menor diversidade genética que outras bromeliáceas, também entre as monocotiledôneas e entre herbáceas de vida longa. A menor diversidade encontrada pode ser atribuída a vários fatores, incluindo o sistema reprodutivo (predomínio da autogamia) e os "gargalos", associados à chegada e ao estabelecimento de colonizadores e a fundação de novas populações (especialmente devido à alta especificidade ambiental), bem como a endogamia e a deriva.

Ecologia:

Biomas: Mata Atlântica
Fitofisionomia: Afloramentos Rochosos (Martinelli et al., 2009)., Ocorrem em rochas de gnaisses e riolitos (Rogalski, 2007)., Os materiais de Minas Gerais provêm de campo rupestre (Versieux, 2005).
Habitats: 6 Rocky Areas [e.g. inland cliffs, mountain peaks]
Detalhes: Atinge entre 50 e 100 cm de altura em flor (Reitz,1983). Espécie adaptada a variações ambientais extremas, passando ora porperíodos de seca, ora ficando encoberta pela água durante as enchentes (Strehl,1994). Espécie reófita, e heliófita durante a estação seca (Rogalski et al., 2007). Foram formados 70% defrutos através de apomixia e 98% através de polinização livre (Rogalski et al., 2007). O mesmo autor comenta queo número de germinação de sementes foi alto nos diferentes tratamentos, comexcessão dos frutos agamospérmicos. Além da reprodução assexuada agamospérmica,D. brevifolia apresenta reprodução assexuada por emissão de perfilhos(Rogalski et al., 2007). Os autoresainda comentam que apresentar várias estratégias reprodutivas pode serimprescindível para a manutenção da espécie, visto que ocorre em condiçõesextremamente adversas. Rogalski et al. (2007) comenta que D. brevifolia éherbivorada pela Hydrochaeris hydrochaeris (capivara), a qual consomeprincipalmente a parte central de suas rosetas. As rosetas herbivoradas morremou muitas vezes rebrotam, emitindo de um a 20 brotos, sendo o número de clonesemetidos possivelmente subestimados. Rogalski (2007) comenta que o alto sucessoreprodutivo apresentado pela espécie (97% de formação de frutos e 96% desementes viáveis) possivelmente decorre de sua autocompatibilidade, o quepossibilita a ocorrência da autogamia, da geitonogamia e/ou da xenogamia.

Ameaças (4):

Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.4.6 Dam
A redução dos micro-hábitats específicos da espécie, principalmente devido à implantação de hidrelétricas, implica em redução praticamente proporcional da espécie. Com a instalação da Hidrelétrica Salto Pilão, possivelmente algumas subpopulações próximas a represa, município de Lontras, serão diretamenteafetadas, devido a formação do lago. Além disso, outras subpopulações poderão ser afetadas, devido a canalização de parte da vazão d'água, o que poderá ocasionar mudanças ambientais (Rogalski, 2007).
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.3.4 Non-woody vegetation collection
Rogalski (2007) comenta que indivíduos da espécie são retirados de suas localidades.
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.7 Fire
Rogalski (2007) associa o uso deste locais por pescadores ao fogo.
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
6.3 Water pollution
Rogalski (2007) considera a poluição do rio por esgoto doméstico e por efluentes industriais como ameaça à espécie.

Ações de conservação (4):

Ação Situação
1.2.1.3 Sub-national level on going
Considerada "Em Perigo" (EN) pela Lista de Espécies Ameaçadas do Paraná (SEMA/GTZ-PR, 1995) e do Rio Grande do Sul (CONSEMA-RS, 2002).
Ação Situação
1.1.2 Implementation needed
Devido a distribuição restrita da espécie, aliada a ocupação de micro-hábitat específico, Rogalski (2007) indica que a espécie é muito vulnerável. Desta forma, o mesmo autor comenta que a manutenção de todas as suas populações é de extrema importância para a conservação da mesma, pois grande parte de sua diversidade está distribuída entre as populações, além do que a espécie apresenta alelos raros (baixa freqüência) e exclusivos. A manutenção das populações possibilita o fluxo gênico, reduzindo os riscos de erosão genética, pois o rio funciona como um corredor.
Ação Situação
1.2 Legislation needed
Devido a possibilidade de implantação de outras usinas hidrelétricas nestas regiões, Rogalski (2007) recomenda que a espécie seja enquadrada na categoria em Perigo na Lista da IUCN e na Lista do Brasil, de acordo com os critérios da IUCN.
Ação Situação
5.7 Ex situ conservation actions on going
Rogalski (2007) considera a proporção de 1 pra 10 (indivíduos reprodutivos/tamanho populacional) ideal para amostragem efetiva. Além disso, a coleta deve ser feita em diferentes grupos distribuídos ao longo das áreas.

Ações de conservação (1):

Uso Proveniência Recurso
Ornamental
​Espécie com alto valor ornamental de fácil cultivo em vasos e em jardins (Strehl, 1994).