Lauraceae

Dicypellium caryophyllaceum (Mart.) Nees

Como citar:

Eduardo Fernandez; Mário Gomes. 2020. Dicypellium caryophyllaceum (Lauraceae). Lista Vermelha da Flora Brasileira: Centro Nacional de Conservação da Flora/ Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

CR

EOO:

75.327,33 Km2

AOO:

12,00 Km2

Endêmica do Brasil:

Detalhes:

Dicypellium caryophyllaceum (Lauraceae) é uma espécie arbórea com ocorrência nas florestas da Amazônia no Brasil, Peru e Equador (Salomão e Rosa, 2012). Entretanto, de acordo com dados da Flora do Brasil 2020 em construção (2020), a espécie é endêmica do Brasil, com registros confirmados atualmente nos estados do PARÁ, municípios de Itaituba e Vitória do Xingu, e MARANHÃO, município de Buriticupu. Por volta de 1700, subpopulações de pau-cravo podiam ser encontradas às margens dos rios Amazonas, Xingu, Tapajós, Tocantins, Negro e afluentes (Salomão e Rosa, 2012).

Avaliação de risco:

Ano de avaliação: 2020
Avaliador: Eduardo Fernandez
Revisor: Mário Gomes
Critério: A2acd
Categoria: CR
Justificativa:

Árvore de até 30 m, com registro de coleta realizado em Floresta de Terra Firme e Floresta Ombrófila (Floresta Pluvial) na Amazônia no Brasil, Peru e Equador (Salomão e Rosa, 2012). Entretanto, de acordo com dados da Flora do Brasil 2020 em construção (2020), a espécie é endêmica do Brasil, com registros confirmados atualmente nos estados do Pará, municípios de Itaiutuba e Vitória do Xingu, e Maranhão, município de Buriticupu. Popularmente conhecida por cravo-de-Maranhão, pau-cravo, cravo-amarelo, canela-cravo, canela-falsa, entre outros, D. caryophyllaceum corresponde a uma das mais notórias Drogas do Sertão, o conjunto de especiárias exploradas pelos colonizadores portugueses durante o século XVIII na Amazônia brasileira (Salomão e Rosa, 2012). A espécie era muito frequente em diversas localidades até meados de 1700, quando passou a ser explorada de forma indiscrimidada pelas suas especiárias de alto valor no mercado e também pela sua madeira de lei, de ampla aplicação e valor economico (Salomão e Rosa, 2012). O método de extração da casca do pau-cravo, consistia, basicamente, no corte das árvores, o que contribuíu fortemente para a redução das suas subpopulações (Ferreira, 1983; Salomão e Rosa, 2012). Entretanto, diante de tamanha pressão seletiva durante mais de doias séculos, só foi registrada três vezes, de forma esparsa, durante o séceulo XX, a última delas representando a redescoberta da espécie no Pará, dentro da Área de nfluência Direta da UHE de Belo Monte, após mais de 40 anos sem documentação. Salomão e Rosa (2012) avaliarm a abundância de pau-cravo em Juruti e determinou esta subpopulação como rara: tinha-se conhecimento de apenas um exemplar de D. caryophyllaceum com 9 metros de altura, registrado em 2008 no local onde foi feitos um dos canais de derivação da usina de Belo Monte. Mais 20 indivíduos da espécie foram encontrados no mesmo ano na região pela mesma equipe que levantou os impactos ambientais da construção da hidrelétrica. Outros 189 indivíduos foram observados no município de Juruti, revelando a maior concentração já registrada na Amazônia desde o século XVIII. Os autores indicam ainda que as árvores ficam em uma área onde deverá haver concessões florestais, o que amplia o seu risco de extinção e acentua aida mais seu declínio populacional. A própria construção da barragem causa grande impacto na biodiversidade, podendo levar à restrição do fluxo gênico de plantas, deteriorando a diversidade funcional e genética ao longo do tempo e expondo as subpopulações às drásticas mudanças no ambiente (Lemos et al., 2015; Salomão e Rosa, 2012). Nos últimos 30 anos, a vegetação presente na Área de Influência Direta da Usina de Belo Monte vem sofrendo acentuado desmatamento, visto que 35% estão alterados, restando apenas pequenos trechos de floresta integras (Ministério de Minas e Energia - MME, 2009). Diante deste cenario, portanto, suspeita-se declínio populacional total da espécie durante os últimos 150 anos (três gerações) maior que 80%, considerando-se o acentuado contraste entre os dados de abundância históricos e atuais, a declínio verificado em AOO, EOO e qualidade e extensão de habitat e pelos níveis atuais e históricos de exploração seletiva. Assim, D. caryophyllaceum foi considerada Criticamente em Perigo (CR) de extinção novamente. Recomendam-se ações de pesquisa (censo e tendências populacionais, estudos de viabilidade populacional, buscas direcionadas por áreas de ocorrência não documentada) e conservação (Plano de Ação, criação de Unidade de Conservação) urgentes a fim de se garantir sua perpetuação na natureza no futuro, pois as pressões verificadas ao longo de sua distribuição podem leva-la a completa extinção.

Último avistamento: 2012
Quantidade de locations: 1
Possivelmente extinta? Não
Severamente fragmentada? Desconhecido
Razão para reavaliação? Other
Justificativa para reavaliação:

A espécie foi avaliada pelo CNCFlora em 2013 (Martinelli e Moraes, 2013) e consta como Criticamente em Perigo (CR) na Portaria MMA 443/2014 (MMA, 2014), sendo então necessário que tenha seu estado de conservação reavaliado após cinco anos da última avaliação.

Houve mudança de categoria: Não
Histórico:
Ano da valiação Categoria
2012 CR

Perfil da espécie:

Obra princeps:

Descrita em: Hufeland. Ill. 14. 1933. Popularmente conhecida por cravo-de-Maranhão, pau-cravo, cravo-amarelo, canela-cravo, canela-falsa, entre outros, apresenta odor típico de cravo que exala de todas as partes da planta (Itto, 1999). É uma das mais notórias Drogas do Sertão, o conjunto de especiárias exploradas pelos colonizadores portugueses durante o século XVIII na Amazônia brasileira (Salomão e Rosa, 2012).

Valor econômico:

Potencial valor econômico: Sim
Detalhes: No que diz respeito ao potencial econômico, os principais produtos, obtidos de D. caryophyllaceum, são madeira e óleo. A madeira do pau-cravo é aromática, amarelada, compacta e resistente, sendo aplicada na construção civil e naval (Salomão e Rosa, 2012). O óleo, extraído da inflorescência e tronco, é uma fonte rica em eugenol (95,5%), substância com propriedades antifúngica, nticarcinogênica, antialérgica, antimutagênica, antioxidante, inseticida, anti-inflamatória e atividades antinociceptiva periférica (Salomão e Rosa, 2012).

População:

Flutuação extrema: Desconhecido
Tamanho: circa • 250
Número de subpopulações: circa • 2

Tempo de geração:

Detalhes: greater then • 50
Justificativa:

Espécies de grande porte tendem a possuir longos Tempos de Geração. Assim, estima-se em ao menos 50 anos o Tempo de Geração de D. caryophyllaceum.

Número de indivíduos na maior subpopulação: circa • 189
Redução populacional: greater then • 80
Detalhes: Por volta de 1700, subpopulações de pau-cravo podiam ser encontradas às margens dos rios Amazonas, Xingu, Tapajós, Tocantins, Negro e afluentes, e era considerada abundante (Salomão e Rosa, 2012). No entanto, hoje, restaram apenas duas subpopulações no Pará e uma no Maranhão. Segundo os mesmos autores, tinha-se conhecimento de apenas um exemplar de D. caryophyllaceum com 9 metros de altura, registrado em 2008 no local onde foi feitos um dos canais de derivação da usina de Belo Monte. Mais 20 indivíduos da espécie foram encontrados no mesmo ano na região pela mesma equipe que levantou os impactos ambientais da construção da hidrelétrica. Outros 189 indivíduos foram observados no município de Juruti, revelando a maior concentração já registrada na Amazônia desde o século 18, segundo a pesquisa. As árvores ficam em uma área onde deverá haver concessões florestais e pesquisadores sugerem a criação de uma unidade de conservação para proteger a espécie. O estudo de Salomão e Rosa avaliou a abundância de pau-cravo em Juruti e encontrou determinou esta subpopulação como rara, segundo a pesquisa, de 76 árvores em um único hectare (Globo Amazônia, 2010).
Referências:
  1. Salomão, R. de P., Rosa, N. de A., 2012. Pau-cravo: droga do sertão em risco de extinção. Ciência Hoje 49, 46–50.
  2. Globo Amazônia, 2010. Obras de Belo Monte devem passar em área com árvore em extinção. Natureza. URL https://www.olhardireto.com.br/noticias/exibir.asp?id=149672&noticia=obras-de-belo-monte-devem-passar-em-area-com-arvore-em-extincao-diz-estudo

Ecologia:

Substrato: terrestrial
Forma de vida: tree
Fenologia: perenifolia
Longevidade: perennial
Luminosidade: esciophytic, heliophytic
Biomas: Amazônia
Vegetação: Floresta Ombrófila (Floresta Pluvial), Floresta de Terra-Firme
Fitofisionomia: Floresta Ombrófila Densa Submontana
Habitats: 1.6 Subtropical/Tropical Moist Lowland Forest
Clone: unkown
Rebrotar: unkown
Detalhes: Árvores de até 30 m, D. caryophyllaceum é uma árvore de porte médio que atinge, em média, 20 metros de altura, tendo sido registrada predominantemente em Floresta de Terra-Firme associada a Amazônia (Flora do Brasil 2020 em construção, 2020). Possui flores miúdas róseo-avermelhadas e com odor forte e agradável. Seus frutos são pequenos, carnosos e, também, bastante aromáticos (Salomão e Rosa, 2012).
Referências:
  1. Flora do Brasil 2020 em construção, 2020. Dicypellium in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro.Disponível em: <http://reflora.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB17928>. Acesso em: 09 Mar. 2020
  2. Salomão, R. de P., Rosa, N. de A., 2012. Pau-cravo: ‘droga do sertão’ em risco de extinção. Ciência Hoje 49, 46–50.

Reprodução:

Estratégia: unknown
Sistema: unkown

Ameaças (3):

Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
2.2 Species disturbance 5.3.2 Intentional use: large scale (species being assessed is the target) [harvest] mature individuals,occurrence,habitat past,present regional very high
No período colonial no Brasil, D. caryophyllaceum sofreu forte devastação por sua casca e inflorescência serem produtos equivalentes ao cravo-da-índia (Syzygium aromaticum, Myrtaceae) e à canela-do-ceilão (Cinnamomum zeylanicum, Lauraceae), respectivamente (Salomão e Rosa, 2012). O método de extração da casca do pau-cravo, consistia, basicamente, no corte das árvores. Alexandre Rodrigues Ferreira, demonstrou como era realizada essa atividade e, ressaltou, como não havia por parte dos colonos praticamente nenhuma preocupação com a derrubada das mesmas. “O cravo, que não deve ser tirado das arvores ainda novas, para não embaraçar sua multiplicação e conservação, e para se não destruir mais do que se aproveita, com a mais reprehensivel desolação, que lhe fazem os cabos e os índios, é cortado, quebrado (...)” (Ferreira, 1983). Ou seja, como demonstram os relatos sobre extração do pau-cravo, os colonizadores portugueses, em sua busca desenfreada pela valiosa casca aromática, contribuíram fortemente para a redução das populações dessas árvores.
Referências:
  1. Salomão, R. de P., Rosa, N. de A., 2012. Pau-cravo: ‘droga do sertão’ em risco de extinção. Ciência Hoje 49, 46–50.
  2. Ferreira, A.R., 1983. Viagem filosófica ao Rio Negro. Círculo do Livro, Belém.
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
2.1 Species mortality 7.2.10 Large dams mature individuals,occurrence,habitat,locality,occupancy present local very high
D. caryophyllaceum foi redescoberta, recentemente, na Área Diretamente Afetada (ADA) da Usina Hidrelétrica de Belo Monte (Lemos et al., 2015). A construção da barragem causa grande impacto na biodiversidade uma vez que a continuidade dos ambientes ripários é interrompida. Isso pode levar à restrição do fluxo gênico de plantas e animais, deteriorando a diversidade funcional e genética ao longo do tempo e expondo as populações às drásticas mudanças no ambiente.
Referências:
  1. Lemos, D., Ferreira, B., Siqueira, J., Oliveira, M., Ferreira, A., 2015. Floristic and phytosociology in dense “terra firme” rainforest in the Belo Monte Hydroelectric Plant influence area, Pará, Brazil. Brazilian J. Biol. 75, 257–276. https://doi.org/10.1590/1519-6984.01814bm
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.1 Ecosystem conversion 5.3.4 Unintentional effects: large scale (species being assessed is not the target) [harvest] habitat,mature individuals,occurrence past,present local high
Nos últimos 30 anos, a vegetação, ocorrente na Área de Influência Direta da Usina de Belo Monte vem sofrendo com o desmatamento, visto que 35% estão alterados, restando apenas pequenos trechos de florestas (Ministério de Minas e Energia - MME, 2009).
Referências:
  1. Ministério de Minas e Energia - MME, 2009. RIMA - Aproveitamento Hidrelétrico Belo Monte - Relatório de Impacto Ambiental-RIMA. Ibama 36, 100.

Ações de conservação (5):

Ação Situação
1.1 Site/area protection needed
A espécie não possui registros de coleta realizados dentro dos limites de Unidades de Conzservação.
Ação Situação
3.1.2 Trade management needed
A espécie não consta na lista da CITES sobre comercialização internacional de espécies ameaçadas de extinção.
Ação Situação
5.1.1 International level on going
A espécie foi avaliada como Vulnerável (VU) na lista vermelha da IUCN (Pedralli, 1998).
Referências:
  1. Pedralli, G., 1998. Dicypellium caryophyllaceum. The IUCN Red List of Threatened Species 1998: e.T36187A9982407. https://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.1998.RLTS.T36187A9982407.en. (acesso em 10 de março de 2020).
Ação Situação
5.1.2 National level on going
A espécie foi avaliada como Criticamente em Perigo (CR) e está incluída no ANEXO I da Lista Nacional Oficial de Espécies da Flora Ameaçadas de Extinção (MMA, 2014).
Referências:
  1. MMA - Ministério do Meio Ambiente, 2014. Anexo I. Lista Nacional Oficial de Espécies da Flora Ameaçadas de Extinção. Portaria MMA no 443/ 2014. URL https://ckan.jbrj.gov.br/dataset/download/especiesportaria443.pdf (acesso em 14 de abril 2019 ).
Ação Situação
5.1.3 Sub-national level on going
A espécie está incluída na Lista de Espécies Ameaçadas do estado do Pará (COEMA-PA, 2007).
Referências:
  1. SEMA-PA, 2007. Resolução 054/2007. Homologa a Lista de Espécies da Flora e da Fauna Ameaçadas no Estado do Pará.

Ações de conservação (3):

Uso Proveniência Recurso
1. Food - human natural stalk
No período colonial do Brasil, D. caryophyllaceum era considerada grande concorrente ao cravo-da-índia (Syzygium aromaticum, Myrtaceae) e canela-do-ceilão (Cinnamomum zeylanicum, Lauraceae), sendo mais vantajosa que essas espécies por permitir a extração da canela e do cravo na mesma planta (Salomão e Rosa, 2012). Os aumentos no consumo interno e nas exportações contribuíram fortemente para tonar a espécie cada vez mais rara.
Referências:
  1. Salomão, R. de P., Rosa, N. de A., 2012. Pau-cravo: ‘droga do sertão’ em risco de extinção. Ciência Hoje 49, 46–50.
Uso Proveniência Recurso
3. Medicine - human and veterinary natural whole plant
O óleo essencial (extraído de sua inflorescência e tronco) é empregado na obtenção de eugenol, substância com diversas propriedades biológicas (fungicida, anticarcinogênico, antialérgico, antimutagênico, antioxidante, inseticida e anti-inflamatório, além de atividades antinociceptivas periféricas) (Salomão e Rosa, 2012).
Referências:
  1. Salomão, R. de P., Rosa, N. de A., 2012. Pau-cravo: ‘droga do sertão’ em risco de extinção. Ciência Hoje 49, 46–50.
Uso Proveniência Recurso
9. Construction/structural materials natural whole plant
A madeira é empregada na construção civil e naval (Salomão e Rosa, 2012).
Referências:
  1. Salomão, R. de P., Rosa, N. de A., 2012. Pau-cravo: ‘droga do sertão’ em risco de extinção. Ciência Hoje 49, 46–50.