ERIOCAULACEAE

Comanthera elegans (Bong.) L.R.Parra & Giul.

Como citar:

; Tainan Messina. 2011. Comanthera elegans (ERIOCAULACEAE). Lista Vermelha da Flora Brasileira: Centro Nacional de Conservação da Flora/ Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

EN

EOO:

11.231,486 Km2

AOO:

72,00 Km2

Endêmica do Brasil:

Sim

Detalhes:

A espécie ocorre no bioma Cerrado, exclusivamente no Estado de Minas Gerais (Giulietti et al., 2010).Segundo Biodiversitas (2005) a espécie ocorre em 5 localidades (local/município): Diamantina, Santana do Riacho, Jaboticatubas, Datas e São Gonçalo do Rio Preto.

Avaliação de risco:

Ano de avaliação: 2011
Avaliador:
Revisor: Tainan Messina
Critério: B1ab(i,iii,iv)
Categoria: EN
Justificativa:

Comanthera elegans está sujeita a pelo menos cinco situações de ameaça, todas no Estado de Minas Gerais. Suas inflorescências são muito exploradas comercialmente, o que representa uma ameaça a sua sobrevivência, apesar de ter subpopulações muito densas e relativamente extensas. Apresenta EOO de 9.565,65 km², e há registros de desaparecimento de subpopulações em algumas regiões. É presente o caráter de ameaça constante pela exploração comercial de sempre-vivas como fator de sobrevivência para a população que intercala esta prática com o garimpo, já reduzido. É avaliada como "Em perigo" (EN).

Perfil da espécie:

Valor econômico:

Potencial valor econômico: Sim
Detalhes:

População:

Flutuação extrema: Desconhecido
Detalhes: C. elegans apresenta grandes populações e ampla área de distribuição, desde Diamantina até a Serra doCipó (Giulietti et al., 1988; 1996; Parra, 1998 apud Oliveira; Garcia, 2005), mas segundo Giulietti et al. (1988) a espécie já não é mais encontrada na Serra do Cipó. Porém, Oriani (2007) cita que a espécie apresenta populações de fácil acesso no Parque Nacional da Serra do Cipó (MG), indicando que a espécie ainda ocorre na localidade. Oriani (2007) realizou estudo da biologia reprodutiva de C. elegans com duas populações encontradas no Parque Nacional da Serra do Cipó, município de Santana do Riacho, Minas Gerais. Porém não existem dados de números de indivídous por população.

Ecologia:

Biomas: Cerrado
Fitofisionomia: Campos Rupestres
Habitats: 4.7 Subtropical/Tropical High Altitude
Detalhes: C. elegans é uma espécie herbácea, que ocorre nos campos rupestres brasileiros, restrita a algumas áreas de Minas Gerais (Oriani, 2007) e, segundo Scatena et al. (1999) apud Oliveira e Garcia (2005) a espécie habita ambientes xéricos. Segundo Scatena et al. (1997) apud Oriani (2009), C. elegans é perene, a floração ocorre de fevereiro a julho, com pico em abril, e a fase de dispersão das sementes ocorre de agosto a dezembro. O padrão de frutificação de C. elegans é anual e intermediário (Scatena et al., 1997 apud Oriani, 2009). Schmidt (2005) cita que a espécie tem possibilidade de formar um banco de sementes permanente no solo.

Ameaças (1):

Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.3 Extraction very high
Parra & Giulietti (1997) citam que C.elegans e suas variedades são as mais comercializadas dentre todas as espécies da família Eriocauleaceae. A coleta e comercialização de inflorescências de sempre-vivas ocorre na região de Diamantina desde 1931. Entre meados das décadas de 70 e 80, a atividade atingiu o seu auge (Giulietti et al., 1988), chegando a contar com um volume exportado da ordem de 150 toneladas/ano (da Silva et al., 2004). Atualmente, estima-se que mais de 1000 pessoas estejam envolvidas na coleta de sempre-vivas, atividade que intercalam durante o ano com outras fontes de renda, como o garimpo, atualmente em declínio, e a lavoura de café (Instituto Terra Brasilis et al., 1999 apud da Silva et al., 2004). Uso indevido do fogo para estímulo à floração, coleta das flores ainda imaturas, sem deixar flores para amadurecerem e produzirem sementes, coleta das plantas com raiz, eliminando indivíduos inteiros e excesso de pessoas competindo pela exploração do recurso foram as principais ameaçadas listadas pelas comunidades dos entornos da Chapada Diamantina (Instituto Terra Brasilis et al., 1999 apud da Silva et al. 2004). Nunes et al. (2008) destacam que a colheita da espécie ocorre antes da produção de sementes afetando fortemente o recrutamento de novos indivíduos na população.

Ações de conservação (5):

Ação Situação
1.2.1.2 National level on going
Considerada Em Perigo (EN) pelo Anexo I da Instrução Normativa nº 6, de 23 de Setembro de 2008 (MMA 2008).
Ação Situação
1.3 Community management on going
Giulietti et al. (1988) já sugeriam medidas de conservação como a implementação de coletas planejadas das espécies não ameaçadas e o incremento de pesquisas que possam viabilizar o cultivo sistemático das mais vulneráveis e/ou de maior interesse econômico. Watanabe (2009) menciona que trabalhos de conscientização e conservação tem sido realizados nas comunidades coletoras e muitas formas de manejo racional tem sido adotadas, objetivando a manutenção, ou mesmo recuperação das populações da espécie. Simões et al. (2007) cita que a espécie é cultivada por produtores na cidade de Diamantina, Minas Gerais.
Ação Situação
5.7 Ex situ conservation actions
Experimentos da influência da luz na germinação de sementes da espécie foram conduzidos por Oliveira e Garcia (2005) revelando que entre 20º e 30º obtem-se relativa alta taxa de germinação indicando que a conservação ex situ é viável para a espécie (Scatena et al., 1996). Outros trabalhos também mencionam a viabilidade de germinação de sementes da espécie (Simões et al., 2007; Nunes et al., 2008; Duarte, 2009). Nunes et al. (2008) ressalltam que o armazenamento de sementes da espécie em geladeira ou temperatura ambiente por 12 meses, melhoram a qualidade fisiológica da semente. O mesmo autor afirma que a permanência das sementes por ate noventa dias em solo seco também melhora a qualidade fisiológica das sementes. Entretanto, a espécie perde viabilidade, caracterizada pela deterioração, e germinabilidade com porcentagens inferiores a 50% após os 22 meses de armazenamento no solo (Oliveira, 2009). Duarte (2009) também cita a viabilidade de armazenamento de sementes através da criopreservação.
Ação Situação
3.8 Conservation measures on going
​Parra (2000) já afirmava que um projeto, originalmente iniciado em 1978 em Diamantina, de cultivo in situ de C. elegans em uma área de 200ha estava produzindo uma média de 6 toneladas/ano.
Ação Situação
4.4 Protected areas on going
Segundo Biodiversitas (2005) a espécie ocorre em 4 Unidades de Conservação: Parque Nacional da Serra do Cipó, Parque Estadual de Biri-Biri, Parque Estadual do Rio Preto e Parque Nacional das Sempre-vivas.

Ações de conservação (1):

Uso Proveniência Recurso
Ornamental
​A espécie é a mais extraída e explorada da família Eriocaulaceae (Sano, com. pessoal).