Daniel Maurenza de Oliveira; Tainan Messina. 2012. Cochlospermum regium (BIXACEAE). Lista Vermelha da Flora Brasileira: Centro Nacional de Conservação da Flora/ Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
Não endêmica do Brasil, encontrada na Bolívia e Paraguai (Poppendieck, 1981); no Brasil ocorre nos Estados do Amapá, Amazonas, Maranhão, Rio Grande do Norte, Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Paraná (Lleras, 2012).
<i>Cochlospermum regium</i> é um arbusto de ampla distribuição no Brasil, ocorrendo nos biomas Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica. Embora algumas subpopulações estejam protegidas em Unidades de Conservação (SNUC), a espécie merece atenção devido ao potencial medicinal que suas raízes possuem, um fator que estimula o extrativismo e causa morte ao indivíduo, assim, futuramente a espécie pode ser categorizada como ameaçada de extinção.
Descrita em Notizbl. Bot. Gart. Berlin-Dahlem 8: 127. 1924. C. regium é uma espécie muito variável, especialmente no formato das folhas, indumento, ramificação (desde caules simples até arbustos densamente ramificados), e mais notavelmente, seu modo de floração. A posição normal das flores é no ápice dos ramos jovens, porém quando suas partes aéreas são atingidas pelo fogo, as flores desenvolvem-se na altura do solo (Camillo, 2008). Nomes populares: "algodão-do-campo", "algodão-bravo", "butuá-de-corvo", "piriquiteira" (Poppendieck, 1981), "algodãozinho", "algodãozinho-do-cerrado", "algodão-do-mato", "algodãozinho-do-campo", "algodoeiro-do-campo", "pacote", "algodão-cravo", "periquiteira-do-campo", "rui-barbo-do-campo" e "samaumá-do-iaguapó" (Camillo, 2008).
| Estresse | Ameaça | Declínio | Tempo | Incidência | Severidade |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 Habitat Loss/Degradation (human induced) | |||||
| Opovoamento do Cerrado teve início há cerca de 11.000 anos. Até meados da décadade cinqüenta, a região permaneceu praticamente isolada devido à ausência devias de transporte. Com a implantação de Brasília na década de sessenta, oCerrado sofreu mudanças marcantes em seus aspectos físicos, biológicos, sociaise culturais. A urbanização rápida, o crescimento das cidades antigas e aexpansão da fronteira agrícola exercem até os dias atuais uma forte pressãosobre a região do cerrado, provocando os mais variados tipos de impactosambientais negativos (Pinto, 1993). Deacordo com o estudo da ConservationInternational, dos 1.783.200 km² originais do Cerrado, restam intactosapenas 356.630 km², ou 20% do bioma original (Camillo, 2008). | |||||
| Estresse | Ameaça | Declínio | Tempo | Incidência | Severidade |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 Habitat Loss/Degradation (human induced) | |||||
| Omodelo tradicional da ocupação da Amazônia tem levado a um aumentosignificativo do desmatamento na Amazônia legal, sendo este um fenômeno denatureza bastante complexa, que não pode ser atribuído a um único fator. As questões mais urgentes em termos da conservação euso dos recursos naturais da Amazônia dizem respeito à perda em grande escalade funções críticas da Amazônia frente ao avanço do desmatamento ligado àspolíticas de desenvolvimento na região, tais como especulação de terra ao longodas estradas, crescimento das cidades, aumento dramático da pecuária bovina,exploração madeireira e agricultura familiar (mais recentemente a agriculturamecanizada), principalmente ligada ao cultivo da soja e algodão. Esse aumento dasatividades econômicas em larga escala sobre os recursos da Amazônia legalbrasileira tem aumentado drasticamente a taxa de desmatamento que, no períodode 2002 e 2003, foi de 23.750 km2, a segunda maior taxa já registrada nessaregião, superada somente pela marca histórica de 29.059 km2 desmatados em 1995. A situação é tão crítica que, recentemente, o governo brasileirocriou um Grupo Interministerial a fim de combater o desmatamento e apontarsoluções de como minimizar seus efeitos na Amazônia legal (Ferreira et al., 2005). | |||||
| Estresse | Ameaça | Declínio | Tempo | Incidência | Severidade |
|---|---|---|---|---|---|
| 3.2.3 Regional/international trade | |||||
| C. regium está na lista das plantas mais indicadas pelos raizeiros de Campo Grande (MS). Em feiras de Goiânia (GO), muitas das plantas comercializadas são compradas de extrativistas em outros estados, isto se deve à dificuldade em encontrar a planta (C. regium) em regiões próximas às cidades goianas, devido ao desmatamento provocado pela crescente urbanização, e áreas destinadas a cutlivos agrícolas e pastagens (Camillo, 2008). | |||||
| Ação | Situação |
|---|---|
| 1.2.1.3 Sub-national level | |
| Espécie considerada Em Perigo (EN) pela Lista vermelha da flora do Paraná (SEMA/GTZ-PR, 1995). | |
| Ação | Situação |
|---|---|
| 4.4.3 Management | |
| Espécie ocorre em Unidades de Conservação (SNUC): Área de Proteção Ambiental de Curiaú, no Estado do Amapá; Reserva Ecológica do IBGE e Estação Ecológica do Gama, no Distrito Federal; Estação Ecológica do Panga, em Minas Gerais; Parque Nacional das Sete Cidades, no Piauí; e Parque Estadual das Furnas do Bom Jesus, em São Paulo (CNCFlora, 2011). | |
| Uso | Proveniência | Recurso |
|---|---|---|
| Bioativo | ||
| Apresenta atividade depurativa e efetiva no tratamento de gastrite e úlcera (Ustulin et al., 2009). | ||
| Uso | Proveniência | Recurso |
|---|---|---|
| Bioativo | ||
| O chá, feito de suas raízes, pode tratar de inflamações (intestinais, uterinas e ovarianas), úlceras e dermatites. Da casca se faz compressas contra abscessos e reumatismos (Viu et al., 2007). | ||
| Uso | Proveniência | Recurso |
|---|---|---|
| Bioativo | ||
| Utilizada no tratamento de infecções uterinas, vias urinárias e diarréia (Souza; Felfili, 2006). | ||
| Uso | Proveniência | Recurso |
|---|---|---|
| Bioativo | ||
| A raíz desta espécie é utilizada para a produção de chá, utilizado pelos habitantes de Paracatu no tratamento de dores internas, especialmente em conseqüência de quedas e outros acidentes (Poppendieck, 1981). | ||
| Uso | Proveniência | Recurso |
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| Bioativo | ||
| Planta utilizada na medicina popular. Suas raízes são utilizadas no preparo de decoctos, infusões e garrafadas para o tratamento de inflamações uterinas, intestinais e ovarianas, como também no tratamento de úlceras, cravos, espinhas e manchas da pele e artrites. Também usada como purgativa, regulador menstrual e depurativo, antidissentérico, no tratamento de abscessos, colesteol alto, afecções da pele, infecções da próstata (Camillo, 2008). | ||