BROMELIACEAE

Canistrum montanum Leme

Como citar:

Miguel d'Avila de Moraes; Tainan Messina. 2012. Canistrum montanum (BROMELIACEAE). Lista Vermelha da Flora Brasileira: Centro Nacional de Conservação da Flora/ Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

EN

EOO:

3.141,966 Km2

AOO:

20,00 Km2

Endêmica do Brasil:

Sim

Detalhes:

C. montanum é endêmica do Brasil, ocorrendo exclusivamente na Mata Atlântica úmida montana do sul do Estado da Bahia (Leme, 1997; Forzza et al., 2012). Sua altitude mínima de ocorrência é de 200 m e a máxima é de 700 m (Leme, 1997).

Avaliação de risco:

Ano de avaliação: 2012
Avaliador: Miguel d'Avila de Moraes
Revisor: Tainan Messina
Critério: B1ab(iii)
Categoria: EN
Justificativa:

<i>Canistrum montanum</i> é endêmica do Brasil e ocorre exclusivamente em áreas de Floresta Ombrófiladensa, no sul do Estado da Bahia. A espécie tem distribuição restrita (EOO=2.623,81 km²) e está sujeita ao declínio contínuo da qualidade do hábitat. Pesquisadores relatam a incidência de ameaças diretas nessas áreas. A extração seletiva de madeira e o desmatamento para estabelecimento de culturas representam as ameaças diretas mais relevantes para a perpetuação da espécie na natureza.Foram identificadas quatro situações de ameaça distintas, devido às características regionais do processo de desmatamento evidenciadas por dados concretos de perda de hábitat. Assim, <i>C. montanum</i> foi classificada como "Em perigo" (EN).

Perfil da espécie:

Obra princeps:

Canistrum montanum é considerada uma nova espécie devido a seu inédito conjunto de características morfológicas. Assemelha-se a Canistrum fosterianum, C. auratum e C. seidelianum. Entretanto C. montanum difere de todas essas espécies pelas folhas manifestamente coriáceas, brácteas primárias e florais muito densamente espinhosas, e pelas sépalas e pétalas brancas, com parte médio-apical róseo-lilacina. Além disso, sua inflorescência possui ápice arredondado devido à posição protuberante das flores, enquanto nas demais espécies, principalmente em C. fosterianum, as flores ficam mais profundamente inseridas na taça formada pelas brácteas involucrais e primárias (Leme, 1997).

Valor econômico:

Potencial valor econômico: Desconhecido

População:

Flutuação extrema: Sim
Detalhes: Leme (1997) encontrou subpopulação próxima ao município de Una, sul da Bahia, cujo material serviu de base para a descrição do táxon. C. montanum teve subpopulações registradas por Amorim et al. (2009) na Reserva Serra das Lontras, municípios de Aratáca e São José da Vitória e Reserva da Pedra Lascada, município de Barro Preto, cujos contrafortes fazem divisa com a Reserva Biológica de Una. A espécie foi considerada "Rara" de acordo com os critérios de raridade adotados por Giulietti et al. (2009).

Ecologia:

Biomas: Mata Atlântica
Fitofisionomia: C. montanum habita as partes elevadas sujeitas a neblina das serras sul-baianas. Ocorre em Floresta Ombrófila Densa em áreas sujeitas a intensa nebulosidade, sendo portanto extremamente úmidas (Leme 1997; Stehmann et al., 2009).
Habitats: 1.9 Subtropical/Tropical Moist Montane
Detalhes: ​Planta herbácea, epífita; habita as partes elevadas sujeitas a neblina das serras sul-baianas. Ocorre em Florestas Ombrófilas Densas em áreas sujeitas a intensa nebulosidade (Leme 1997; Stehmann et al., 2009).

Ameaças (1):

Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.3.3.2 Selective logging
A região montanhosa do sul da Bahia ainda apresenta, em sua grande maioria, estado primitivo de conservação, o que pode ser atribuido principalmente a dificuldade de acesso às áreas elevadas. Entretanto, Leme (1997) relatou os impactos da extração seletiva de árvores de grande porte dessas matas, acabando-se assim com o habitat preferencial de C. montanum. Além disto, esta prática acaba por devastar o sub-bosque da mata, o que pode configurar um impacto indireto sob a população de C. montanum.

Ações de conservação (2):

Ação Situação
1.2.1.2 National level on going
C. montanum foi considerada "Criticamente em perigo" (CR) pela Biodiversitas (2005) e consta no Anexo II da Instrução Normativa nº 6, de 23 de setembro de 2008 (MMA, 2008).
Ação Situação
4.4 Protected areas on going
A espécie foi registrada em reservas particulares na sua área de ocorrência, entretanto Leme (1997) e Amorim et al. (2009) relatam a incidência de ameaças diretas nessas áreas.