Arecaceae

Butia exilata Deble & Marchiori

Como citar:

Lucas Moraes; Eduardo Fernandez. 2018. Butia exilata (Arecaceae). Lista Vermelha da Flora Brasileira: Centro Nacional de Conservação da Flora/ Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

CR

EOO:

189,108 Km2

AOO:

28,00 Km2

Endêmica do Brasil:

Sim

Detalhes:

Endêmica do estado do Rio Grande do Sul (Deble et al., 2011; Eslabão et al., 2015; Flora do Brasil, 2020), crescendo em campos (Deble et al., 2011). Encontra-se em uma altitude média de 663 m a.n.m. (P.E. Ellert-Pereira et al. 87, 88).

Avaliação de risco:

Ano de avaliação: 2018
Avaliador: Lucas Moraes
Revisor: Eduardo Fernandez
Critério: C2a(i)
Categoria: CR
Justificativa:

Butia exilata Deble & Marchiori é uma espécie subarbustiva endêmica do Brasil, exclusiva de formações campestres associadas ao bioma Mata Atlântica (Estepe Gramíneo-Lenhosa) do noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (Deble et al., 2011). Encontrada apenas em Ronda Alta, Rondinha (Soares, 2013; Soares et al., 2014) e em Sarandi (Eslabão, com. pess.), possui distribuição restrita (EOO de172,64 km² e AOO de 28 km²), estando sujeita a apenas 7 situações de ameaça. É estimado o tamanho populacional menor que 250 indivíduos e que nem uma subpopulação é maior que 50 indivíduos (Eslabão, 2017), além de ser observado a supressão de subpopulações para realizar atividades agropecuárias, o que resulta na redução contínua do tamanho populacional (Deble et al., 2011), sendo que nenhuma subpopulação se encontra em UC.

Possivelmente extinta? Não

Perfil da espécie:

Obra princeps:

Descrita em Balduinia 30: 5 (-9, 21-22; figs. 1-3, 12). 2011. A espécie é morfologicamente próxima de B. lallemantii e B. paraguayensis (Deble et al., 2011; Soares, 2013), diferindo das mesmas pela bráctea, a qual é peduncular e coberta por indumento esbranquiçado ou acastanhado (Soares, 2013).

População:

Detalhes: As populações são raras e com número reduzido de indivíduos (Deble et al., 2011), com registros isolados da espécie (Ellert-Pereira et al., 2015). Estima-se que o tamanho da população seja menor que 250 indivíduos maduros e que nenhuma subpopulação possua mais que 50 indivíduos maduros (Eslabão, 2017), sendo que o declínio contínuo foi observado no número de indivíduos maduros (Eslabão, com. pess.).
Referências:
  1. Deble, L.P.; Marchiori, J.N.C.; Alves, F.S.; Oliveira-Deble, A.S. 2011. Survey on Butia (Becc.) Becc. (Arecaceae) from Rio Grande do Sul State (Brazil). Balduinia. 30, 03-24.
  2. Ellert-Pereira, P.E.; Eslabão, M.P.; Barbieri, R.L.; Heiden, G. 2015. Avaliação da conservação in situ de Butia (Arecaceae) no Rio Grande do Sul. XVII Encontro de Pós-Graduação UFPEL.
  3. Eslabão, M.P. 2017. Áreas prioritárias e estado de conservação de Butia (Arecaceae). Dissertação de Mestrado. Universidade Federal de Pelotas, Pelotas. 137p.

Ecologia:

Substrato: terrestrial
Forma de vida: subshrub
Biomas: Mata Atlântica
Vegetação: Campo Limpo, Floresta Ombrófila Mista
Fitofisionomia: Estepe Gramíneo-Lenhosa
Habitats: 4.7 Subtropical/Tropical High Altitude Grassland
Detalhes: A espécie tem ocorrência no bioma Mata Atlântica (Eslabão et al., 2015), distribuindo-se em áreas campestres, abertas e em beira de estradas nos municípios de Rondinha , Ronda Alta (Soares, 2013; Soares et al., 2014) e em Sarandi (Eslabão, com. pess.), municípios donorte do estado do Rio Grande do Sul.
Referências:
  1. Eslabão, M.P.; Ellert-Pereira, P.E.; Barbieri, R.L.; Heiden, G. 2015. Distribuição geográfica de Butia (Arecaceae) nos biomas Mata Atlântica e Pampa no Rio Grande do Sul. XVII Encontro de Pós-Graduação UFPEL.
  2. Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: < http://floradobrasil.jbrj.gov.br/ >. Acesso em: 15 Mar. 2017.
  3. Soares, K.P. 2013. O gênero Butia (Becc.) Becc. (Arecaceae) no Rio Grande do Sul com ênfase nos aspectos ecológicos e silviculturais de Butia yatay (Mart.) Becc. E Butia witeckii K. Soares & S. Longhi. Dissertação de Mestrado. Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria. 142p.
  4. Soares, K.P.; Longhi, S.J.; Witeck Neto, L.; Assis, L.C. Palmeiras (Arecaceae) no Rio Grande do Sul, Brasil. 2014. Rodriguésia. 65, 113-139.

Reprodução:

Detalhes: Flores e frutos da espécie podem ser coletados durante a primavera e verão (Deble et al., 2011).
Fenologia: flowering (Sep~Mar), fruiting (Sep~Mar)
Referências:
  1. Deble, L.P.; Marchiori, J.N.C.; Alves, F.S.; Oliveira-Deble, A.S. 2011. Survey on Butia (Becc.) Becc. (Arecaceae) from Rio Grande do Sul State (Brazil). Balduinia. 30, 03-24.

Ameaças (1):

Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
2 Agriculture & aquaculture past,present
Pressões antropogênicas como a agricultura e expansão urbana estão afetando diretamente as populações da espécie, a qual está categorizada como criticamente em perigo segundo a IUCN (Deble et al., 2011). Pelo fato de ter sido encontrada em campos e na beira de estrada, a espécie é considerada bastante ameaçada também (Soares, 2013; Soares et al., 2014). Conforme Eslabão (com. pess.) foi observada, redução de maior ou igual a 90 % de sua população, ao longo dos últimos 10 anos ou de três gerações, com base em observações diretas em trabalho de campo e um declínio na área de ocupação, da extensão de ocorrência e/ou da qualidade do habitat.
Referências:
  1. Deble, L.P.; Marchiori, J.N.C.; Alves, F.S.; Oliveira-Deble, A.S. 2011. Survey on Butia (Becc.) Becc. (Arecaceae) from Rio Grande do Sul State (Brazil). Balduinia. 30, 03-24.
  2. Soares, K.P. 2013. O gênero Butia (Becc.) Becc. (Arecaceae) no Rio Grande do Sul com ênfase nos aspectos ecológicos e silviculturais de Butia yatay (Mart.) Becc. E Butia witeckii K. Soares & S. Longhi. Dissertação de Mestrado. Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria. 142p.
  3. Soares, K.P.; Longhi, S.J.; Witeck Neto, L.; Assis, L.C. Palmeiras (Arecaceae) no Rio Grande do Sul, Brasil. 2014. Rodriguésia. 65, 113-139.

Ações de conservação (2):

Ação Situação
3.3.1 Reintroduction on going
Por ser endêmica e encontrada em pontos isolados do estado do Rio Grande do Sul, a espécie é considerada como prioritária quanto à conservação in situ (Ellert-Pereira et al., 2015), sendo também cultivada em propriedades rurais (Soares, 2013).
Referências:
  1. Ellert-Pereira, P.E.; Eslabão, M.P.; Barbieri, R.L.; Heiden, G. 2015. Avaliação da conservação in situ de Butia (Arecaceae) no Rio Grande do Sul. XVII Encontro de Pós-Graduação UFPEL.
  2. Soares, K.P. 2013. O gênero Butia (Becc.) Becc. (Arecaceae) no Rio Grande do Sul com ênfase nos aspectos ecológicos e silviculturais de Butia yatay (Mart.) Becc. E Butia witeckii K. Soares & S. Longhi. Dissertação de Mestrado. Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria. 142p.
Ação Situação
5.1.3 Sub-national level on going
Segundo a lista de Espécies Ameaçadas do Rio Grande do Sul (FZB, 2014) a espécie se encontra no estado criticamente em perigo – CR.
Referências:
  1. Decreto 51.109, de 19 de dezembro de 2014 que declara as espécies da flora nativa ameaçadas de extinção no RS.

Ações de conservação (1):

Uso Proveniência Recurso
2. Food - animal fruit
Espécie utilizada para forrageamento sem produção comercial. No entanto, os frutos de espécies do mesmo gênero são utilizadas para a confecção de geleias e outros produtos (Hoffmann et al., 2014).
Referências:
  1. Hoffmann, J.F.; Barbieri, R.L.; Rombaldi, C.V.; Chaves, F.C. 2014. Butia spp. (Arecaceae): An overview. Scientia Horticulturae. 179, 122-131.