Arecaceae

Attalea seabrensis Glassman

Como citar:

Monira Bicalho; Lucas Jordão. 2022. Attalea seabrensis (Arecaceae). Lista Vermelha da Flora Brasileira: Centro Nacional de Conservação da Flora/ Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

VU

EOO:

31.853,623 Km2

AOO:

56,00 Km2

Endêmica do Brasil:

Sim

Detalhes:

Espécie endêmica do Brasil (Soares, 2022), com distribuição: no estado da Bahia — nos municípios Barra do Mendes, Boquira, Contendas do Sincorá, Ibitiara, Itaberaba, Ituaçu, Jussiape, Macaúbas, Palmeiras, Piatã e Seabra.

Avaliação de risco:

Ano de avaliação: 2022
Avaliador: Monira Bicalho
Revisor: Lucas Jordão
Critério: B2ab(i,ii,iii)
Categoria: VU
Justificativa:

Palmeira com até 20 m de altura, ocorrendo na Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica, no estado da Bahia. Apresenta AOO igual a 52km² e dez localizações condicionadas à ameaça. Considerando as atividades pecuaristas como o principal vetor de ameaça contra a perpetuação da espécie, especialmente nos registros localizados no município de Itaberaba, com 76,27% de seu território convertido em áreas de pastagem. Em 2020, a espécie apresentava 27,48% (1.429,22 ha) da sua AOO convertidos em áreas de pastagem, atividade que cresce a uma taxa de 0,44% aa desde 1985 até 2020. No entanto, desde 1996 até 2020, a conversão tem crescido a uma taxa de 0,52% aa. Em 2020, a espécie apresentava 32,23% (849.911,91 ha) da sua EOO convertidos em áreas de pastagem, atividade que cresce a uma taxa de 0,44% aa desde 1985 até 2020. No entanto, desde 1996 até 2020, a conversão tem crescido a uma taxa de 0,52% aa. Assim, infere-se declínio continuado de extensão de ocorrência, área de ocupação e qualidade de habitat. Desta maneira, a espécie foi avaliada como vulnerável (VU) à extinção. Recomendam-se buscas por novos registros de ocorrências, ações de pesquisa e de conservação in situ e ex situ a fim de ampliar o conhecimento disponível e garantir sua sobrevivência na natureza.

Último avistamento: 2017
Quantidade de locations: 10
Possivelmente extinta? Não

Perfil da espécie:

Obra princeps:

Descrita em: Illinois Biol. Monogr. 59: 50, 1999. Popularmente conhecida como catolé ou catolé-açu. A espécie geralmente possui a base de seu estipe conspicuamente alargada. A. seabrensis é similar à A. pindobassu no tocante ao estipe elevado, às folhas com longos pecíolos 0,6-2 m compr., pinas inseridas sempre em um ângulo sobre a raque e dispostas regularmente, ao menos da porção mediana e distal, sendo a porção proximal agrupada. A. seabrensis difere de A. pindobassu por possuir 3 a 6 estigmas vs. 6 estigmas em A. pindobassu; A. seabrensis possui pinas irregularmente inseridas na porção proximal da raque (vs. A. pindobassu com pinas regularmente dispostas na raque em quase toda extensão) (Soares, 2022).

Valor econômico:

Potencial valor econômico: Sim
Detalhes: Suas folhas, frutos e sementes possuem valor econômico na comunidade tradicional (Tropical Plants Database,2022).

População:

Flutuação extrema: Desconhecido
Detalhes: Não existem dados populacionais.

Ecologia:

Substrato: terrestrial
Forma de vida: tree
Biomas: Mata Atlântica, Caatinga, Cerrado
Vegetação: Caatinga (stricto sensu), Cerrado (lato sensu), Floresta Estacional Semidecidual
Habitats: 1.6 Subtropical/Tropical Moist Lowland Forest, 2.1 Dry Savanna
Detalhes: Palmeira de até 20 m de altura. Ocorre na Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica, em Floresta Estacional Semidecidual (Soares, 2022).
Referências:
  1. Soares, K.P., 2022. Attalea. Flora e Funga do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. URL https://floradobrasil.jbrj.gov.br/FB25192 (acesso em 10 ago. 2022).

Ameaças (1):

Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.1 Ecosystem conversion 2.3.4 Scale Unknown/Unrecorded habitat,occurrence past,present,future regional very high
De acordo com o Atlas das Pastagens Brasileiras, os municípios Barra do Mendes (BA), Boquira (BA), Contendas do Sincorá (BA), Ibitiara (BA), Itaberaba (BA), Ituaçu (BA), Jussiape (BA), Macaúbas (BA), Palmeiras (BA), Piatã (BA) e Seabra (BA) possuem, respectivamente, 19,64% (31164,71ha), 42,59% (60749,29ha), 33,81% (33049,44ha), 41,49% (76092,03ha), 76,27% (182013,92ha), 37,29% (44721,22ha), 32,88% (19393,29ha), 35,97% (88461,05ha), 18,8% (13864,99ha), 12,31% (22481,27ha) e 35,19% (84522,46ha) de seus territórios convertidos em áreas de pastagem, segundo dados de 2020 (Lapig, 2022). De acordo com o MapBiomas, os municípios Barra do Mendes (BA), Boquira (BA), Contendas do Sincorá (BA), Ibitiara (BA), Itaberaba (BA), Ituaçu (BA), Jussiape (BA), Macaúbas (BA), Palmeiras (BA), Piatã (BA) e Seabra (BA) possuem, respectivamente, 10,68% (15338,11ha), 40,28% (57450,35ha), 30,38% (29690,21ha), 37,37% (68545,42ha), 52,57% (125449,21ha), 34,42% (41286,55ha), 31,53% (18597,54ha), 33,75% (82983,04ha), 16,32% (12035,07ha), 10,2% (18625,34ha) e 29,37% (70556,8ha) de seus territórios convertidos em áreas de pastagens, segundo dados de 2020 (MapBiomas, 2022a). Em 2020, a espécie apresentava 32,23% (849.911,91 ha) da sua EOO convertidos em áreas de pastagem, atividade que cresce a uma taxa de 0,44% aa desde 1985 até 2020. No entanto, desde 1996 até 2020, a conversão tem crescido a uma taxa de 0,52% aa (MapBiomas, 2022b).
Referências:
  1. Lapig - Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento, 2022. Atlas Digital das Pastagens Brasileiras, dados de 2020. Municípios: Barra do Mendes (BA), Boquira (BA), Contendas do Sincorá (BA), Ibitiara (BA), Itaberaba (BA), Ituaçu (BA), Jussiape (BA), Macaúbas (BA), Palmeiras (BA), Piatã (BA) e Seabra (BA). URL https://www.lapig.iesa.ufg.br/lapig/index.php/produtos/atlas-digital-das-pastagens-brasileiras (acesso em 15 de agosto de 2022).
  2. MapBiomas, 2022a. Projeto MapBiomas - Coleção 6 da Série Anual de Mapas de Cobertura e Uso de Solo do Brasil, dados de 2020. Municípios: Barra do Mendes (BA), Boquira (BA), Contendas do Sincorá (BA), Ibitiara (BA), Itaberaba (BA), Ituaçu (BA), Jussiape (BA), Macaúbas (BA), Palmeiras (BA), Piatã (BA) e Seabra (BA). URL https://drive.google.com/file/d/1RT7J2jS6LKyISM49ctfRO31ynJZXX_TY/view?usp=sharing (acesso em 15 de agosto de 2022).
  3. MapBiomas, 2022b. Projeto MapBiomas - Coleção 6 da Série Anual de Mapas de Cobertura e Uso de Solo do Brasil, dados de 1985 e 2020. URL https://https://mapbiomas.org (acesso em 15 de agosto de 2022).

Ações de conservação (2):

Ação Situação
5.1.2 National level needed
A espécie ocorre em território que poderá ser contemplado por Plano de Ação Nacional (PAN) Territorial, no âmbito do projeto GEF Pró-Espécies - Todos Contra a Extinção: Território PAT Chapada Diamantina-Serra da Jiboia - 39/40 (BA).
Ação Situação
1.1 Site/area protection needed
A espécie não é conhecida em nenhuma unidade de conservação, mas claramente existe a necessidade de melhorar a proteção do habitat nos locais onde se sabe que ela ocorre. São necessárias pesquisas adicionais para determinar se esta espécie está ou não experimentando um declínio efetivo ou está passando por flutuações naturais da população.

Ações de conservação (3):

Uso Proveniência Recurso
2. Food - animal natural seed
Suas sementes são usadas para extração de óleo para fins de culinária (Tropical Plants Database,2022).
Referências:
  1. Tropical Plants Database, Ken Fern. 2020. Useful Tropical Plants Database. tropical.theferns.info. URL http://tropical.theferns.info/ (acesso em 22 de agosto de 2022).
Uso Proveniência Recurso
9. Construction/structural materials natural leaf
Suas folhas quando secas são usadas para cobertura de casas e outras construções (Tropical Plants Database,2022).
Referências:
  1. Tropical Plants Database, Ken Fern. 2020. Useful Tropical Plants Database. tropical.theferns.info. URL http://tropical.theferns.info/ (acesso em 22 de agosto de 2022).
Uso Proveniência Recurso
1. Food - human natural fruit
Seus frutos são consumidos na dieta humana e usados para obtenção de amêndoas (Tropical Plants Database,2022).
Referências:
  1. Tropical Plants Database, Ken Fern. 2020. Useful Tropical Plants Database. tropical.theferns.info. URL http://tropical.theferns.info/ (acesso em 22 de agosto de 2022).