ARECACEAE

Attalea funifera Mart.

Como citar:

Pablo Viany Prieto; Tainan Messina. 2012. Attalea funifera (ARECACEAE). Lista Vermelha da Flora Brasileira: Centro Nacional de Conservação da Flora/ Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

NT

EOO:

54.626,708 Km2

AOO:

124,00 Km2

Endêmica do Brasil:

Sim

Detalhes:

A espécie é endêmica do Brasil, de ocorrência na Mata Atlântica, nos Estados da Bahia, Alagoas e Sergipe (Leitman et al., 2012).

Avaliação de risco:

Ano de avaliação: 2012
Avaliador: Pablo Viany Prieto
Revisor: Tainan Messina
Categoria: NT
Justificativa:

<i>Attalea funifera</i> ocorre ao longo da costa Atlântica, da Bahia a Alagoas. Apesar de frequente ao longo da sua distribuição, a espécie é alvo de um intenso extrativismo, formando a base de toda uma cadeia produtiva. Esse fator, somado à degradação do seu habitat em algumas áreas, pode fazer com que <i>A. funifera</i> venha a ser ameaçada no futuro.

Perfil da espécie:

Obra princeps:

Espécie descrita na obra Syst. Veg. (ed. 16) [Sprenge] 2: 624. 1825. Conhecida popularmente como "piaçava", "piaçaveira", "piaçava-da-bahia" (Lorenzi et al., 2010).

Valor econômico:

Potencial valor econômico: Sim
Detalhes: Guimarães (unpublised data) elaborou trabalho com dados provenientes do IBGE que indicam que o comércio da fibra proveniente das folhas de Attlea funifera movimentou cerca de R$ 103,101 milhões por ano entre 2004 e 2009. Apesar da produção de 2009 ter sido de 72.232 t, apenas 169,53 t foram exportadas, indicando que a demanda do mercado nacional é muito grande. O autor ainda afirma que cerca de 1847 produtores participam do processo de cultivo e exploração do recurso, ajudando na movimentação econômica de várias cidades. Até 2002, os principais importadores da fibra de piaçava eram Portugal, Alemanha e Holanda, seguidos de Estados Unidos, Inglaterra e Bélgica (Silva, 2002).

População:

Flutuação extrema: Sim
Detalhes: Segundo Silva (2002) a maior concentração populacional da espécie está no município de Cairu. O autor afirma que o povoamento da espécie no município atinge 2.690 ind/ha, seguido por Ilhéus com 1.626 ind/ha e Canavieiras com 700 ind/ha. Ainda menciona que por ser uma espécie espontânea, o número de o número de indivíduos por unidade de área varia consideravelmente de um local para outro, pois a variabilidade está relacionada com a distribuição natural da espécie e com o grau de interesse dos proprietários rurais na sua exploração.

Ecologia:

Biomas: Mata Atlântica
Fitofisionomia: A espécie ocorre em floresta costeira e em restingas, sobre diversos tipos de solo (Lorenzi et al., 2010). Encontrada principalmente na mata de restinga e mata higrófila, sobre os tabuleiros próximos ao litoral.
Habitats: 13 Marine Coastal/Supratidal
Detalhes: Palmeira de caule desde subterrâneo a 15 m de altura, atingindo 30 cm de diâmetro (variação que parece ocorrer em função do tipo de solo). No sul da Bahia os indivíduos são mais altos, o que não é observado ao norte do Estado, em Sergipe e Alagoas. Espécie com inflorescências estaminadas e andróginas na mesma planta (Lorenzi et al., 2010). De acordo com Silva (2002), uma das característica da espécie é ser uma planta bem adaptada a solos ácidos e de baixa fertilidade, considerados impróprios para outras culturas. O autor afirma que os indivíduos podem florescer durante todo o ano, mas o pico se dá no verão.

Ameaças (6):

Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.3.2.3 Large-scale/industrial
Segundo Guimarães (unpublished data), a produção anual de piaçava no Brasil entre 2004 e 2009 foi:2004 - 96.173 t sendo 90% proveniente da Bahia;2005 - 86.550 t sendo 89,7% proveniente da Bahia;2006 - 80.942 t sendo 88,7%proveniente da Bahia;2007 - 82.096 t sendo 88,5%proveniente da Bahia;2008 - 78.167 t sendo 87,6%proveniente da Bahia;2009 - 72.232 t sendo 97,7%proveniente da Bahia.Dados provenientes do IBGE.Segundo Silva (2002), em 1980, somente o município de Cairu tinha uma participação de 40% da produção total da piaçava do sul da Bahia, seguidos pelo município de Nilo Peçanha, com 27%, Canavieiras, com 10% e Ilhéus, com 5%.
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
3.5.3 Regional/international trade
Segundo Silva (2002), como não há cultivos perfeitamente racionalizados, grandes áreas já degradadas e com as condições edafoclimáticas ideias para o plantio dessa palmeira ainda não são aproveitadas. Guimarães (unpublished data) também cita que uma potencialidade é que a cultura de piaçava se torne cultura agrícola. Segundo ele, há 2 milhões de hectares aptas para a cultura.
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
8 Changes in native species dynamic
Segundo Silva (2002), uma preocupação é a forte erosão genética que populações naturais da espécie vêm sofrendo, principalmente por influências antrópicas causadas por empreendimentos imobiliários nos municípios com potencialidade turístico, a exemplo de Ilhéus, Valença, Itacaré e Porto Seguro.
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
9.1 Limited dispersal
Segundo Silva (2002), como os roedores de pequeno porte, que são responsáveis pela dispersão das sementes, já são escassos e existe a predação dos frutos maduros pelos bruquídeos, a dispersão natural de Attalea funifera é, hoje, praticamente impossível e só pode ocorrer com a intervenção do homem.
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
8.5 Pathogens/parasite
Segundo Silva (2002) a cochonilha que ataca palmeiras em geral, Aspidiotus destructor,não provoca a morte, mas provoca atraso no desenvolvimento. O Rhynchophorus palmarum, conhecido como broca-da-ferida, comum em coqueiro, também ataca a espécie, podendo causar a morte.
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
8.2 Predator
Silva (2002) cita que os frutos são atacados por insetos dos gêneros Caryoborus, Caryobruchos e Pachymeros. Esses insetos ovipositam em frutos caídos e as larvas inviabilizam a germinação.

Ações de conservação (7):

Ação Situação
3 Research actions on going
Diversas são as frentes de trabalho tecnológicas direcionadas a estudos sobre a espécie, tais como: Estudos e pesquisa de órgãos a nível federal, estudos e pesquisas de órgãos a nível estadual, trabalhos de iniciativa privada, descobertas morfológicas, escolha de fruto para plantio, combate a pragas, nutrição, germinação de sementes entre outros (Silva, 2002; Guimarães, unpublished data).
Ação Situação
1.2.1.2 National level on going
A espécie foi considerada "Deficiente de Dados" (DD) na Lista vermelha da flora do Brasil (MMA, 2008), anexo 2.
Ação Situação
3.6 Uses and harvest levels on going
Segundo Guimarães (unpublished data), pelo fato de de não ser considerado produto agrícola, a exploração do recurso é considerada extrativismo (Silva, 2002). No entanto, hoje em dia, existem diversas áreas com plantio da espécie, exclusivamente para a exploração da fibra.
Ação Situação
4.2 Restoration needed
De acordo com Silva (2002), por se tratar de uma espécie bastante adaptada a solos ácidos e de baixa fertilidade, pode ser considerada uma excelente opção de diversificação, podendo ser empregada no repovoamento florestal e na implantação de novos piaçavais tanto em áreas degradadas como em sistemas agroflorestais.
Ação Situação
1 Policy-based actions
Silva (2002) ressalta que a exploração não predatória das piaçavas, por meio do manejo sustentável, além de preservar o meio ambiente, pode vir a ser um modelo de exploração sustentável, considerando que a planta não é sacrificada durante o processo de extração da matéria-prima.
Ação Situação
5.7.1 Captive breeding/Artificial propagation on going
A espécie é cultivada no Jardim Botânico Plantarum (Instituto Plantarum, 2011).
Ação Situação
5.7 Ex situ conservation actions on going
Existem cinco indivíduos da espécie em cultivo no Jardim Botânico do Rio de Janeiro (Leitman, com. pess.).

Ações de conservação (5):

Uso Proveniência Recurso
Confecção de ferramentas e utensílios
O endocarpo é utilizadopara a confecção de peças artesanais e também é utilizado como carvão(Guimarães, unpublished data).
Uso Proveniência Recurso
Confecção de ferramentas e utensílios
O principal produto proveniente desta é espécie é a fibra de piaçava, que é utilizada na fabricação de vassouras e na cobertura de quiosques, entre outras utilidades (Lorenzi et al., 2010). A borra extraída da fibra é utilizada no enchimento de estofados, além de sua utilização pelos artesãos, que fabricam, por exemplo, o samburá. Atinge, em algumas épocas, valor comercial maior que a própria fibra e o mercado interno utiliza cerca de 95% da produção (Silva, 2002).
Uso Proveniência Recurso
Gomas e resinas
A amêndoa é utilizada para a extração de óleo (Lorenzi et al., 2010).
Uso Proveniência Recurso
Alimentício
A amêndoa é comestível (Lorenzi et al., 2010).
Uso Proveniência Recurso
Confecção de ferramentas e utensílios
A folha da espécie também é utilizada para cobertura de casas no sul da Bahia (Leitman, com. pess.).