ASTERACEAE

Anteremanthus hatschbachii H.Rob.

Como citar:

Raquel Negrão; Marta Moraes. 2019. Anteremanthus hatschbachii (ASTERACEAE). Lista Vermelha da Flora Brasileira: Centro Nacional de Conservação da Flora/ Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

EN

EOO:

200,15 Km2

AOO:

40,00 Km2

Endêmica do Brasil:

Sim

Detalhes:

Espécie endêmica do Brasil (Loeuille, 2019), com ocorrência no estado de MINAS GERAIS, município de Cristália (Hatschbach 67975), Grão Mogol (Hatschbach 52026).

Avaliação de risco:

Ano de avaliação: 2019
Avaliador: Raquel Negrão
Revisor: Marta Moraes
Critério: B1ab(i,ii,iii)+2ab(i,ii,iii)
Categoria: EN
Justificativa:

Árvore ou arvoreta de 2-3 m de altura, endêmica do Brasil (Loeuille, 2019). Ocorre exclusivamente no estado de Minas Gerais, nos municípios de Grão Mogol e Cristália e apresenta especifidade de habitat em vegetação de Campos rupestres, associados ao domínio do Cerrado (Loeuille, 2019). Apresenta EOO=168 km², AOO=40 km², sujeita a 5 situações de ameaça, representadas por i) ameaças relacionadas a conversão de áreas para pastagem no município de Cristália; ii) ameaças relacionadas às localidades de ocorrência ao norte do município de Grão Mogol, nos Campos rupestres de cotas mais altas, entre 900-1200 m de altitude, especialmente atividades potenciais de mineração de quartzito (DNMP/SIGIME, 2019); iii) ameaças relacionadas ao uso do solo por mosaico de agricultura e/ou pastagem e potencial atividade minerária com interesse em quartzito na localidade “Corrego escurinha”, em região mais a oeste do município de Grão Mogol, em altitude inferior a 900 m de altitude; iv-v) ameaças relacionadas às localidades no curso dos rios e estradas no município de Grão Mogol, em cotas entre 700-800 m de altitude, especialmente atividades potenciais de mineração envolvendo extração de areia, arenito e quartzito (DNMP/SIGIME, 2019). O desmatamento causado pelas atividades de agricultura, pecuária, mineração, plantações florestais e extração de madeira para carvão (Pirani et al. 2003; DNMP/SIGIME, 2019; Lapig, 2019; MapBiomas, 2019) são responsáveis por declínio de EOO, AOO e na qualidade do habitat. Em estudo de degradação ambiental causada pela agricultura em Minas Gerais, o município de Grão Mogol obteve um índice de degradação ambiental de 91% (Fernandes et al., 2005). Além disso, existem processos muito recentes (DNMP/SIGIME, 2019) de autorização de pesquisa com interesse em quartzito nas áreas em cotas mais altas ao norte do município de Grão Mogol, onde a espécie estaria mais protegida de outras ameaças relacionadas a agricultura e pecuária pela característica do terreno. O município de Cristália (MG), possui cerca de 15% (12485 ha) de sua área convertida em pastagem (Lapig, 2019). Considerada rara (sensu Giulietti et al., 2009), a espécie foi avaliada como ameaçada de extinção (EN, CR) em avaliações de risco de extinção anteriores (MMA, 2014; MMA, 2008; Biodiversitas, 2005). Assim, em razão de distribuição restrita e declínio continuo, a espécie foi mantida na categoria “Em perigo”, tendo sido atualizada a informação sobre ameaças incidentes e potenciais. A espécie ocorre apenas em uma Unidade de Conservação de proteção integral (Parque Estadual de Grão Mogol), que está abrangida pelo Plano de Ação Nacional para a Conservação da Flora Ameaçada de Extinção da região de Grão Mogol-Francisco Sá (Pougy et al., 2015). São necessárias ações de pesquisa sobre tamanho e tendência populacional, bem como avaliação das potencialidades para sua conservação ex situ (incluindo coleta e armazenamento em banco de germoplasma, teste de germinação e possíveis reintroduções em caso de extinções locais). O monitoramento e controle das ameaças incidentes (incluindo restrição legal de mineração em áreas prioritárias para conservação e em Unidades de Conservação com ocorrência de espécies ameaçadas) é imprescindível para manutenção dos habitats preferenciais (Campos rupestres do Espinhaço) e perpetuação da espécie.

Último avistamento: 2015
Quantidade de locations: 5
Possivelmente extinta? Não
Severamente fragmentada? Desconhecido
Razão para reavaliação? Other
Justificativa para reavaliação:

A espécie foi avaliada pelo CNCFlora em 2013 (Martinelli e Moraes, 2013) e consta como "Em perigo" (EN) na Portaria MMA 443/2014 (MMA, 2014), sendo então necessário que tenha seu estado de conservação reavaliado após 5 anos da última avaliação.

Houve mudança de categoria: Sim
Histórico:
Ano da valiação Categoria
2012 EN

Perfil da espécie:

Obra princeps:

Descrita em: Proc. Biol. Soc. Washington 105: 646-648 figs.1992

Valor econômico:

Potencial valor econômico: Desconhecido
Detalhes: Não é conhecido o valor econômico da espécie.

População:

Detalhes: Planta considerada rara (Nakajima et al., 2009).
Referências:
  1. Nakajima, J. N. ; Teles, A. M.; Ritter, M. et al.Giulietti, A. M.; RapiniI, A.; Andrade, M. J. G. de et al. Asteraceae. Belo Horizonte, MG: Conservação Internacional - CI, 2009. 496 p.

Ecologia:

Substrato: terrestrial
Forma de vida: tree, small tree
Biomas: Cerrado
Vegetação: Campo Rupestre
Fitofisionomia: Savana Parque
Habitats: 4.7 Subtropical/Tropical High Altitude Grassland
Detalhes: Árvore ou arvoreta de 2-3 m de altura (Hatschbach 52026; Loeuille 443), com ocorrência no domínio Cerrado, especificamente em Campos rupestres (Louille, 2019).
Referências:
  1. Loeuille, B.F.P. Anteremanthus in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro.Disponível em: <http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB26793>. Acesso em: 15 Abr. 2019

Reprodução:

Detalhes: A espécie foi coletada em flor nos meses de fevereiro (Cid 2434), maio (Hatschbach 52026), junho (Pirani CFCR13148) e julho (Giulietti CFCR9864).
Fenologia: flowering (Fev~Jul)

Ameaças (6):

Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.1 Ecosystem conversion 5.3 Logging & wood harvesting habitat past,present,future national very high
O Cerrado perdeu 88 Mha (46%) de sua cobertura vegetal nativa, e apenas 19,8% permanecem inalterados. Entre 2002 e 2011, as taxas de desmatamento no Cerrado (1% por ano) foram 2,5 vezes maiores que na Amazônia. A proteção atual permanece fraca. As áreas protegidas públicas cobrem apenas 7,5% do bioma (em comparação com 46% da Amazônia) e, de acordo com o Código Florestal brasileiro, apenas 20% (em comparação com 80% na Amazônia) de terras privadas são destinadas a conservação (Strassburg et al., 2017). Como resultado, 40% da vegetação natural remanescente pode agora ser legalmente convertida (Soares-Filho et al., 2014).
Referências:
  1. Soares-Filho, B., Rajão, R., Macedo, M., Carneiro, A., Costa, W., Coe, M., Rodrigues, H., Alencar, A., 2014. Cracking Brazil’s Forest Code. Science (80-. ). 344, 363–364.
  2. Strassburg, B.B.N., Brooks, T., Feltran-Barbieri, R., Iribarrem, A., Crouzeilles, R., Loyola, R., Latawiec, A.E., Oliveira-Filho, F.J.B., Scaramuzza, C.A.M., Scarano, F.R., Soares-Filho, B., Balmford, A., 2017. Moment of truth for the Cerrado hotspot. Nat. Ecol. Evol. 1, 0099.
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.1 Ecosystem conversion 2 Agriculture & aquaculture locality,habitat,occupancy,occurrence past,present,future regional very high
Em estudo de degradação ambiental causada pela agricultura em Minas Gerais, o município de Grão Mongol obteve um índice de degradação ambiental de 91% (Fernandes et al., 2005). Pirani et al. (2003 apud CNCFlora 2012.2) indica alto niveis de desmatamento para a região atribuídos a atividades agropecuárias intensas.
Referências:
  1. Fernandes, E. A., Cunha, N. R. D. S., Silva, R. G. D., 2005. Degradação ambiental no estado de Minas Gerais. Revista de Economia e Sociologia Rural, 43(1):179-198.
  2. CNCFlora. Anteremanthus hatschbachii in Lista Vermelha da flora brasileira versão 2012.2 Centro Nacional de Conservação da Flora. Disponível em <http://cncflora.jbrj.gov.br/portal/pt-br/profile/Anteremanthus hatschbachii>. Acesso em 15 abril 2019.
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.2 Ecosystem degradation 5.3 Logging & wood harvesting locality,habitat,occupancy,occurrence past,present regional very high
​Pirani et al. (2003) apontou como principais ameaças presentes nas serras da região de Grão-Mogol (MG) o desmatamento, para o uso da madeira na fabricação de carvão vegetal.
Referências:
  1. Pirani, J. R. ; Mello-Silva, R. ; Giulietti, A. M.Pirani, J. R. ; Mello-Silva, R. ; Giulietti A. M. Flora de Grão Mogol - Introdução. 2003. 1-24 p.
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.1 Ecosystem conversion 2.3 Livestock farming & ranching locality,habitat,occupancy,occurrence past,present,future regional high
O município de Cristália (MG), com 84.070 ha, contém cerca de 15% (12.485 ha) de sua área convertida em pastagem (Lapig, 2019).
Referências:
  1. Lapig, 2019. http://maps.lapig.iesa.ufg.br/lapig.html (acesso em 15 de abril 2019).
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.1 Ecosystem conversion 3.2 Mining & quarrying habitat,occurrence,occupancy present,future regional high
Existem processos muitos recentes (2019) de autorização de pesquisa com interesse em quartzito nas áreas em cotas mais altas ao norte do município de Grão Mogol, onde a espécie estaria mais protegidas de outras ameaças relacionadas a agricultura e pecuária pela característica do terreno (DNMP/SIGIME, 2019). Além disso, existe autorização de pesquisa para áreas a serem mineradas ao longo curso do rio onde a espécie ocorre, com interesse na extração de arenito e quatzito e, também um processo de licenciamento de extração de areia autorizado, muito próximo a uma das localidades de ocorrência da espécie na beira do Rio das Mortes em Grão Mogol (DNMP/SIGIME, 2019).
Referências:
  1. DEPARTAMENTO NACIONAL DE PRODUÇÃO MINERAL - DNPM. SIGMINE: Informações Geográficas da Mineração. http://sigmine.dnpm.gov.br/webmap/, (acesso em 12 de junho 2019).
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.1 Ecosystem conversion 2.2 Wood & pulp plantations locality,habitat,occupancy,occurrence past,present,future regional high
O município de Grão Mogol tem cerca de 37,199 ha de área do município convertida em floresta plantada (MapBiomas, 2019)
Referências:
  1. Projeto MapBiomas, 2019. Projeto de Mapeamento Anual da Cobertura e Uso do Solo no Brasil. Coleção 3.1v da Série Anual de Mapas de Cobertura e Uso de Solo do Brasil. http://mapbiomas.org/map#coverage, (acesso em 12 de junho de 2019).

Ações de conservação (4):

Ação Situação
5.1.2 National level on going
A espécie avaliada como "Em perigo" está incluída no ANEXO I da Lista Nacional Oficial de Espécies da Flora Ameaçadas de Extinção (MMA, 2014). Além disso, a espécie foi anteriormente foi incluída no Anexo I da Lista de Espécies da Flora Ameaçadas de Extinção do Brasil (MMA 2008) e na Lista da Biodiversitas da Flora Ameaçada de Extinção, na categoria "Criticamente em perigo" (CR) (Biodiversitas, 2005).
Referências:
  1. Ministério do Meio Ambiente (MMA). Portaria nº 443/2014. Anexo I. Lista Nacional Oficial de Espécies da Flora Ameaçadas de Extinção. Disponível em: http://dados.gov.br/dataset/portaria_443. Acesso em 15 de abril 2019.
  2. MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. Instrução Normativa n. 6, de 23 de setembro de 2008. Espécies da flora brasileira ameaçadas de extinção e com deficiência de dados, Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 24 set. 2008. Seção 1, p.75-83, 2008.
  3. FUNDAÇÃO BIODIVERSITAS. Revisão da lista da flora brasileira ameaçada de extinção. Belo Horizonte, MG: FUNDAÇÃO BIODIVERSITAS PARA A CONSERVAÇÃO DA NATUREZA, 2005.
Ação Situação
5.1.3 Sub-national level on going
Citada como "Vulnerável" (VU) na Lista Vermelha da flora ameaçada de Minas Gerais (COPAM-MG, 1997).
Referências:
  1. CONSELHO ESTADUAL DE POLÍTICA AMBIENTAL, MINAS GERAIS. Deliberação COPAM n. 85, de 21 de outubro de 1997. Aprova a lista das espécies ameaçadas de extinção da flora do Estado de Minas Gerais, Diário Oficial do Estado de Minas Gerais, Diário do Executivo, Belo Horizonte, MG, 30 out. 1997, 1997.
Ação Situação
5.1.2 National level on going
A espécie ocorre no território de abrangência do Plano de Ação Nacional para a conservação da flora ameaçada de extinção da região de Grão Mogol-Francisco Sá, que inclui os municípios de Grão Mogol e Cristália (Pougy et al., 2015).
Referências:
  1. Pougy, N., Verdi, M., Martins, E., Maurenza, D., Loyola, R., Martinelli, G. (Orgs.), 2015. Plano de Ação Nacional para a conservação da flora ameaçada de extinção da região de Grão Mogol-Francisco Sá. CNCFlora : Jardim Botânico do Rio de Janeiro : Laboratório de Biogeografia da Conservação : Andrea Jakobsson Estúdio, Rio de Janeiro. 76 p.
Ação Situação
5 Law & policy needed
A espécie ocorre em um território que será contemplado por Plano de Ação Nacional (PAN) Territorial, no âmbito do projeto GEF pró-espécies: todos contra a extinção : Território 10.

Ações de conservação (1):

Uso Proveniência Recurso
17. Unknown
Não existem dados sobre usos efetivos ou potenciais.